MRS entra na Justiça contra moradores do Poço Rico que protestam contra passagem de nível
A MRS Logística entrou na Justiça contra moradores do bairro Poço Rico, em Juiz de Fora, após uma série de protestos realizados sobre a linha férrea que corta a região. A empresa alegou risco à segurança dos manifestantes e prejuízos operacionais causados pela interrupção do tráfego ferroviário.
A Justiça acatou o pedido e concedeu liminar proibindo manifestações sobre os trilhos em toda a extensão da malha ferroviária que passa por Juiz de Fora. A decisão foi assinada pelo juiz Mauro Francisco Pittelli, que determinou multa de R$ 10 mil em caso de descumprimento e autorizou o uso de força policial, se necessário.
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Uma publicação compartilhada por Matheus Brum | Jornalismo Independente em Juiz de Fora (@matheusbrumjornalista)
Entenda o caso
No fim de outubro, moradores e comerciantes do Poço Rico realizaram um protesto contra o fechamento da passagem de nível da Rua Pinto de Moura, que era utilizada para o tráfego de veículos entre as duas partes do bairro.
De acordo com os manifestantes, o fechamento reduziu o fluxo de pessoas e clientes, provocando queda nas vendas e até fechamento de comércios locais. Durante o ato, parte dos participantes ocupou a linha férrea, o que levou a MRS a solicitar a saída dos manifestantes por questões de segurança.
Como o pedido não foi atendido, a empresa acionou a Polícia Militar, que registrou um boletim de ocorrência. Com novas manifestações sendo convocadas, a concessionária decidiu entrar na Justiça pedindo a liminar para impedir o uso da linha férrea em futuros atos.
Juiz decide a favor da MRS e proíbe manifestações sobre a línha férrea
A decisão da Justiça proíbe qualquer manifestação nas faixas de domínio ferroviário em Juiz de Fora, não apenas em Poço Rico. O juiz determinou que a Polícia Militar seja oficiada para garantir o cumprimento da ordem, inclusive com o uso da força, se necessário.
Além disso, um dos moradores citados no processo foi apontado como organizador do protesto e poderá ser responsabilizado pelo pagamento da multa de R$ 10 mil caso haja descumprimento da liminar.
Uma audiência de conciliação entre as partes foi marcada para o dia 23 de fevereiro de 2026, no Fórum de Juiz de Fora.
Mesmo com a decisão judicial, o Folha JF apurou que os moradores e comerciantes do bairro planejam novas manifestações, respeitando os limites da liminar.