Queijos de Juiz de Fora: tradição e inovação sustentável

A produção de queijo em pequenas propriedades de Juiz de Fora, na Zona da Mata, Minas Gerais, está passando por transformações significativas. A necessidade de manter a viabilidade econômica das atividades tradicionais levou produtores a adotarem novas práticas e a buscarem alternativas para aumentar a renda. A mudança no modo de produzir e comercializar é parte de um esforço maior para revitalizar a economia local após os fortes impactos das chuvas de fevereiro.
Inovações e Sustentabilidade na Produção Queijeira
Nathalie de Souza, responsável pela queijaria familiar que atende pelo nome de Queijos Da Dalt, exemplifica essa transição. Ao conhecer a realidade do sítio adquirido, que não possuía uma atividade produtiva estruturada, a família decidiu investir na criação de gado e, consequentemente, na produção de queijo como uma forma de garantir uma fonte de renda. Após se capacitar e regularizar a produção, ampliaram a linha de produtos que antes se limitava ao queijo Minas frescal e hoje inclui queijos variados, manteiga e iogurtes.
Além da diversificação, a família formou uma cooperativa que fornece alimentos para escolas, através do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) e do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA). O envolvimento com o Arranjo Produtivo Local (APL) do Queijo Minas do Caminho Novo, que também inclui outros produtores da região, tem sido um fator crucial na melhoria da distribuição e na promoção da identidade coletiva dos queijos locais.
Atualmente, o APL conta com 34 produtores que processam entre 9 mil e 12 mil litros de leite diariamente, resultando em uma produção considerável de queijo e outros produtos lácteos. Este arranjo tem proporcionado uma rede colaborativa que permite que pequenos empreendedores acessem melhor forma de negociação e comercialização, aumentando as vendas e o reconhecimento do produto.
Os produtores não só têm se adaptado às novas realidades econômicas como também têm incorporado práticas de sustentabilidade. O reaproveitamento da água utilizada no resfriamento do leite e a utilização do soro do queijo para alimentar os animais são exemplos de como a economia verde tem se inserido no cotidiano desses negócios. A instalação de painéis solares também é uma prática que vem sendo adotada para diminuir custos com energia elétrica e trazer eficiência energética às queijarias.
Essas ações não apenas ajudam a minimizar o impacto ambiental, mas também proporcionam economia nas operações, o que é crucial para os agricultores familiares que lidam com orçamentos apertados. Contudo, a dificuldade para obter financiamentos e realizar investimentos iniciais ainda representa um grande desafio na implementação de tais melhorias.
Com informações de Tribuna de Minas.


