Caminhada JF Negra celebra o samba e a história de Juiz de Fora

Ainda no embalo do Dia do Samba, celebrado nesta terça-feira (2), a Caminhada JF Negra promove, neste domingo (7), a edição Samba Juiz de Fora, que toma as ruas do Centro para celebrar o gênero e homenagear artistas da cidade.
A caminhada começa às 10h, com ponto de encontro no Largo do Riachuelo, em frente à estátua de Zé Kodak. De lá, o cortejo segue até o Mercado Municipal, com chegada prevista para meio-dia. É nesse clima, no coração do mercado, que, às 12h30, acontece o show de lançamento do álbum “Coração sambista: Batuques e Ancestralidade”, da cantora e compositora Vera Lopes Aquino.
Criada em 2022, a Caminhada JF Negra tem como objetivo rememorar momentos da história negra em Juiz de Fora, revisitando fatos, personagens e contextos sociais. Nesta edição, o percurso destaca passagens que ajudam a contar a história do samba e do carnaval na cidade, reafirmando essa manifestação cultural brasileira como parte viva da memória juiz-forana.
No verbete dedicado ao gênero, o Dicionário da História Social do Samba lembra que, “no Brasil colonial e imperial, as várias danças de origem africana, nas quais a umbigada era a principal característica, foram referidas como ‘batuque’ ou ‘samba’”. Filha desses corpos que se encontravam em roda, dessa batida que atravessou o Atlântico com a população negra escravizada, a palavra passa a nomear também um modo de existir em comunidade. É essa memória de diáspora e resistência que hoje reaparece nas ruas de Juiz de Fora, na Caminhada JF Negra e nas canções de Vera Lopes Aquino, quando o samba volta a ser passo, voz e celebração da negritude.
‘Vem ka samba’
Cantora celebra o lançamento do álbum, já disponível em todas as plataformas digitais (Foto: Divulgação)
Lançando seu primeiro álbum, a cantora e compositora juiz-forana Vera Lopes Aquino aproveita o momento para celebrar o cenário do samba na cidade. Entre um batuque e outro, ela faz questão de lembrar quem veio antes: cita Mamão, Sil Andrade e o conterrâneo Geraldo Pereira como referências que inspiram e sustentam o caminho que trilha no gênero.
Intitulado “Coração sambista: Batuques e Ancestralidade”, o disco chega ao público com sete faixas que costuram sua trajetória afetiva e musical, passeando pelo samba, pelo xote e por outros ritmos brasileiros. “É o resultado da minha trajetória como compositora e cantora, intérprete das minhas canções, nas quais incluo o samba, o xote, dentre outros”, afirma. O trabalho é resultado de projeto contemplado pelo edital da Lei Paulo Gustavo/Funalfa/PJF.
Vera conta que o processo de composição nasce de um gesto quase instintivo, mas atento ao mundo ao redor. “O processo de composição ocorre de modo muito intuitivo, da observação do cotidiano da nossa sociedade. Através das minhas letras, falo da minha ancestralidade de mulher preta, de negritude, como na letra de ‘Beleza da Raça’”, diz, antes de entoar um trecho: “Vejam só cabelos crespos não sucumbem/ ao vento a balançar/ Faz a beleza da Raça/ Origem dos ancestrais!…”.
Esse olhar para a ancestralidade tem raízes na infância. De Luiz Gonzaga à MPB, Vera lembra que crescer no Bairro Ipiranga, na Zona Sul de Juiz de Fora, foi viver em uma casa sempre cheia de música. “Meu irmão tocava violão, gaita; minha mãe cantarolava Luiz Gonzaga; outro irmão era apaixonado por MPB. Sempre quis cantar, comecei a compor e hoje sou intérprete das minhas canções”, conta.
A relação com o samba, ela diz, se materializa em “Vem ka samba”, faixa presente no álbum. Na música, Vera escreve: “Vem Ka Samba/ Eu e você/ Uma perfeita parceria/ Sempre ao alvorecer/ Você me completa/ Como recompensa/ Te devolvo em versos/ Samba, mais samba/ Só Samba!…”. Segundo a cantora, esses versos nascem de uma paixão antiga, ganham melodia e traduzem, em ritmo e poesia, a ligação que mantém com o gênero.
Para a cantora, participar do evento como parceira da Da Matta Cultural é motivo de honra e alegria. Ela considera a Caminhada de altíssima importância para a cultura de Juiz de Fora, por valorizar a cultura negra na cidade e revisitar, em plena rua, a história dessa ancestralidade até os dias atuais.
*Estagiária sob supervisão da editora Cecília Itaborahy
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