Tribuna de Minas

Conheça o Orquidário do Jardim Botânico da UFJF que abriga mais de cem espécies de orquídeas

Orquidário com mais de 300 exemplares fica localizado no interior do Jardim Botânico. (Foto: Divulgação/Jardim Botânico da UFJF)
Com cerca de 300 orquídeas, o Orquidário do Jardim Botânico da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) tem se consolidado como um espaço importante para a conservação dessas plantas, reunindo um acervo de mais de cem espécies, incluindo algumas ameaçadas de extinção. O nome do espaço homenageia o botânico Frederico Carlos Hoehne, juiz-forano referência nos estudos da família Orchidaceae e um dos principais nomes da botânica brasileira. 
Desde 2019, o orquidário faz parte do Jardim Botânico, tendo o acesso ao seu interior restrito, mas com plantas disponíveis para observação no gradil. Segundo o diretor do Jardim Botânico, Breno Motta, a medida é fundamental para garantir a saúde da planta e a conservação das espécies. “Adotamos uma estratégia expositiva que permite a observação qualificada pelo público. Os exemplares em período de floração são posicionados próximos ao gradil, favorecendo a apreciação estética e educativa. Essa dinâmica possibilita o contato com a diversidade morfológica das orquídeas sem comprometer o manejo técnico e a sobrevivência de espécies sensíveis.” 
O  orquidário também atua como espaço de pesquisa e educação ambiental. Na área acadêmica, o acervo atual permite estudos sobre ecologia, fenologia e propagação de espécies. Já sobre o caráter educativo, Motta acredita que o local é uma ferramenta essencial para a sensibilização ambiental dos visitantes, contribuindo para a compreensão da biodiversidade brasileira e servindo de base para ações de extensão e formação de monitores em educação ambiental. 
“O Orquidário Frederico Carlos Hoehne representa um núcleo estratégico para a conservação da diversidade vegetal no Jardim Botânico da UFJF. Ao abrigar cerca de 300 exemplares, ele consolida um importante acervo vivo de Orchidaceae, uma das famílias mais diversas e sensíveis às alterações ambientais”, afirma o diretor. 
Parte das plantas é proveniente de resgates realizados no próprio Jardim Botânico, enquanto outras chegam por meio de doações, de coleções particulares, apreensões de órgãos ambientais e pesquisas científicas. O acervo conta com espécies nativas predominantemente da Mata Atlântica, da Floresta Amazônica  e do  Cerrado, além de espécies exóticas (não nativas do Brasil) e híbridos artificiais (cruzamento entre duas espécies diferentes). 
O cultivo das orquídeas exige técnicas variadas e atenção constante, como explica o coordenador do orquidário e vice-diretor do Jardim, Luiz Menini. No espaço, são utilizados desde vasos tradicionais, como cerâmica e plástico, até suportes alternativos, como cachepôs, madeira reutilizada, galhos e outros materiais orgânicos. Os substratos também variam conforme as necessidades de cada espécie, incluindo casca de pinus, fibra de coco, carvão e musgos. O biólogo explica que um dos principais desafios é manter, em um mesmo ambiente, plantas com exigências diferentes de luz, umidade e ventilação. 
Outro ponto de atenção é a estrutura necessária para a manutenção do orquidário. “A falta de recursos financeiros para ter um espaço adequado, com irrigação automatizada, por exemplo, a inexistência de recursos humanos que realizem a manutenção das plantas, o furto de exemplares da coleção por parte de visitantes do Jardim Botânico são alguns dos desafios que temos que enfrentar para mantermos o orquidário”, explica o professor de botânica da UFJF. 
Diversidade marca acervo com espécies raras e ameaçadas 

Entre as espécies presentes, há registros raros e pouco conhecidos. Duas delas foram descritas a partir de coletas realizadas em Juiz de Fora na década de 1930, como a Cyrtopodium intermedium, que nunca mais foi encontrada no município e há apenas mais um registro no Rio de Janeiro, e a Zygostates nunes-limae, hoje com poucos registros em outros estados do Sudeste. 
De acordo com Menini, as plantas que agradam mais os visitantes do jardim são as do Cattleya e Hadrolaelia, principalmente por seu tamanho e pelo colorido exuberante de suas flores. 
Em relação às exóticas, o espaço abriga a Dendrochilum glumaceum, que é originária das Filipinas, no Sudeste Asiático e possui um perfume adocicado e suave. Esse conjunto reforça o papel da conservação ex situ, que busca manter espécies fora de seu ambiente natural, contribuindo para a proteção e possível reintrodução futura. 
Para isso, é fundamental que o orquidário cultive espécies que estejam ameaçadas de sobrevivência para que, no futuro, elas possam ser reinseridas na natureza. Esse é o caso das espécies Hoffmannseggellamilleri, conhecida na região do Quadrilátero Ferrífero, em Minas Gerais, e altamente ameaçada pela mineração; Cattleyaharrisoniana, ocorrente nos estados da Região Sudeste do Brasil e alvo de coleta predatória e de destruição do habitat para conversão em ambientes agrícolas; e a Octomeriapraestans, ameaçada pela intensa degradação do ambiente. 
Orquidário homenageia botânico juiz-forano
O nome do Orquidário Frederico Carlos Hoehne é uma homenagem a um dos principais nomes da botânica brasileira. Nascido em Juiz de Fora, Hoehne foi um botânico autodidata e se destacou como um dos mais importantes estudiosos de orquídeas do país, com mais de 600 publicações, entre artigos científicos e obras de divulgação. 
“Hoehne foi um ilustre juiz-forano, embora pouco conhecido em sua própria cidade. Foi um botânico autodidata, um dos mais proeminentes orquidólogos brasileiros, um dos primeiros defensores da natureza brasileira, responsável pela descrição de centenas de espécies, predominantemente de Orchidaceae, mas também de outras famílias botânicas”, ressalta Menini. 
Interior do Orquidário não é aberto ao público com o propósito de garantir a saúde da planta e a conservação das espécies (Foto: Divulgação/Jardim Botânico da UFJF)
Ao longo de sua trajetória, teve papel fundamental na criação de instituições como o Instituto de Botânica de São Paulo e o Jardim Botânico da capital paulista, além de atuar como jardineiro-chefe do Museu Nacional e integrar expedições científicas, como a Expedição Científica Rondon-Roosevelt (entre 1909 e 1913). 
“Por toda a sua contribuição, não apenas para a orquidologia, mas para a botânica como um todo e para a conservação da fantástica biodiversidade brasileira, achamos justa essa singela homenagem”, diz o coordenador. 
Espaço pode ser aberto à visitação pública permanente 
A direção do Jardim Botânico estuda a implantação de novos espaços especializados voltados à proteção de espécies mais sensíveis e ameaçadas. A proposta prevê ambientes com maior controle de temperatura, umidade e luminosidade, além de manejo técnico mais rigoroso. 
Com a reestruturação, a expectativa é fortalecer as estratégias de conservação ex situ e, ao mesmo tempo, permitir que o atual orquidário seja gradualmente adaptado para visitação pública permanente, ampliando o acesso sem comprometer a integridade do acervo botânico. 
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