‘Faltava música que valorizasse a mulher’: Panda fala sobre ‘Eu te seguro’ e o hit que domina o Brasil

Panda acumula 186 milhões de streams no Spotify com ‘Eu te seguro’ e lidera as paradas pelo segundo mês consecutivo (Foto: Cassio Dantas/ Divulgação)
“No dia em que se sentir insegura, eu te seguro.” Com uma promessa de amparo que vai na contramão da música de hoje, Panda encontrou o que faltava: um sertanejo que canta para a mulher, não sobre ela. E o Brasil inteiro ouviu.
Com 186 milhões de streams no Spotify e mais de 133 milhões de visualizações no YouTube, “Eu te seguro” carrega no próprio título a promessa que a letra cumpre. Desde seu lançamento, em setembro de 2025, a música nunca saiu do radar dos brasileiros: 43 semanas entre as mais tocadas do Spotify Brasil e 29 no Billboard Hot 100 até chegar ao primeiro lugar das duas paradas simultaneamente e por duas semanas seguidas.
Mas antes da melodia vem o ritmo, a letra e o cantor por trás do sucesso. Jonathan Anjos até tentou fazer sucesso com o nome de batismo, mas foi em uma conversa com seu empresário, Rafael Cabral, que percebeu que o nome era grande demais para alcançar o topo que tanto almejava.
Por causa do seu jeito, ganhou o apelido que no início rejeitou, mas acabou abraçando: “Me apaixonei pelo nome. E eu acho que Deus me mostrou o que esse nome faria na minha vida. E aconteceu”.
E ele garante que apesar da mudança de novo, não há muitas diferenças entre Panda e Jonathan. “O Panda e o Jonathan são as mesmas pessoas. O artista, o CNPJ, o CPF. Mas eu faço tudo com muito amor, muita verdade. Tanto o Jonathan como o Panda. Então, realmente, a maior mudança é o nome. O resto é amor e carinho, como sempre.”
Fenômeno Panda
Natural de São Paulo e radicado em Goiânia, berço do sertanejo, Panda chama atenção pela semelhança vocal com Bruno, da dupla Bruno & Marrone – sua maior referência desde a infância e até hoje. “Um grande músico, um grande compositor, com uma carreira maravilhosa. Essa garra, ele também saiu do boteco. A história dele é inspiradora e sempre vai ser.”
Mas as referências não param por aí. Quando questionado sobre influências, Panda ri da impossibilidade de escolher só uma. A lista inclui nomes que moldaram o sertanejo por décadas: além de Bruno & Marrone, Edson & Hudson, Milionário & Zé Rico, João Giovanni e Chris Ralf – os mesmos que ele ouvia quando tinha 14, 15 anos e sonhava em entrar no mundo dos botecos. “Essa galera é complicada, os caras são demais.”
Panda não fez sozinho o caminho até o topo. Casado há 9 anos com Shirlen Wikina, o cantor destaca o apoio da esposa e dos pais como pilares essenciais. Para ele, no entanto, a base de tudo vem de uma fonte maior. “Além de Deus, você ter Deus no coração.” E é com essa certeza que ele segue.
A família se estende para além de casa. Panda faz questão de citar a equipe que acredita e trilha o caminho junto, especialmente os amigos que não abrem mão da verdade. “Amigos de verdade são aqueles que, se precisarem bater em você para te ensinar, eles vão bater. Amigos de verdade não falam só o que você quer ouvir. Esses são os amigos de verdade que te fazem crescer.”
Na lista curta de quem esteve desde o começo, dois nomes se repetem: Danilo, seu agente, e Gabriel Riboli. “São pessoas que lá no começo acreditaram em mim, antes de todo mundo.”
Do boteco ao amor de verdade
Antes do topo, Panda já se encontrava nas paradas com “Baqueado”, parceria com Ícaro e Gilmar lançada em dezembro de 2024. Com a narrativa clássica da sofrência – beber para esquecer quem não te esqueceu -, a música acumula 141 milhões de visualizações no YouTube e 61 semanas no Spotify Brasil. Foi ela que estourou o nome do cantor no país.
Mas Panda não ficou na fórmula. Questionado sobre o que fez “Eu te seguro” conquistar o Brasil, ele entrega uma análise direta: “A carência de músicas que valorizam as mulheres e a carência de ouvir um pouco mais de música de amor, de amor de verdade, cantada de verdade”.
O cantor ainda lança um olhar sobre o momento do sertanejo nas paradas. “Eu acho que realmente falta um pouco mais de união geral dos sertanejos. Se a gente se unir e botar para lascar todo mundo junto, a gente acaba com o mundo inteiro.”
