Tribuna de Minas

Iniciativas em Juiz de Fora incentivam o protagonismo de crianças na educação ambiental

Às margens do Rio Paraibuna, Vanderlei Tomaz e Alexsander Oliveira realizam plantio de árvore na última quinta-feira (Foto: Felipe Couri)
Em Juiz de Fora, iniciativas lideradas por educadores e agentes comunitários têm apostado no protagonismo de crianças para ampliar a educação ambiental e estimular práticas ligadas à preservação e à sustentabilidade. A proposta é inserir o tema no cotidiano escolar e comunitário, com atividades que vão de projetos de reflorestamento e revitalização de espaços a ações sobre gestão de resíduos sólidos.
Por isso, lembrando o Dia Mundial da Educação Ambiental, celebrado em 26 de janeiro, a Tribuna conversou com lideranças ambientais de Juiz de Fora empenhadas a tentarem frear a crise climática por meio da educação. Vanderlei Tomaz, Alexsander Oliveira e Samuel Castro promovem ações que apostam no protagonismo das crianças para conservação do meio ambiente.
Instituída em 1975, a partir da Carta de Belgrado, elaborada na Conferência Internacional sobre Educação Ambiental realizada na Iugoslávia, a data definida pela Organização das Nações Unidas (ONU) busca conscientizar sobre o papel central da educação na conservação ambiental.
Nesse contexto, a professora da Faculdade de Educação e coordenadora do Grupo de Pesquisas em educação ambiental (GEA) da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Angélica Cosenza, destaca que a educação ambiental é um esforço realizado por diversos atores e, apesar do destaque dado à educação formal, realizada nas escolas, iniciativas informais, como o trabalho realizado por movimentos sociais, sindicatos, instituições religiosas, unidades de conservações, empresas e museus, também são imprescindíveis para a promoção da justiça climática.
Ela destaca que a agenda da educação ambiental trabalha na perspectiva de um ultimato, uma intimação da sociedade para a ação contra a ganância que provoca o uso irresponsável dos recursos naturais. Mais do que mudanças em comportamentos individuais ou que a simples informação a respeito de pautas ambientais, para Angélica, a educação ambiental precisa construir valores que rompam com o distanciamento entre os seres humanos e o meio ambiente e reforcem a percepção de uma vida integrada entre as pessoas, a natureza e os animais.
Vanderlei Tomaz exibe o livro “Tudo era visto e nada se fez”, que aborda os impactos do descarte inadequado de lixo (Foto: Felipe Couri)
De cidadão engajado à escritor: Vanderlei Tomaz
O professor e ex-vereador Vanderlei Tomaz sempre foi um cidadão engajado com o lugar em que vive – mais especificamente, o Bairro de Benfica, na Zona Norte de Juiz de Fora. “Eu e mais alguns amigos do Bairro Araújo construímos o hábito de nos reunir para varrer ruas, plantar árvores, limpar bueiros. E nós percebemos que essa atitude simples poderia ser reproduzida em outras comunidades.” Bastou essa percepção, para que o escritor lançasse o seu primeiro livro infanto-juvenil.
Publicado em 2024, “Tudo era visto e nada se fez” aborda importância da gestão de resíduos sólidos. A história retrata a inércia dos moradores de uma cidade diante do lixo descartado incorretamente, que resulta em uma enchente. De acordo com Vanderlei, atualmente assessor da Câmara Municipal, “o livro não tem um final feliz para mostrar qual a consequência desse desleixo”. Para o escritor, apesar de compreender que a obra é para todas as pessoas da comunidade, o papel da obra é fazer com que as crianças compreendam como suas ações impactam o mundo e assim tornem-se agentes em prol meio ambiente.
E se engana quem acha que o esforço se restringe à escrita e às palestras que é convidado a ministrar. O trabalho de Vanderlei no plantio de árvores e na limpeza do bairro continuam – agora com o apoio das crianças, que o encontram na rua e mostram, orgulhosos, o lixo que estão guardando para descartar de forma adequada.
Da sala de aula às margens do Paraibuna: Alexsander Oliveira
Já o professor e mestre em geografia Alexsander de Oliveira, que dá aulas em Juiz de Fora e Santana do Deserto, na Zona da Mata, lidera um projeto de revitalização em espaços das escolas que trabalha. Além da produção e doação de mudas com os estudantes, Alexsander conta que a educação climática e ambiental é um tema recorrente em suas turmas. “Trabalhar com as crianças é importante porque quando a gente pensa em desenvolvimento sustentável, a gente está sempre pensando nas gerações futuras”, afirma.
Para Alexsander, é importante que a educação ambiental tenha um olhar para a relação da sociedade com o tempo e contribua para romper a urgência das novas gerações. Por meio do tempo de desenvolvimento das árvores frutíferas, defende “quem planta uma árvore é alguém que tem um olhar no futuro”. E ele também escolhe enxergar além: há cinco anos, o professor usa seu tempo livre para reflorestar as margens do Rio Paraibuna.
De jogos e histórias ao cuidado com o meio ambiente: Samuel Castro
Samuel Castro, professor do departamento de Engenharia Sanitária e Ambiental da UFJF, é coordenador do Recicle Ambiental, projeto de extensão da universidade em parceria com a Prefeitura de Juiz de Fora (PJF) que visa à educação ambiental de crianças dos 6° e 7° anos de escolas municipais do município sobre sustentabilidade. Em 2025, além do trabalho realizado em 24 escolas da cidade, o projeto também contribuiu com ações de escolas estaduais e do setor privado.
As ações do projeto incluem jogos, contação de histórias e atividades práticas que integram escola, famílias e a comunidade em torno da preservação ambiental. As escolas municipais que se interessarem podem se inscrever na iniciativa até segunda (26) pelo instagram @recicleufjf.
*Estagiária sob a supervisão da editora da Carolina Leonel
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