Perspectivas 2026: Município encara desafios na Saúde e tenta reduzir filas e sobrecarga

Assim como em anos anteriores, as expectativas para a saúde pública em Juiz de Fora seguem altas e desafiadoras. Entre as principais prioridades da gestão para 2026 estão a garantia de um quadro estável de profissionais nas unidades, com o objetivo de reduzir as filas de espera e melhorar o atendimento à população, seja na Atenção Básica, especializada ou de alta complexidade. Para viabilizar essas ações, a Secretaria de Saúde (SS) permanece, após aprovação da Câmara Municipal de Juiz de Fora, como a pasta com o maior orçamento do Executivo, que soma R$ 1,46 bilhão.
Além disso, desta vez, o Município se depara com uma exigência ainda maior: a construção, a partir de obra abandonada por anos, de um novo hospital de pronto socorro no município, no Bairro Mariano Procópio. A empreitada aguarda orçamento do Estado de Minas Gerais para ser retomada. Ao mesmo tempo, entre numerosas demandas, a gestão também precisa equilibrar as prioridades. Há, por exemplo, a necessidade de trabalhar em melhorias no Hospital de Pronto Socorro Dr. Mozart Teixeira (HPS), localizado na Avenida Barão do Rio Branco, que enfrenta sobrecarga no atendimento e problemas na infraestrutura, conforme noticiou a Tribuna em 2025.
Na avaliação do secretário de Saúde, Jonathan Ferreira Tomaz, embora a atual Administração tenha assumido a gestão municipal em um período considerado crítico, durante o que define como a “fase aguda da pandemia da Covid-19”, o Governo conseguiu responder de forma adequada às demandas impostas naquele momento, sem negligenciar outras áreas da gestão. “A condução tem sido muito exitosa, inclusive sendo reconhecida em nível nacional”. Apesar dos desafios, falhas e da necessidade de avanços, o secretário avalia que Juiz de Fora dispõe de uma rede de saúde “robusta”.
O secretário de saúde Jonathan Ferreira Tomaz considera que a gestão da saúde pública em Juiz de Fora tem sido exitosa, com reconhecimento em nível nacional (Foto: Leonardo Costa)
Segundo o secretário, a pasta municipal elaborou, em parceria com o Conselho Municipal de Saúde, o Plano Municipal de Saúde 2026-2029, que vai orientar as políticas públicas do setor nos próximos quatro anos, com foco na ampliação de serviços, qualificação e proteção dos profissionais e atenção ao perfil epidemiológico da população. Para Jonathan, apesar do desafio de ampliar o engajamento popular, a atual gestão tem incentivado a participação da sociedade por meio de espaços de diálogo, como o gabinete comunitário e os conselhos municipais.
“Nós temos excelentes perspectivas para o ano de 2026. Os investimentos em saúde só crescem. A Prefeitura tem entregado novos equipamentos de saúde e está construindo outros através do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), pelo qual recebeu cerca de dez milhões”. De acordo com Ferreira Tomaz, o aprimoramento das estruturas de saúde busca a capilarização e o fortalecimento da Atenção Primária, para que o atendimento seja oferecido de forma adequada perto do território de cada morador. O município também aderiu ao programa Mais Especialistas, visando reduzir filas para o atendimento especializado.
Da porta de entrada às consultas com especialistas
Principais queixas de usuários da Atenção Básica incluem longas filas de espera e falta de médicos (Foto: Leonardo Costa)
Diante de queixas de usuários relacionadas a longas filas de espera, insuficiência de médicos e falta de insumos nas unidades de Atenção Primária à saúde do município, o secretário afirma que os problemas são pontuais. Segundo ele, a ausência de profissionais em determinadas unidades ocorre, em muitos casos, em razão do tempo necessário para a realização de novos processos seletivos para o preenchimento de vagas. “Os próprios profissionais às vezes encontram no mercado de trabalho uma colocação melhor do que oferecida pela prefeitura e acabam se desligando. Então, a prefeitura, como toda empresa, precisa realizar um novo processo para realocar as pessoas”.
Em reportagem publicada pela Tribuna em agosto, o presidente do Conselho Municipal de Saúde (CMS), Jorge Ramos, destacou que os trabalhadores da rede pública de saúde enfrentam vínculos precários, marcados por contratações temporárias e baixa remuneração, fatores que explicariam a alta rotatividade e a busca por estabilidade na rede privada.
