Morador de Juiz de Fora doa medula óssea para criança com leucemia na França
Um gesto de solidariedade feito em Juiz de Fora atravessou o oceano e levou esperança a uma criança na França. O atendente de vendas, Wallace Oliveira, de 31 anos, morador do bairro Santa Lúcia, na Zona Norte, foi convocado pelo Registro Brasileiro de Doadores Voluntários de Medula Óssea (REDOME) para fazer uma doação de medula óssea para um menino de 8 anos diagnosticado com leucemia.
Wallace sempre foi doador de sangue e plaquetas. Em uma dessas doações, ele decidiu dar um passo a mais. “Sempre fui doador de sangue e plaquetas. Em uma dessas doações, pedi informações no Hemominas e resolvi fazer o cadastro para doar medula”, conta. O registro foi feito em 2022 e, três anos depois, veio a notícia: havia um paciente compatível com ele — uma criança que vive na França.
“Depois do cadastro, eles só entram em contato caso haja compatibilidade. Em 2025, recebi a ligação informando que poderia fazer a doação. Foi um misto de emoção e surpresa.”
O procedimento foi realizado no Rio de Janeiro, em um centro autorizado pelo Ministério da Saúde. Todo o processo — incluindo hospedagem, transporte e alimentação — é custeado pelo Governo Federal, garantindo que o voluntário e seu acompanhante não tenham despesas. “O hotel e as passagens são organizados pelo próprio programa. Eles também fazem um depósito para cobrir os custos de alimentação e deslocamento, tanto do doador quanto do acompanhante. É tudo muito bem estruturado.”
Depois de algumas horas de procedimento e recuperação, Wallace lembra com emoção o momento em que recebeu a notícia de que tudo havia corrido bem.
“A sensação é de gratidão. Fiquei muito emocionado quando acordei da anestesia e recebi a informação de que havia dado tudo certo e que a medula já tinha sido encaminhada.”
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Uma chance em cem mil
A história de Wallace mostra como um gesto simples pode transformar vidas. Segundo o REDOME, a chance de compatibilidade entre pessoas que não são parentes é, em média, de 1 para cada 100 mil. Mesmo assim, o Brasil tem o terceiro maior banco de medula óssea do mundo, com cerca de 6 milhões de voluntários cadastrados, ficando atrás apenas da Alemanha e dos Estados Unidos.
A coordenadora do REDOME, Danielli Oliveira, destaca que o banco brasileiro faz parte de uma rede internacional de cooperação, com quase cem registros ao redor do mundo e mais de 43 milhões de doadores. “Cerca de 65% dos pacientes no Brasil que encontram um doador compatível o encontram no próprio REDOME. Mas é essencial que as pessoas mantenham seus dados atualizados, porque a compatibilidade pode surgir anos depois do cadastro.”
Como funciona a doação de medula óssea
A medula óssea é um tecido líquido localizado dentro dos ossos e responsável por produzir glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas — componentes vitais do sangue. O transplante é indicado para o tratamento de doenças como leucemia, linfomas e anemias graves.
A doação pode ser feita por punção na região do quadril, sob anestesia, ou por aférese, processo em que as células são coletadas diretamente do sangue. Ambos os métodos são seguros e não deixam sequelas.
Uma lição de solidariedade
Mesmo sem conhecer o menino que vai receber sua medula, Wallace sente-se parte dessa nova chance de vida. “Saber que algo de mim está ajudando alguém a lutar pela vida é indescritível. Eu só agradeço por ter tido essa oportunidade.”
Quem quiser seguir o exemplo de Wallace e se cadastrar como doador pode procurar o Hemominas de Juiz de Fora, na Rua Barão de Cataguases, 386 – Centro. O processo é simples, rápido e pode representar a única esperança de cura para alguém.