O sucesso de Cê tá doido
O projeto reúne Panda, Ícaro e Gilmar e Humberto & Ronaldo e já soma mais de 102 milhões de visualizações no YouTube (Foto: Divulgação)
Apesar da desunião que ele aponta no mercado, Panda celebra a parceria que vem dando certo. O projeto “Cê tá doido” une o cantor com Ícaro e Gilmar e Humberto & Ronaldo em uma proposta que vai além da música – e os números provam: mais de 102 milhões de visualizações no YouTube e ingressos esgotados nas turnês pelo país.
De acordo com Panda, o respeito mútuo é a base do que constroem juntos. Ninguém tenta passar por cima de ninguém – cada um conhece o próprio brilho e cuida para levantar a bola do outro em vez de ofuscar. É essa dinâmica que transforma cada show do projeto em algo que o público sente antes mesmo de identificar o porquê. “Esse projeto tem uma coisa incrível que chama a atenção das pessoas: o nosso amor um pelo outro. Nós somos amigos de verdade. É a nossa energia em cima do palco.”
12 músicas nas paradas
“Eu te seguro” pode ser o nome mais conhecido, mas está longe de ser o único. Nesta semana, o cantor ocupa 12 posições simultâneas no Spotify Top 200 Brasil – domínio que poucos artistas conseguem, independente do gênero.
Entre os destaques estão “Ponto G”, parceria com Felipe Araújo, que estreou diretamente no Top 25 do Spotify, e “Calcinha de renda”, gravada com Gusttavo Lima, um dos maiores nomes do sertanejo nacional. As duas colaborações reforçam o que Panda vem construindo: uma rede de parcerias com artistas de peso que ampliam seu alcance sem diluir sua identidade.
Completam a lista “Bebe, beija e trai” com Mayke & Rodrigo, “Insegurança / Fim de noite” ao lado de Luan Pereira, Humberto & Ronaldo, Ícaro e Gilmar e Mariana Fagundes, “Baqueado” e “Eu duvido” com Guilherme e Benuto, “Corpo nu”, “12 Horas / Pra você acreditar” com Humberto & Ronaldo e Ícaro e Gilmar, e “Um dia te levo comigo / Do Brasil à Argentina”.
Sobre os números, ele não esconde a alegria nem a surpresa. “Esse salto numérico foi incrível. Devo tudo a Deus e aos fãs que cuidam da gente. Por mais que a gente espera acontecer, quando acontece é uma surpresa boa. A gente pretende não parar aí.”
Para Panda, a relação com quem o ouve é uma via de mão dupla. Cada gravação carrega o mesmo cuidado que ele quer que chegue do outro lado. “A mesma alegria que os fãs me recebem, eu recebo eles. Com muita gratidão e com muito amor a Deus e a eles.”
Ligação com JF
A dupla juiz-forana Hugo e Alex gravou com Panda em Uberlândia; cantor topou o convite na hora (Foto: Reprodução)
Entre as parcerias, uma tem sabor especial para o público da Zona da Mata mineira. “Trabalho sujo” uniu Panda com Hugo e Alex, dupla natural de Juiz de Fora que celebrou dez anos de estrada com um audiovisual gravado em Uberlândia e lançado em abril.
A participação de Panda, que integra a segunda parte do trabalho, não foi por acaso. Alex conta que a dupla já era fã do cantor antes do estouro nacional, admirando o jeito de cantar e o repertório intimista que combina com a identidade de resenha que Hugo e Alex cultivam. Quando o convite foi feito, Panda topou na hora – e a tarde de gravação ficou na memória. “Foi fantástico. A gente passou a tarde com ele lá”, lembrou Alex. Para Panda, a lógica é simples: “Quanto mais união na música sertaneja, melhor. Unir forças”.
Os próximos sonhos de Panda
Com um bilhão de streams na carreira, 12 músicas simultâneas no Spotify Top 200 e o topo do Brasil no bolso, Panda poderia olhar para trás e celebrar. Mas não é o que acontece. Para o cantor, o momento atual é ponto de partida, não de chegada.
Quando questionado sobre parcerias que ainda estão por acontecer, ele ri da dificuldade de escolher apenas uma. A lista de sonhos inclui Henrique & Juliano e os que ele chama de medalhões: Rio Negro & Solimões, Daniel, Leonardo, Bruno & Marrone e Edson & Hudson. “Essas parcerias com certeza vão existir logo”, garante.
*Estagiária sob supervisão da editora Cecília Itaborahy
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