Zona da Mata

Desafios do presidencialismo de coalizão rumo a 2026

O prazo para a homologação dos candidatos nas convenções partidárias termina em 5 de agosto. Contudo, nem todos os partidos conseguirão organizar suas chapas de forma definitiva. Embora a disputa proporcional para deputados estaduais e federais não apresente maiores empecilhos, a situação é mais complexa quando se trata das campanhas para os governos estaduais e para a Presidência da República.

Vários fatores contribuem para a incerteza no cenário político atual, sendo que o consórcio político conhecido como centrão busca se afastar de formas definitivas de apoio já no primeiro turno das eleições. Os partidos que compõem esse bloco não estão incapacitados em relação aos candidatos que se apresentam no momento.

O papel do centrão nas eleições

Com as finanças fortalecidas pelo Fundo Partidário, a necessidade de firmar acordos para garantir recursos está diminuída. O centrão, em um contexto de forte polarização, avalia que a sua sobrevivência política está atrelada à formação de uma bancada expressiva no legislativo, assim como à ocupação de cargos importantes articularies no governo futuro.

A nova gestão que se inicia em 2027, assim como em ciclos anteriores desde a redemocratização, vai depender do suporte desse grupo para conseguir garantir maioria no legislativo. Com isso, a decisão de se envolver com uma candidatura específica pode inviabilizar projetos maiores, como a ambição de compor a maior bancada na Câmara e no Senado.

Ademais, o modelo de presidencialismo de coalizão faz com que a execução do governo necessite de uma base consistente, elevando os custos nas negociações com aliados potenciais. As considerações ideológicas, muitas vezes, são deixadas em segundo plano. Um exemplo claro disso é o presidente nacional do PP, Ciro Nogueira, que já ocupou cargos ministeriais em governos de diferentes espectros políticos, de Lula a Bolsonaro, demonstrando que o foco está na garantia de apoio parlamentar.

Historicamente, presidentes como Fernando Collor e Dilma Rousseff passaram por dificuldades ao não conseguirem consolidar uma base firme no Congresso, resultando em seus impeachments. Na atualidade, candidatos que estão bem posicionados nas pesquisas, como Flávio Bolsonaro, enfrentam desafios para definir suas escolhas de vice, similar à trajetória do candidato do Novo, Romeu Zema. Mesmo o presidente Lula, que sinalizou uma tentativa de inovação em seu projeto de reeleição, decidiu manter Geraldo Alckmin, um ex-governador com uma base sólida, como seu vice, reafirmando a dinâmica do jogo político.


Com informações de Tribuna de Minas.

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