Tribuna de Minas

Avançamos ou continuamos só na fala?

Falar é fácil. Difícil é transformar o que se fala em políticas e ações concretas. Os discursos são conhecidos: cidades amigáveis, envelhecimento ativo, inclusão social, longevidade. A realidade mostra outra face – a nossa cultura da indiferença política, da indiferença pública que mantém a maioria das pessoas idosas à margem da cidade. Com algumas calçadas provocando quedas e levando à óbito muitos idosos; ruas, algumas, mal iluminadas. Nem todas as unidades de saúde atendem, na íntegra, as necessidades básicas de quem vive o seu envelhecimento.
No meio dessas realidades e outras não apresentadas aqui, as falas oficiais anunciam programas sociais que raramente chegam ao dia a dia da vida das pessoas idosas, com endereço certo. São conversas que o vento leva. Conferências, conselhos, reuniões públicas, comissões, audiências existem e, de fato, considero, como sendo de muita importância para o fortalecimento da democracia.
Mas quantas dessas deliberações atingem as melhorias das condições de vida dos idosos? Na maioria dos casos, com raríssimas exceções, são espaços protocolares, dominadores, de participação social, embora, insisto, são importantíssimos. Sendo assim, na maioria das vezes, a pessoa idosa cansa, decepciona-se, desiste de participar: de reivindicar, de ocupar esses espaços públicos. Precisamos mudar o jeito de fazer política com a população. Avançar. Avançar de verdade exige muito mais do que discursos bem elaborados.
Exige ação. Exige planejamento. E exige compromisso. Significa ouvir, de fato, as pessoas idosas e direcionar a cidade ou parte dela às suas necessidades. Significa em última instância, entender que o envelhecimento não é um problema a ser gerido, mas, um direito a ser garantido. Enquanto o cotidiano das pessoas idosas (de muitas delas) não sofrer mudanças com políticas públicas eficazes e consequentes na produção de melhores condições de vida, continuaremos a ouvir as mesmas narrativas para continuar como está: com calçadas criminosas, serviços básicos insuficientes.
Com total invisibilidade das pessoas idosas no cenário da cidade. Até quando? Fazer o nosso futuro agora não é um gesto meramente simbólico, peça de marketing: é uma responsabilidade política, social e ética de toda a coletividade. Se a cidade deseja envelhecer com dignidade, está na hora de decidir: avançar, de verdade, ou continuar apenas falando? Não dá mais. O tempo da palavra acabou. O que faz diferença na nossa vida é a ação. Ainda dá tempo.
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