Tribuna de Minas

A educação e o silêncio dos estudantes

Nas salas de aula, cresce a tentativa de transformar o aprendizado em espetáculo. Professores surgem com propostas chamativas, mas o efeito raramente passa da superfície: o que parece novidade não encontra eco nos alunos.
Os estudantes, imersos em um mar de informações rápidas e superficiais, não encontram mais sentido em ouvir discursos bem elaborados que não dialogam com suas dores. Para eles, não basta acumular dados; querem compreender por que esse esforço faria diferença em suas vidas. E, quando não enxergam propósito, naturalmente se distanciam. Não é desinteresse gratuito, mas uma percepção prática: estudar nem sempre se converte em melhoria de vida.
O contraste é evidente. De um lado, jovens que veem a outra geração terminando cursos superiores sem que isso represente ascensão social. De outro, pessoas que, mesmo sem títulos, conseguem garantir sua sobrevivência de forma mais imediata. Essa disparidade mina a confiança na promessa de que a escola é a chave para todas as portas.
E nesse processo, instala-se a frustração: por que se dedicar a algo que parece não transformar?
Enquanto isso, os professores carregam uma responsabilidade desumana. São vistos como heróis, muitos se esgotam, silenciosamente, até decidirem abandonar a profissão. O peso da indisciplina, do julgamento social e da ausência de reconhecimento vai minando qualquer entusiasmo inicial.
A superficialidade das relações também se revela aqui: exige-se qualidade da escola sem que a sociedade se comprometa em participar do processo educativo. Quando as coisas não dão certo, a culpa recai apenas sobre a escola e o professor. A lógica é cruel, porque ignora que a educação, para florescer, depende de envolvimento comunitário, familiar e de oportunidades palpáveis.
O que se vê, então, é um teatro mal ensaiado que não transforma porque está desconectada da vida. Não há como sustentar uma cultura de estudo sem sentido social, sem exemplos concretos, sem perspectivas de futuro. Enquanto não se reconhecer que a educação precisa de caminhos sólidos, coerentes e comprometidos com a realidade, seguiremos presos ao espetáculo vazio. Professores continuarão sendo maestros de uma orquestra que não toca, e alunos, expectadores entediados de uma peça que não acreditam valer o ingresso.
*Robson Ribeiro é mestre em Teologia e professor de Ensino Religioso e de Filosofia, Sociologia e de Projeto de Vida em Juiz de Fora
 
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