Adoecimento mental cresce entre atendentes de emergência em MG
O adoecimento mental entre atendentes do call center da Secretaria de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), responsáveis pelos números 190, 193 e 197, tem causado forte preocupação em Minas Gerais.
Em audiência pública realizada na última quinta-feira (4) na Assembleia Legislativa, trabalhadores relataram exaustão, pressão psicológica, assédio moral e más condições de trabalho. A MGS, empresa responsável pela contratação, nega irregularidades, mas reconhece que a saúde mental é um problema crescente no país.
Excesso de trabalho está entre a causa de adoecimento mental entre atendentes
Segundo o Sindicato dos Trabalhadores em Telecomunicações (Sinttel), o cenário é crítico: excesso de trabalho, cobrança por atendimentos cada vez mais rápidos e falta de treinamento após a unificação das centrais de PM, Corpo de Bombeiros e Polícia Civil têm levado atendentes a adoecer. A escala 4×1, que impede folgas regulares aos fins de semana, também é apontada como fator de desgaste emocional.
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Representantes dos trabalhadores afirmam que a ampliação do atendimento — de cerca de 60 para 103 cidades — aumentou a pressão e, em alguns turnos, militares teriam sido posicionados nos corredores para acelerar o ritmo das ligações. Há relatos de atendentes que chegam ao trabalho com fila de 6 mil chamadas e saem com mais de 15 mil ainda pendentes. Funcionários também denunciam advertências indevidas, falhas no sistema e falta de estrutura adequada, incluindo ausência de ambulatório no local.
Por outro lado, representantes da Sejusp e da MGS apresentaram dados alegando que o volume de ligações se manteve estável nos últimos anos e que os atendentes dispõem de intervalos regulares, mobiliário adequado e equipe multidisciplinar com psiquiatra, psicólogos, assistente social e ergonomista. A empresa também afirmou que não tolera assédio e mantém canais abertos para negociação.
Mesmo assim, o ambiente foi classificado como “contaminado” pelo delegado regional do Trabalho, Carlos Calazans, que sugeriu a criação de uma mesa de diálogo permanente entre governo, MGS, trabalhadores e Ministério do Trabalho. A proposta foi acolhida pelo deputado Betão (PT), que solicitou o debate.
Enquanto as negociações não avançam, permanece a preocupação com a saúde psicológica de centenas de profissionais que atuam na linha de frente das emergências de Minas Gerais, responsáveis por um serviço essencial à população, mas que, segundo relatos, estão adoecendo sem o suporte necessário.