Condenação de Ex-Pró-Reitor da UFJF em Caso de Teleférico

Um projeto ambicioso que visava transformar o Jardim Botânico da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) em um destino turístico e educacional acabou se tornando um dos maiores prejuízos registrados pelo Tribunal de Contas da União (TCU) relacionado à instituição. Com um investimento superior a R$ 24 milhões em recursos públicos, a iniciativa para implementar um teleférico e um trenó de montanha não saiu do papel e não entrou em operação.
A proposta, que teve início há cerca de dez anos, previa a instalação de dois atrativos turísticos no jardim da UFJF. Para sua execução, foram celebrados contratos totalizando R$ 24,7 milhões, mas, apesar do investimento expressivo, o projeto nunca foi finalizado. O TCU apontou graves falhas na execução do plano, principalmente por falta de estudos técnicos que comprovassem sua viabilidade.
Responsabilidade de Ex-Gestores
Durante a análise, os ministros do tribunal concluíram que a contratação estava direcionada a um modelo específico de teleférico, fabricado na Suíça, e que o responsável pelo projeto na universidade tinha ligação direta com a representação dessa empresa no Brasil. O TCU qualificou as obras como “imprestáveis”, com as torres adquiridas, mas que nunca foram instaladas.
Além disso, o equipamento principal do teleférico permaneceu preso na Suíça e ficou tecnicamente obsoleto ao longo dos anos. O trenó de montanha, leiloado em 2023 por cerca de R$ 1,6 milhão, não foi suficiente para cobrir os danos, que, segundo o Tribunal, superam R$ 20 milhões, chegando a mais de R$ 39 milhões quando considerada a atualização monetária.
No que diz respeito às responsabilidades, o TCU avaliou dois ex-gestores da UFJF: o ex-reitor Henrique Duque, que foi considerado inocente e teve suas contas aprovadas, e o ex-pró-reitor de Planejamento e Gestão, Alexandre Zanini, que teve suas contas reprovadas por ter participado diretamente dos atos que culminaram nos prejuízos.
A defesa de Zanini anunciou que já apresentou um recurso ao TCU, o qual ainda não foi deliberado. Os advogados alegam que a responsabilização se deu apenas por sua atuação na fase inicial da licitação, destacando que ele não participou das etapas de julgamento, homologação ou fiscalização do processo. Eles sustentam que não houve qualquer ato doloso por parte do ex-pró-reitor que pudesse ter causado dano aos cofres públicos.
Com informações de Folha JF.



