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Brigitte Bardot: 3 filmes essenciais para celebrar o mito do cinema francês

Brigitte Bardot morreu aos 91 anos neste 28 de dezembro de 2025, em sua casa em Saint-Tropez, no sul da França, deixando para trás um dos legados mais marcantes da história do cinema mundial. Ícone absoluto dos anos 1950 e 1960, símbolo sexual, musa da cultura pop e, mais tarde, militante feroz pelos direitos dos animais, Brigitte Bardot atravessou décadas como sinônimo de liberdade, transgressão e magnetismo diante das câmeras.

Muito além da imagem de “sex symbol”, Bardot foi dirigida por alguns dos maiores cineastas europeus, estrelou filmes que ajudaram a moldar a modernidade no cinema e influenciou moda, comportamento e a própria ideia de estrelato. A partir dos anos 1970, abandonou a carreira e passou a se dedicar integralmente à causa animal, criando, em 1986, a Fundação Brigitte Bardot para a proteção dos animais.
Para celebrar sua trajetória, selecionei 3 filmes essenciais de Brigitte Bardot para revisitar sua obra – seja descobrindo pela primeira vez ou reencontrando uma das figuras mais marcantes do cinema francês.
“E Deus Criou a Mulher” (1956)
É impossível falar de Brigitte Bardot sem começar por “Et Dieu… créa la femme”, lançado no Brasil como “E Deus Criou a Mulher”. Dirigido por Roger Vadim, então marido da atriz, o filme é frequentemente apontado como o grande responsável por transformar Bardot em fenômeno mundial e redefinir o arquétipo da mulher sensual e independente no cinema europeu.
Aqui, ela vive Juliette, jovem de espírito livre em uma pequena cidade litorânea, desejada por todos e julgada por muitos. A câmera de Vadim, somada à presença física e à espontaneidade de Bardot, constrói um retrato que, ainda hoje, parece moderno: uma mulher que recusa ser domada, mesmo pagando o preço pelo desejo de viver à sua maneira. É o nascimento do mito Brigitte Bardot.
“Viva Maria!” (1965)
Dirigido por Louis Malle, “Viva Maria!” coloca Brigitte Bardot ao lado de Jeanne Moreau em uma explosão de carisma, aventura e comentário político. As duas interpretam artistas de um show itinerante que acabam se envolvendo, quase por acidente, em uma revolução em um país fictício da América Latina.
O filme mistura comédia, faroeste, sátira e filme de guerra, e funciona também como uma celebração da parceria entre duas das maiores atrizes francesas do século XX. Bardot exibe aqui seu timing cômico, sua energia física e uma alegria de atuar que contamina a tela. “Viva Maria!” é um ótimo exemplo da versatilidade de Brigitte Bardot, que transitava com naturalidade entre drama, comédia e aventura.
A Verdade” (1960)
Em “La Vérité” (“A Verdade”), dirigido por Henri-Georges Clouzot, Brigitte Bardot interpreta Dominique, jovem julgada pelo assassinato do amante. O filme se passa, em grande parte, dentro de um tribunal, enquanto sua vida é destrinchada por advogados e juízes, e o público tenta entender se ela é vítima, algoz – ou as duas coisas ao mesmo tempo.
Aqui, Bardot entrega uma de suas atuações mais dramáticas e densas, rompendo qualquer ideia de que fosse apenas “o rosto e o corpo” de uma geração. Dominique é frágil, contraditória, impulsiva e devastadoramente humana. “A Verdade” é fundamental para perceber a força dramática de Brigitte Bardot e por que tantos críticos a consideram uma das grandes atrizes de seu tempo.
Brigitte Bardot: um legado que não cabe em uma filmografia
Brigitte Bardot deixa uma filmografia relativamente curta para alguém tão famoso, mas cada título carrega um impacto desproporcional. Ela ajudou a redefinir o papel da mulher na tela, influenciou o nascimento de uma cultura pop global e, mais tarde, usou sua notoriedade para se tornar uma das vozes mais estridentes em defesa dos animais, através da Fundação Brigitte Bardot.
Sua trajetória também é atravessada por polêmicas e posicionamentos controversos, principalmente a partir dos anos 1990, em declarações políticas que geraram críticas e processos na França.
Rever ou descobrir esses três filmes aqui no Qualquer Poltrona é uma forma potente de entender por que, mesmo décadas depois de sua aposentadoria, o nome Brigitte Bardot continua soando como sinônimo de cinema em estado puro.
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