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Brasil registra queda nos casos de dengue em janeiro, mas especialistas mantêm alerta para 2026

O número de casos de dengue registrados no Brasil em janeiro de 2026 apresentou redução em comparação aos anos anteriores, segundo dados do Painel de Monitoramento de Arboviroses do Ministério da Saúde. Apesar da desaceleração, especialistas alertam que o risco de quadros graves permanece, principalmente em casos de reinfecção.
De acordo com o levantamento, foram contabilizados mais de 44 mil casos no primeiro mês deste ano. No mesmo período de 2024, o país havia registrado mais de 300 mil ocorrências prováveis. Em janeiro de 2025, foram quase 100 mil casos.
Apesar da desaceleração, o cenário ainda exige atenção. O verão, com calor intenso e chuvas frequentes, mantém condições favoráveis à proliferação do mosquito Aedes aegypti, transmissor da doença.
Ciclos epidêmicos e impacto da vacinação
Segundo a infectologista Silvana Barros, mestre em microbiologia e chefe do Serviço de Epidemiologia e Controle de Infecção Hospitalar da Rede Mater Dei de Saúde, a variação nos números está relacionada a múltiplos fatores.
Ela explica que a dengue apresenta ciclos epidêmicos, com anos de maior circulação seguidos por períodos de menor incidência. Além disso, a alta infecção nos anos anteriores pode ter gerado imunidade em parte da população em relação aos sorotipos predominantes.
Outro fator apontado é o avanço da vacinação. De acordo com a especialista, a imunização contribui para reduzir o número de pessoas suscetíveis ao vírus, o que impacta diretamente na cadeia de transmissão.
Reinfecção aumenta risco de dengue grave
Apesar do cenário de redução, os médicos destacam que a reinfecção pode elevar o risco de formas mais graves da doença. A dengue possui quatro sorotipos diferentes, e a proteção adquirida após a doença é permanente apenas para o tipo contraído. Quando ocorre uma segunda infecção por outro sorotipo, a resposta imunológica pode ser mais intensa, aumentando as chances de complicações.
Entre os sintomas mais comuns estão febre alta, dor no corpo e nas articulações, dor atrás dos olhos, dor de cabeça e manchas na pele. A orientação é procurar atendimento médico ao surgirem os primeiros sinais.
Vacinação e prevenção continuam sendo recomendadas
O Ministério da Saúde iniciou neste ano uma ação piloto com a vacina Butantan-DV, de dose única, em três municípios brasileiros, incluindo Nova Lima (MG). Segundo dados divulgados por especialistas, o imunizante apresentou 89% de proteção contra formas graves nos estudos clínicos.
A vacina Qdenga, disponível anteriormente, teve adesão inferior a 40% do público elegível, de acordo com médicos ouvidos na apuração.
Mesmo com o avanço da vacinação, autoridades de saúde reforçam que a eliminação de focos de água parada, a vedação de reservatórios e o uso de repelentes permanecem como medidas essenciais para reduzir a transmissão da dengue.
Leia também: https://folhajf.com.br/inadimplencia-de-aluguel-cresce-em-minas-gerais/
Maria Angélica é estagiária sob supervisão do editor-executivo do Folha JF, Matheus Brum.

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