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Bom Pastor já teve um lago, que foi aterrado após críticas e pressão urbanística

Quem passa hoje pela Praça do Bom Pastor dificilmente imagina que ali já existiu um lago natural, elemento central na formação do bairro — e também o motivo de uma das maiores intervenções urbanísticas da Juiz de Fora do século XX.
O que hoje conhecemos como bairro Bom Pastor começou a se estruturar no final da década de 1940. Antes do início das construções, a área era chamada de Lamaçal. Com o processo de urbanização, recebeu o novo nome e passou a se desenvolver ao redor de um lago, que se tornou referência paisagística local.
Com o passar dos anos, o Bom Pastor consolidou-se como área nobre da cidade, marcado por:
Arquitetura modernista das residências
Ruas asfaltadas e iluminadas
Igreja de destaque arquitetônico
Clube social moderno
Sede da tradicional Festa das Nações
A própria Revista O Lince, em edição de dezembro de 1968, descrevia o bairro como símbolo de modernidade urbana em Juiz de Fora, cuja fama já ultrapassava os limites do município.
“O Bom Pastor, bairro que surgiu há 20 anos na zona sul da cidade, ao lado da Avenida Rio Branco, vem, graças ao elevado padrão de suas residências, contribuindo para que os níveis de edificações domésticas de Juiz de Fora melhorem dia a dia, atualizando-se em todos os demais bairros da cidade, a beleza arquitetônica das casas que vão sendo construídas, baseando-se praticamente na experiência técnica de construção implantada no Bom Pastor”, escreveu o jornalista Miguel Gomide, em reportagem da edição de dezembro de O Lince.
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O lago do Bom Pastor: de paisagem a problema urbano
Apesar da importância paisagística, o lago passou a ser visto como um entrave sanitário e urbanístico. Segundo a reportagem da Revista O Lince, o local era considerado:
Área de brejo
Água parada
Criadouro de insetos e animais
Foco potencial de insalubridade
Na visão da época, o lago contrastava com a imagem moderna e nobre que o bairro havia adquirido.
Comissão criada por Itamar Franco
Em 1968, o então prefeito Itamar Franco criou uma comissão especial para estudar soluções para o caso do lago do Bom Pastor.
A revista registra que a medida gerou entusiasmo nos setores de construção civil e urbanismo, que viam ali uma grande oportunidade de remodelação urbana.
“Atualmente, a grande esperança é o jovem Prefeito Itamar Franco, que através de sua dinâmica administração e boa vontade no trato da coisa pública, tornou-se um exemplo e um estímulo a todos aqueles que labutam nesse ou naquele ofício, em prol do crescimento desta cidade. Por isso, verifica-se em Juiz de Fora, uma explosão de entusiasmo em todos os setores, principalmente no de construções e urbanismo”, escreveu O Lince
A obra que mudou o bairro
Três anos depois, já na gestão do prefeito Agostinho Pestana, teve início a obra de aterramento do lago, concluída em 1972. O espaço resultante deu origem à praça que hoje ocupa o local.
Inicialmente, ela recebeu o nome de Praça Presidente Médici, em referência ao então presidente da República durante o período da ditadura militar. Em 1995, o nome foi alterado para Praça Poeta Daltemar Lima, denominação oficial atual.

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