Anderson Pires: um autor moldado pelo terror e pela literatura

Desde cedo, Anderson Pires mostrou interesse pela literatura de terror, um gênero que se tornou parte fundamental de sua vida. Nascido em 1972, em meio à contracultura, o escritor mergulhou nas histórias de horror e a realidade ao seu redor. Sua participação na série especial Cidade de Escritores, em comemoração ao Dia Nacional do Escritor, revelou algumas de suas influências e fontes de inspiração.
Os inícios na escrita e a influência do horror
Aos 16 anos, Anderson começou sua jornada literária, inicialmente desejando criar histórias em quadrinhos. Com a parceria de um amigo desenhista, ele tentava dar vida a seus roteiros. Contudo, o amigo, Anselmo, sempre o lembrava de que aquilo que ele escrevia era, na verdade, literatura. Essa definição foi um divisor de águas na trajetória do autor.
Anderson já lançou diversos livros, incluindo ‘Malditos’, ‘O mal que os habita’ e ‘O edifício Dante’. Ele se recorda de que sua primeira narrativa, publicada em um zine, foi inspirada na história de um coveiro que alegava ter vendido a alma ao diabo, mas ainda vivia na miséria. Essas experiências da adolescência e a leitura de obras impactantes, como o poema ‘O Uivo’, de Allen Ginsberg, formaram seu estilo único e visceral.
Graduado em Letras, Anderson destaca a relação entre ensinar e criar, afirmando que sua paixão pela escrita é uma extensão de sua profissão. Ele sempre se dedicou a essa arte, mesmo diante de críticas, como as que recebeu de seu tio sobre a escolha do curso.
Famoso por seu estilo de ‘autor maldito’, Anderson critica a literatura realista contemporânea e aqueles que esperam resultados em prêmios literários. Para ele, a liberdade criativa está no horror, um gênero que absorve suas angústias e desafios. Natural de Angra dos Reis, ele menciona a dureza da vida sob a perspectiva marginal e como isso moldou sua escrita.
Novos projetos e influências literárias
A inspiração para suas obras vem de fontes variadas, com autores que vão de aí 150 anos a novas vozes do cenário literário. Algumas de suas referências são ‘Carmilla’, de Sheridan Le Fanu, os contos de Edgar Allan Poe e ‘Noites na taverna’, de Álvares de Azevedo. Recentemente, ele começou a trabalhar em um novo livro que irá reunir contos inéditos e concluir a história da personagem Tessalônica, que iniciou em seu segundo romance, ‘O Edifício Dante’. A previsão é que essa nova obra seja lançada em 2026 ou no começo de 2027.
Com informações de Tribuna de Minas.


