1.320 imunizantes contra vírus respiratório estão disponíveis para gestantes em JF

Desde a manhã desta segunda-feira (8), gestantes podem se imunizar contra o Vírus sincicial respiratório (VSR). Segundo a Prefeitura de Juiz de Fora, por enquanto a vacina está sendo aplicada apenas em 12 UBS’s (Benfica, Bairro Industrial, Jóquei Clube II, Grama, Linhares, Nossa Senhora Aparecida, Nossa Senhora das Graças, Santa Luzia, São Pedro, Centro Sul, Nossa Senhora de Lourdes e Vila Ideal) e no Departamento de Saúde da Mulher, Gestante, Criança e do Adolescente, “a fim de otimizar as doses recebidas e o acesso das gestantes”.
Nas UBS’s, as Salas de Vacinas funcionam de segunda a sexta-feira, das 9h às 18h, e aos sábados, das 8h às 11h. No Departamento, o atendimento é feito no segundo andar, na Rua São Sebastião, 772/776, de segunda a sexta-feira, das 8h às 13h. Para receber a vacina, é necessário apresentar documento oficial com foto, cartão da gestante ou último ultrassom/exame comprobatório e comprovante de residência em Juiz de Fora.
Foram distribuídas cerca de 1.320 doses, as demais doses seguem disponíveis para reposição das unidades. O Município estima público anual de 5 mil gestantes, com base no número de nascidos vivos por ano.
Vacinação de rotina
A Tribuna questionou se a Prefeitura tem meios de garantir que, atualmente, essa quantidade de imunizantes atenderá a todas as gestantes com 28 semanas. A resposta foi que “o Município irá monitorar o número de doses aplicadas, bem como solicitar novas doses”. “Há expectativa de que, após o término das doses, novas remessas cheguem ao município, visto que o imunizante será incorporado na vacinação de rotina das gestantes”, completa.
Das 28 às 32 semanas é o tempo homologado de gestação para aplicação do imunizante, segundo Mário Lúcio Novaes, infectologista formado pela UFJF: “É o melhor tempo que a Imunoglobulina G (IgG) produzida pelo organismo da mãe passa para o feto. Inclusive, nesse período, se a criança for prematura, já vai estar com a IgG”.
“A mãe toma a vacina, produz anticorpos, e eles são transferidos para a criança durante a gestação. Após o nascimento, a criança recebe a imunoglobulina que tem duração em torno de 6 meses, tempo em que ela fica protegida do VSR. Depois que passar esses 6 meses, existe uma vacina específica que a criança tem que tomar”, explica.
Ele tranquiliza que a vacina não exige nenhum cuidado especial e não possui contraindicação. Inclusive, as reações de dor local são “bem discretas”.
Importância da vacina
Novaes afirma que o VSR é considerado um vírus de alto impacto em saúde pública independente do público: adulto, gestante, idoso ou infantil, porque a mortalidade é alta, e a contaminação, fácil, por via respiratória.
“Ele é destinado à gestante, mas todas as pessoas acima de 50 anos e todas as crianças menores de 1 ano deveriam tomar vacina para VSR. Ele corresponde a, mais ou menos, 10% de todas as pneumonias com mortalidade nas UTI’s”, alerta.
A Tribuna também questionou a Prefeitura se há previsão para que o imunizante seja aplicado nesses públicos, ao menos caso ainda haja estoque após a imunização de todas as gestantes com 28 semanas. A resposta foi negativa: “no momento, a estratégia definida pelo Ministério da Saúde e seguida pelo Município é de imunizar apenas as gestantes”.
Ainda segundo o Município, nos anos de 2024 e 2025, o VSR foi responsável por boa parte das notificações de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) levando a hospitalização, principalmente de crianças menores de 2 anos. Porém, a respeito dos dados numéricos sobre o VSR, a Prefeitura informou que apenas os casos que evoluíram para SRAG são de notificação compulsória.
Por que as grávidas são o público-alvo da campanha?
O infectologista Marcos Moura esclarece que a vacina contra o VSR é destinada às gestantes porque tem como principal objetivo proteger os recém-nascidos, que são os mais vulneráveis às formas graves da bronquiolite. “A imunização materna permite a transferência de anticorpos pela placenta, conferindo ao bebê uma proteção passiva logo após o nascimento.”
O médico também destaca que o imunizante não fica permanentemente disponível nos postos de saúde porque é sazonal. “O vírus circula com maior intensidade em determinados períodos do ano, principalmente nos meses mais frios. Por isso, o Ministério da Saúde realiza a aplicação da vacina em campanhas específicas, voltadas para gestantes que estarão no final da gestação durante o pico de circulação do vírus. Isso garante maior efetividade na proteção dos bebês.”
Além de ser uma das principais causas de SRAG em crianças menores de 2 anos, o VSR é responsável por milhares de internações e óbitos infantis, além de sobrecarregar os serviços de saúde durante os surtos sazonais, conforme Moura.
Prioridades na imunização
Diante da quantidade limitada de doses, Marcos Moura acrescenta que a priorização deve considerar gestantes com maior risco de complicações neonatais, como aquelas com comorbidades (diabetes, hipertensão, HIV, etc.); com previsão de parto durante o pico de circulação do VSR (geralmente entre março e julho, dependendo da região); e em situação de vulnerabilidade social ou com acesso limitado a serviços de saúde. “A definição dos grupos prioritários pode ser ajustada pela Secretaria Municipal de Saúde, conforme critérios epidemiológicos locais”, completa.
Por fim, o infectologista ressalta que a vacina é contraindicada em casos de alergia grave (anafilaxia) a qualquer componente da fórmula ou a uma dose anterior. Também é recomendado adiar a vacinação em casos de febre ou infecção aguda moderada a grave. Gestantes com condições clínicas específicas devem ser avaliadas individualmente por um profissional de saúde antes da aplicação.
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