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Isenção do IR vai beneficiar professores de educação básica em 2026

A ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil mensais deve provocar um impacto direto na renda de professores da educação básica em todo o país. Um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) aponta que, com a nova regra sancionada pelo governo federal, 52% dos docentes deixarão de pagar IR a partir de 2026.
Segundo a nota técnica, mais de 600 mil professores passarão a ser totalmente isentos. Considerando também aqueles que terão redução no valor do imposto, o percentual de beneficiados sobe para 73,5% da categoria, o equivalente a cerca de 1 milhão de profissionais. Antes da reforma, apenas 19,7% dos professores estavam na faixa de isenção.
O ganho é considerado expressivo principalmente para docentes com salários próximos ao piso nacional do magistério, que em 2025 é de R$ 4.867,77. De acordo com o Ipea, professores que antes pagavam a alíquota máxima de 27,5% e passam a ser isentos terão um ganho médio anual de R$ 5.079,84, valor próximo a um salário extra no ano, o que pesquisadores comparam, na prática, a um “14º salário”.
Diferenças entre redes e estados na isenção do IR
O impacto da medida varia entre a rede pública e a privada. Na rede privada, 82,2% dos professores devem ficar isentos, enquanto na rede pública o percentual é de 42,5%. A diferença reflete a estrutura salarial, com rendimentos médios mais baixos e jornadas parciais mais comuns nas escolas particulares.
Entre os estados mais beneficiados estão Alagoas, Minas Gerais, Paraíba, Tocantins e Roraima, onde 60% ou mais dos docentes entram na faixa de isenção. Já o Distrito Federal aparece no extremo oposto: mesmo após a reforma, 63,4% dos professores continuam sujeitos à alíquota máxima, em razão dos salários mais elevados.
Os autores do estudo destacam que, embora a reforma represente um avanço importante, os dados reforçam a necessidade de valorização estrutural da carreira docente, especialmente na rede privada, onde muitos salários ainda ficam abaixo do piso nacional.

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