Questionado sobre a possibilidade de realização de um novo concurso público para a área da saúde no município, Jonathan afirmou que a secretaria trabalha com essa hipótese, inclusive em diálogo com a Secretaria de Recursos Humanos. “Contudo, há a Lei de Responsabilidade Fiscal. Então, neste momento, tentamos, a curto prazo, estabelecer um cronograma para fazer um novo concurso público. Mas ainda não temos previsão”, afirma.
Para reduzir os gargalos da Atenção Secundária, responsável por consultas com especialistas, exames, pequenas cirurgias e procedimentos ambulatoriais, uma das estratégias da Secretaria de Saúde (SS) é a adesão ao programa “Agora Tem Especialistas”, do Ministério da Saúde. A iniciativa busca ampliar o atendimento por meio do reforço no quadro de especialistas, com o objetivo de garantir maior acesso da população aos serviços. Segundo o secretário, o atendimento especializado não se restringe aos usuários de Juiz de Fora, mas também atende moradores de municípios da região, o que amplia os desafios.
Atualmente, a fila de espera por cirurgias eletivas no município é estimada entre seis e sete mil usuários. “Esse número é dinâmico, pois, todo dia, temos novos desafios. Se fizermos dez cirurgias em um dia, no outro teremos mais dez pessoas aguardando. Hoje, por exemplo, nós temos aqui alguns procedimentos voltados à cirurgia oncológica e a algumas partes dos olhos zeradas. Nós zeramos a fila de catarata aqui em Juiz de Fora.”
Para reduzir os gargalos da Atenção Secundária, Saúde aposta na chegada do programa Agora Tem Especialistas do Ministério da Saúde (Foto: Felipe Couri)
Desafios na Atenção Básica
O chefe da pasta também ressaltou que o município conta com 63 Unidades Básicas de Saúde (UBS), uma delas em formato móvel. Segundo a pasta, 229 equipes de saúde cobrem o atendimento a mais de 90% do território de Juiz de Fora, que conta com um total de 105 aparelhos de saúde. Ao comentar as queixas sobre falta de insumos, o secretário explicou que os supervisores de cada unidade são responsáveis pelas solicitações, com posterior distribuição a partir do estoque central. “Pode haver falta de materiais, sim, mas pontual, por falta de pedido de reposição.”
Também foi apontado como um dos entraves à agilidade dos atendimentos o não comparecimento a consultas e procedimentos previamente agendados, além da desatualização dos dados de contato dos usuários. Segundo o secretário, a pasta tem adotado estratégias para ampliar o acesso às pessoas, por meio do gabinete comunitário e de outros canais de comunicação, como telefone e WhatsApp. “Com isso, conseguimos uma redução significativa das faltas, passando esse risco de quase 50% para 14%.”
No cotidiano da gestão, entre os diversos desafios da saúde pública, o secretário destaca a falta de compreensão, por parte da população, sobre quais tipos de atendimento e procedimentos são oferecidos em cada unidade. “Vemos nas redes sociais reclamações sobre filas de espera no pronto atendimento. Nesse caso, adotamos um protocolo que prioriza o risco de vida. Já outros procedimentos, considerados eletivos, precisam aguardar. Por isso, orientamos que as pessoas busquem a Atenção Primária no seu território, e não o serviço de urgência, para casos mais leves, como sinusite, febre ou dor de barriga.” Diante da recorrência desse problema, o secretário afirma que a equipe estuda propostas educativas para orientar os usuários.
A terceira ponta da saúde: atendimentos hospitalares
Na rede de urgência e emergência, as principais reclamações de usuários apontam para a insuficiência de leitos em hospitais. Inclusive, em julho, a Tribuna noticiou que Juiz de Fora liderava o ranking com maior número de pedidos de liminares judiciais relacionadas à internação, transferência hospitalar e leitos de UCI e UTI no período de janeiro de 2020 até junho de 2025 em Minas Gerais.
Para o secretário de Saúde, trata-se de um problema estabelecido em nível nacional, e a judicialização é compreendida como uma “quebra” do fluxo regular de regulação dos leitos disponíveis.
O chefe da pasta afirma que o município conta atualmente com 1.625 leitos hospitalares, com possibilidade de abertura de outros 250, caso haja demanda. Segundo ele, as solicitações mais recorrentes por leitos de emergência estão relacionadas a atendimentos de traumas ortopédicos. “O sistema de regulação é robusto, e não há falta de leito. Há uma sobrecarga de trabalho. Para se ter uma ideia, nós temos, em média, 250 leitos a mais do que seria necessário para atender a população de Juiz de Fora. Contudo, nós somos polo para outros municípios”, afirma Jonathan.
