Tribuna de Minas

Anvisa mantém proibição parcial de produtos Ypê; empresa abre formulário para reembolso

A Diretoria Colegiada da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) manteve parte da proibição relacionada a produtos Ypê. Com a decisão, seguem suspensos o comércio, a fabricação, a distribuição e o uso de detergentes, sabões para roupas e desinfetantes líquidos com lotes de numeração final 1, conforme previsto na Resolução 1.834/2026. O recolhimento dos produtos, no entanto, foi suspenso.
O recurso apresentado pela empresa continuará seguindo o trâmite normal na Anvisa. A fabricante deverá apresentar um plano de gestão para os produtos já distribuídos, incluindo orientações aos consumidores. Até o início desse plano, a recomendação é que os itens suspensos não sejam utilizados e permaneçam lacrados ou bem fechados, em local seco e ventilado.
Reembolso via chave PIX
No mesmo dia, a Ypê disponibilizou, em seu site oficial, um formulário para os consumidores que compraram os produtos da marca suspensos pela Anvisa possam ser reembolsados via chave PIX.
O consumidor que desejar o reembolso deverá informar  nome completo, CPF, telefone, endereço, e-mail, chave PIX, selecionar qual o produto que foi adquirido e qual o lote que ele faz parte. Além disso, há um campo para inserir a nota fiscal do produto, mas seu preenchimento não é obrigatório.
Ações de correção
Em reuniões técnicas realizadas nesta semana, a Ypê reconheceu que as falhas apontadas pela fiscalização da Anvisa precisam ser corrigidas. A fabricante informou ter feito aporte de investimentos e apresentado mais de 200 ações que estão sendo implantadas nas linhas de produção e controle.
O relator do recurso, diretor-presidente Leandro Safatle, afirmou que “fica evidente a convergência de interesses entre o Poder Público e a empresa: promover os ajustes necessários, corrigir falhas identificadas e assegurar à sociedade a disponibilização de produtos que atendam aos requisitos de qualidade e segurança. É importante destacar que a empresa tem buscado diálogo com a Anvisa”.
Desde o início da suspensão, determinada pela agência reguladora em 7 de maio, a empresa informou que manteve sua linha de produção inoperante, iniciou ações de limpeza, readequação de processos, melhoria do controle de qualidade e aquisição de equipamentos.
A Anvisa deve organizar uma nova inspeção para avaliar o avanço das correções. A agência também se colocou à disposição da Química Amparo para fornecer orientação técnica, esclarecer dúvidas e apoiar, dentro de suas competências, a avaliação das medidas propostas.
A expectativa é que a adoção de um plano de gerenciamento para os produtos com risco sanitário, previamente validado pela Anvisa, reforce o controle e o monitoramento das ações implementadas. Segundo a agência, a medida também busca assegurar que os procedimentos sejam conduzidos de forma organizada, reduzindo riscos à população.
A Ypê foi procurada, mas ainda não se posicionou sobre a nova determinação da Anvisa. O espaço segue aberto para manifestação.
Histórico
A suspensão foi determinada após inspeção conjunta realizada pela Anvisa, pelo Centro de Vigilância Sanitária do Estado de São Paulo (CVS-SP) e pela Vigilância Sanitária Municipal de Amparo (GVS-Campinas). Durante a fiscalização, foram detectadas 76 irregularidades.
Entre os problemas identificados em etapas críticas de produção, estavam falhas nos sistemas de garantia da qualidade, produção e controle de qualidade. A Anvisa informou que a decisão foi tomada a partir de avaliação técnica de risco sanitário, em articulação com o Sistema Nacional de Vigilância Sanitária (SNVS).
No dia 7 de maio, a Anvisa publicou a proibição e o recolhimento de 23 produtos líquidos da Ypê. A medida foi temporariamente suspensa na sexta-feira (8), após a empresa apresentar recurso contra a decisão da agência. Pela legislação, o efeito suspensivo ocorre automaticamente quando o recurso é apresentado. Nesses casos, a decisão da Anvisa fica suspensa até nova análise.
Quando a agência entende que o efeito suspensivo pode trazer riscos à saúde, a Diretoria Colegiada pode votar pela retirada desse efeito. Na prática, isso faz com que a proibição inicial volte a valer enquanto o recurso segue em tramitação. Nesta sexta-feira (15), durante a 1ª Reunião Extraordinária Pública da Diretoria Colegiada de 2026, os diretores mantiveram as proibições e suspenderam apenas o recolhimento.
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