Demolições no Três Moinhos ainda sem previsão após tragédia

Seis meses após a tragédia no Bairro Três Moinhos, em Juiz de Fora, apenas obras de contenção de encostas nas ruas Maria Florice dos Santos e João Luzia foram anunciadas. O anúncio ocorreu durante a visita de ministros do Governo Federal ao município, mas não houve um planejamento claro para a área afetada. Em abril, a Prefeitura havia informado que casas em áreas de risco seriam demolidas e que um projeto de reflorestamento seria implementado, no entanto, a administração municipal não apresentou um cronograma para essas intervenções.
Moradores buscam alternativas e enfrentam dificuldades
A evacuação permanente do Três Moinhos se tornou necessária devido às condições geológicas que tornaram a área insegura, segundo a Prefeitura. Enquanto isso, os moradores que deixaram suas casas começaram a procurar novas residências em julho, participando do programa Casa Assistida do Governo Federal. A equipe de reportagem, durante visita ao bairro, registrou ruas desertas e casas em estado de abandono, com muitos imóveis mostrando sinais de deterioração.
Um dos poucos moradores que ainda visitam a área é Sebastião Donato, de 74 anos, que perdeu sua residência construída na década de 1970. A casa, que foi seu lar por cinquenta anos, ainda abriga alguns pertences, mesmo com a interdição. Em busca de uma nova moradia, Sebastião manifesta a dificuldade de encontrar um apartamento dentro do valor oferecido pelo programa de auxílio, que totaliza R$7.300.
Além dele, muitos moradores relataram a dificuldade de aceitar a evacuação. Apesar do abastecimento de água ter sido interrompido e da interdição da região, alguns continuam em busca de soluções que permitam permanecer na localidade, muitos inclusive recorrendo a fontes alternativas de água.
A situação é ainda mais complexa, já que o Três Moinhos foi uma das áreas mais afetadas pelas chuvas e deslizamentos que ocorreram, resultando em várias mortes e a evacuação de cerca de 600 famílias entre todos os bairros afetados. Embora tenha havido esforços para realocar os moradores e interdições preventivas, a falta de comunicação clara sobre os auxílio e opções para realojamento gerou insegurança e descontentamento entre a população.
Com informações de Tribuna de Minas.


