Turista argentino suspeito de injúria racial relata agressão dentro de presídio em São João del-Rei

O turista argentino Eduardo Ignacio Murias, 63 anos, preso por suspeita de injúria racial durante uma viagem de Maria Fumaça, em Tiradentes, no fim do mês de maio, teve a prisão em flagrante convertida em prisão preventiva. Dois dias após a prisão, o suspeito relatou ter levado socos por parte de outros presos que compartilhavam a cela no Presídio Regional do Mambengo, em São João del-Rei. Conforme informado pela Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Minas Gerais (Sejusp) à Tribuna de Minas, por razões de segurança e para manter a integridade, ele foi realocado em cela separada dos demais detentos.
O caso aconteceu na tarde do dia 24 de maio, durante um passeio turístico no trem Maria Fumaça, que partia de Tiradentes para São João del-Rei (MG), no Campo das Vertentes. O turista argentino teria sido flagrado por uma passageira ao fotografar uma criança negra sem permissão e enviar as imagens junto a textos discriminatórios por meio de um aplicativo de mensagem.
Ainda no trem, o turista foi detido pela equipe de segurança com a ajuda dos passageiros e permaneceu sob custódia até a chegada da Polícia Militar. O caso foi registrado na 3ª Delegacia Regional da Polícia Civil em São João del-Rei.
Pedido de habeas corpus recusado e agressão em cela
A determinação da conversão de prisão em flagrante para preventiva foi realizada em audiência de custódia na 1ª Vara Criminal da comarca de São João del-Rei/MG, no dia seguinte, 25 de maio, conforme já publicado pela Tribuna.
Segundo o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), cinco dias depois da alteração do regime de prisão, a defesa do suspeito solicitou habeas corpus com urgência, mas o pedido foi recusado. Agora, o processo tramita sob segredo de justiça.
Sobre a agressão sofrida pelo suspeito, no dia 26 de maio, a SEJUSP informou à reportagem que a direção do Presídio de São João del-Rei instaurou um procedimento interno para apurar a ocorrência. O detento também foi removido da cela compartilhada.
Durante as apurações, os presos que dividiam a cela foram ouvidos pelo Conselho Disciplinar da unidade prisional. Eles poderão sofrer sanções administrativas.
A Tribuna segue sem contato com a equipe jurídica que defende Eduardo no processo que tramita no Brasil. O espaço está aberto.
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