Segundo a Secretaria de Saúde, o processo de transferência hospitalar de paciente é dinâmico. “Atualmente, há uma média histórica de cerca de 150 pessoas no aguardo de transferências por dia. O tempo de espera é influenciado pela complexidade dos casos, pela condição ou não de estabilidade clínica e, sobretudo, pela disponibilidade de leitos prontos na rede conveniada.”
Em 2026 o Município se depara com o desafio da construção de um novo hospital de pronto-socorro em Juiz de Fora (Foto: Leonardo Costa)
Hospital Regional e HPS
Entre os desafios relacionados à reconstrução do Hospital Regional e à qualificação dos atendimentos no Hospital de Pronto Socorro (HPS), a Prefeitura de Juiz de Fora (PJF) afirma atuar para equilibrar as demandas. Em nota, o Executivo informou que tem cumprido integralmente sua parte no processo de pactuação para a transferência da unidade, atendendo às solicitações dos demais entes envolvidos, incluindo ações de limpeza, capina e controle de vetores, como o Aedes aegypti. Segundo a PJF, após a conclusão da pactuação será possível contratar o projeto e definir a previsão para o início das obras ou do funcionamento da nova unidade.
Paralelamente, a Prefeitura destaca investimentos no fortalecimento do Hospital de Pronto Socorro Dr. Mozart Teixeira, referência em urgência e emergência para Juiz de Fora e região. De acordo com o órgão, a unidade passa por um processo de modernização e ampliação, com a aquisição de mais de 170 equipamentos, além de reformas estruturais em áreas internas, com foco em segurança, conforto e melhoria das condições de atendimento para pacientes, profissionais e visitantes.
PJF afirma investir na modernização e na ampliação do Hospital de Pronto Socorro Dr. Mozart Teixeira (HPS), unidade referência em atendimentos de urgência e emergência para o município e região (Foto: Leonardo Costa)
Atenção psicossocial
O secretário de Saúde avalia que Juiz de Fora dispõe de uma rede de Atenção Psicossocial estruturada, resultado de mudanças recentes nas políticas públicas voltadas à saúde mental. Segundo ele, o município tem investido na qualificação dos servidores e na reorganização da gestão do Departamento de Saúde Mental, além de ampliar o número de leitos, incluindo vagas destinadas ao público infantojuvenil.
O gestor destaca ainda que o cuidado em saúde mental não deve se concentrar exclusivamente nos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), mas envolver toda a rede de atendimento, em consonância com a lógica antimanicomial adotada pelo município.
Nesse contexto, o Centro de Convivência Recriar (CCR), integrante da rede pública de saúde, atua como espaço de acolhimento e socialização para pessoas com transtornos mentais, promovendo a troca de experiências e a participação em oficinas artísticas. Além disso, o titular da pasta cita que os usuários são acompanhados por equipes multiprofissionais, com apoio de psicólogos e outros profissionais da área.
Conforme explica o secretário, o acesso aos atendimentos ocorre, em geral, por meio dos CAPS, responsáveis pela avaliação inicial e pelo encaminhamento dos pacientes para acompanhamento na própria unidade ou em outros serviços da rede, conforme a necessidade de cada caso.
Combate a arboviroses
O secretário de Saúde afirma que a gestão tem ampliado os investimentos no combate às arboviroses em Juiz de Fora. Segundo ele, o município enfrentou recentemente uma epidemia de dengue, com mais de 35 mil casos e mais de 50 óbitos, cenário que também se repetiu em outros países da América Latina e em diversas regiões do Brasil, que registrou um dos maiores números da doença em sua história.
De acordo com o gestor, diferentemente da epidemia registrada em 2016, as ações adotadas permitiram que Juiz de Fora figurasse entre as dez maiores cidades de Minas Gerais com menor número de casos. Entre as medidas destacadas estão a realização de concurso público para a efetivação de novos agentes de combate às endemias, a atuação intersetorial por meio do programa Boniteza – que envolve diferentes secretarias municipais – e o investimento em novas tecnologias, como o uso de drones e ovitrampas. Diante dessas iniciativas, a Secretaria de Saúde demonstra otimismo quanto ao fortalecimento das ações de prevenção e controle da transmissão dessas doenças no município.
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