Tribuna de Minas

‘Defendi a instituição’: Walker Campos relembra história no Tupi, com título e acessos

O preparador de goleiros Walker Campos, ídolo do Tupi, foi o convidado da última quarta-feira (8), do programa Dá Jogo, transmitido ao vivo no YouTube da Tribuna de Minas. Campeão da Taça Minas em 2008, da Série D do Campeonato Brasileiro e presente em inúmeros acessos, o profissional relembrou momentos no Galo Carijó, contou sobre seu atual trabalho, no PSG Academy Juiz de Fora, e ainda opinou sobre os goleiros da Seleção Brasileira. Confira a entrevista abaixo.
Walker Campos foi preparador de goleiros do Tupi por mais de 18 anos (Foto: Leonardo Costa/Arquivo TM)
Tribuna de Minas: Walker, queria começar falando da sua história. Como foi sua relação com o futebol desde cedo e o caminho até chegar ao Tupi?
Walker Campos: É uma história longa. Meu pai era da polícia, do segundo batalhão, e eu estudava no Colégio Tiradentes. Desde pequeno ele me levava para ver os jogos do Tupi. Era torcedor fanático, meus irmãos também, então isso foi passando de geração. Eu ia ao batalhão, ficava vendo os treinos lá de cima, assistia aos jogos e fui crescendo com aquilo. Comecei na arquibancada, depois fui para projetos sociais no Bairro Industrial, treinando goleiros. Um trabalho simples, mas muito importante. Depois passei pelo Uberabinha, ajudando as crianças, até que surgiu o convite do Tupi, com o Leonardo Condella, na base. Entrei em 1999, no ano em que meu filho nasceu. Na base tivemos conquistas, como um título do “Criança Esperança”, transmitido pela Globo, ganhando do Santos. Depois fui para o profissional em 2006, com o Geraldo Magela e o Zé Luiz Peixoto, que é um ídolo para mim. A partir dali foram muitos anos: acessos, títulos, participações em Mineiros, Copa do Brasil… Fiquei até dezembro de 2017. Foi uma vida dentro do clube.
Tribuna: E dentro dessa trajetória no Tupi, quais momentos você considera mais marcantes?
Walker: É fácil falar de títulos, mas eu destaco o começo, em 2006. Era um momento muito difícil financeiramente. Mesmo assim, conseguimos unir o grupo, trazer o torcedor de volta, criar identificação. Depois vieram os resultados: acessos da Série D para a C, da C para a B, título brasileiro contra o Santa Cruz, campanhas históricas na Copa do Brasil. Mas tudo começou ali, na dificuldade. Aquilo marcou muito.
Tribuna: Você saiu da arquibancada e virou um nome reconhecido dentro do clube. Como era essa relação com o torcedor?
Walker: Sempre foi de muito carinho. Acho que por eu ter vindo da arquibancada, o torcedor se identificava. Eu sempre defendi a instituição acima de tudo. As pessoas passam, o clube fica.
Tribuna: Você teve oportunidades de sair do Tupi, mas acabou ficando. Por quê?
Walker: Tive propostas, inclusive de fora, com salário bom, mas não quis sair. Meu filho era pequeno, eu criei raiz aqui. Passamos por momentos difíceis, ficamos meses sem receber, mas mesmo assim conseguimos acessos. Teve uma reunião marcante com o grupo, em que decidimos subir mesmo sem salário. Isso mostra o comprometimento. Não me arrependo de ter ficado.
Tribuna: Depois de tantos anos no Tupi, como está sua carreira hoje?
Walker: Hoje trabalho no PSG Academy Juiz de Fora, com crianças. Estou lá há três anos. É um trabalho mais pedagógico, como professor de Educação Física. A ideia é ensinar fundamentos, mas de forma leve, para a criança aprender e gostar do esporte. É diferente do alto rendimento, não tem aquela cobrança. Estou muito feliz, tem sido muito bom para mim.
Tribuna: Você sempre foi um treinador à frente do tempo, principalmente no uso dos pés pelos goleiros. Como vê essa evolução?
Walker: Hoje é uma exigência do futebol. No PSG, por exemplo, isso já é metodologia. Mas eu já trabalhava isso há muitos anos. O goleiro precisa participar da construção, mas sem esquecer o principal: defender. Sempre preparei meus goleiros para diferentes estilos, porque cada treinador pede uma coisa. Tem que estar pronto.
Tribuna: Como você vê o cenário atual do futebol em Juiz de Fora?
Walker: É lamentável. O Tupi faz muita falta. É uma cidade grande, com estádio, tradição, e hoje não tem um clube na elite do Mineiro. Falta profissionalização. O futebol precisa ser gerido por profissionais, com transparência, planejamento. O exemplo do Athletic mostra isso. Sem organização, não tem como crescer.
Tribuna: Para fechar, sobre goleiros: quem você levaria hoje para uma Copa do Mundo?
Walker: Alisson e Ederson são nomes certos. Eu levaria o Fábio também. Sou fã dele. Experiente, decisivo, pega pênalti. O Brasil está bem servido. O Alisson, por exemplo, faz o difícil parecer simples. Isso é de goleiro de alto nível.
LEIA TAMBÉM notícias de Esportes aqui.
 
O post ‘Defendi a instituição’: Walker Campos relembra história no Tupi, com título e acessos apareceu primeiro em Tribuna de Minas.

Artigos relacionados

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Botão Voltar ao topo