Clube do Livro Silencioso completa 10 anos: um movimento libertário pela leitura livre

Você já imaginou participar de um clube de leitura onde ninguém precisa falar, convencer ou analisar nada? Só você, seu livro e o som suave das páginas virando! E até pode ter a boa companhia de outras pessoas com o mesmo objetivo com local e data prevista, apenas para curtir apenas a melhor leitura do momento. Essa é a essência do Silent Book Club, o chamado clube de leitura silenciosa ou clube de leitura para introvertidos, que completa 10 anos em 2025 e prova que o silêncio pode, sim, unir o mundo.
Nascido de um gesto simples – ler juntos, mas em silêncio -, o movimento cresceu sem perder o que o torna único: a liberdade total de participar à sua maneira. Sem regras, sem cobranças, sem “tema do mês”. Apenas o prazer de ler, lado a lado, sem precisar dizer uma só palavra. Eu amei a ideia, pois realmente abomino “dinâmicas de grupo” ou condução forçada de discussões e até a “ditadura da era digital” de ter que ter opinião sobre tudo.
Só lamentei não ter conhecido antes, pois a ideia me empolgou e só encontrei a iniciativa em poucas cidades no Brasil, nenhuma perto de mim (por enquanto).
Uma ideia simples que se tornou global
Tudo começou em São Francisco, em 2012, quando duas amigas, Laura Gluhanich e Guinevere de la Mare, transformaram o que seria um encontro casual em algo totalmente novo. Elas se encontravam em um bar de vinhos, cada uma com seu próprio livro. E perceberam: aquele silêncio compartilhado tinha algo mágico.
Sem perceber, criaram um espaço libertário – um refúgio para quem ama ler sem pressão. Nenhum capítulo obrigatório, nenhuma análise profunda. Apenas o prazer de estar presente, com um livro nas mãos.
A ideia se espalhou de forma orgânica, como boas histórias costumam fazer. Amigas chamaram amigos, novos grupos surgiram em outras cidades, e logo nasceu o nome que rodaria o mundo: Silent Book Club.
Ler em silêncio, juntos – e isso muda tudo
Enquanto o mundo parece cada vez mais barulhento, o Silent Book Club oferece o oposto: um espaço de quietude compartilhada. Um convite para estar com outras pessoas sem precisar falar, sem precisar “performar”.
Essa proposta redefine o que é comunidade. Aqui, ninguém precisa provar nada, e todo tipo de leitura é bem-vinda: romances, HQs, poesia, autoajuda ou biografias. Não existe certo ou errado – existe escolha, autonomia e respeito pelo ritmo de cada leitor.
E há um efeito bonito nisso: o ato de simplesmente reservar um tempo para ler – com hora marcada – faz com que muita gente volte a cultivar o hábito. Ler se torna um ritual, não uma tarefa. É um compromisso com o prazer, não com a obrigação.
De um café em São Francisco para 61 países
O que começou entre duas amigas agora é um movimento global com mais de 2.000 capítulos espalhados por 61 países – do Japão ao Brasil, de Lisboa à Cidade do Cabo. Um verdadeiro mapa do silêncio literário.
Durante a pandemia, o clube se reinventou: nasceram os encontros virtuais, conectando leitores do mundo inteiro através de uma tela e de um gesto simples — abrir o livro na mesma hora.
E agora, em 2025, o Silent Book Club celebra sua primeira década com eventos presenciais e virtuais em todos os continentes. Uma festa tranquila (claro!) para comemorar dez anos de algo que nunca precisou gritar para ser ouvido.
Principais marcos dessa jornada:
2012: o primeiro encontro entre Laura e Guinevere;
2015: lançamento oficial do Silent Book Club;
2019: destaque internacional após reportagem viral da NPR;
2020: encontros online durante a pandemia;
2025: mais de um milhão de leitores ativos participando mensalmente.
Um crescimento silencioso, mas poderoso – exatamente como os leitores que o sustentam.
Foto: Getty Images (via Canva)
Como participar e viver essa experiência
Quer entrar para o clube de leitura mais tranquilo do planeta? É fácil.
Você pode procurar um grupo da sua cidade (muitos estão no Instagram) ou criar o seu próprio capítulo.
O formato é simples e libertador:
um espaço acolhedor (um café, livraria, parque ou até sua casa);
uma hora de leitura silenciosa;
e, se quiser, uma conversa leve no final.
Para comemorar os 10 anos, o Silent Book Club promove o Global Readathon – um fim de semana inteiro de leitura simultânea em diferentes fusos horários. Um evento simbólico que une pessoas de culturas distintas pelo mesmo amor: ler por prazer.
Além disso, há uma coleção especial de produtos comemorativos – ecobags, camisetas e cadernos -e um mapa interativo no site oficial mostrando onde cada grupo se encontra. É como ver uma constelação de leitores espalhados pelo planeta.
Pode-se dizer que no “modo avançado” há grupos que organizam Retiros de Leitura do Clube do Livro Silencioso. Uma viagem programada, com inscrição prévia, super organizada, que oferece o equilíbrio perfeito entre tempo sozinho e conexão social em destinos deslumbrantes. Um dos últimos divulgados no site aconteceu na Riviera Italiana, em junho deste ano. Para novembro, há outro divulgado: para a Costa Rica. Já imaginou? Você tira férias com seus livros preferidos, viajando com pessoas com propósito e pensamento (de liberdade literária) semelhante: a mistura perfeita de relaxamento, aventura e tempo dedicado à leitura.
Um brinde ao silêncio que conecta
Completando seus dez anos em pleno crescimento, o Silent Book Club segue fiel à sua filosofia: ninguém precisa falar para pertencer.
Em um mundo que cobra performance até na hora do descanso, o clube é quase um ato de resistência. Um lembrete de que o silêncio também é uma forma de encontro – talvez a mais verdadeira de todas.
Então, se você é do tipo que prefere um bom livro a uma noite barulhenta, esse movimento pode ser o seu lugar no mundo.
Pegue seu livro favorito, encontre um canto tranquilo e mergulhe nessa experiência. No Brasil, no site oficial do SBC encontrei ainda poucos Capítulos: dois no estado de São Paulo, na capital e em Boituva e outro no Rio de Janeiro.
Eu fiquei tão feliz de encontrar esta novidade (nova para mim e até começar a pesquisar a respeito) que não paro de falar do clube para todos que conheço – e ninguém com quem conversei até agora também tinha ouvido falar. Você já tinha ouvido falar?
E a máxima, que para mim traduz todo o prazer de ler e a verdade desta iniciativa é: “Com um livro, você pode estar sozinho – mas nunca só.”
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