Tribuna de Minas

Minas Gerais registra quase 400 incêndios em unidades de conservação em 2025

(Foto: Divulgação/IEF/Evandro Rodney)
Minas Gerais registrou 389 ocorrências de incêndios dentro de unidades de conservação e outras 286 no entorno até novembro de 2025, segundo balanço apresentado pelo Instituto Estadual de Florestas (IEF) durante a 5ª Reunião Ordinária da Força-Tarefa Previncêndio. Somando as áreas queimadas, foram atingidos 21 mil hectares dentro das unidades de conservação e 17,4 mil hectares no entorno. O IEF também informou que esses números representam mais de 70% de todos os incêndios já registrados pelo órgão no estado ao longo de 2025.
O Parque Estadual Serra do Cabral, no Norte de Minas, lidera o número de registros, com 80 incêndios — 37 dentro da unidade e 43 no entorno. Em seguida aparece o Parque Estadual da Serra do Rola-Moça, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, com 63 ocorrências, sendo 22 no interior e 41 na área externa. Apesar do volume de registros, ambas as unidades apresentaram uma das menores áreas queimadas desde o início da série histórica, em 2013, segundo o IEF. 
As maiores áreas afetadas, no entanto, foram registradas em duas Áreas de Proteção Ambiental (APAs) do Norte de Minas. A APA Cochá e Gibão contabilizou 6,1 mil hectares queimados, enquanto a APA Rio Pandeiros teve 5,2 mil hectares atingidos pelo fogo. Apesar disso, conforme o gerente de Prevenção e Combate a Incêndios Florestais do IEF, Rodrigo Bueno Belo, as duas APAs vêm registrando resultados positivos na redução dos impactos desde 2016, com exceção de 2021, o que, para ele, reflete o trabalho contínuo do IEF e de seus parceiros na prevenção e resposta aos incêndios. 
Serra de São José foi uma das mais atingidas na Zona da Mata 
(Foto: Divulgação/Bombeiros)
A Área de Proteção Ambiental (APA) da Serra de São José, um dos mais importantes patrimônios naturais da região, foi atingida por incêndios em outubro deste ano. No início do mês, no dia 5, um incêndio de grandes proporções atingiu a área protegida e as chamas só foram contidas no quarto dia de combate. Já no dia 17 do mesmo mês, a serra foi novamente afetada pelo fogo. Mais de 20% da APA foi queimada. 
Localizada entre os municípios de São João del-Rei e Tiradentes é conhecida por sua rica biodiversidade. A área abrange duas unidades de conservação estaduais: a Área de Proteção Ambiental (APA) São José e o Refúgio Estadual de Vida Silvestre (REVS) Libélulas da Serra de São José. Com aproximadamente 5 mil hectares, a serra conta com várias nascentes e espécies ameaçadas de extinção. Por transitar entre os biomas da Mata Atlântica e do Cerrado, o local é considerado um tesouro nacional e histórico. A Serra de São José também é conhecida por manter 50% das espécies de libélulas conhecidas em Minas Gerais, sendo considerado um dos refúgios mais importantes para esses insetos no Brasil. 
Chuvas devem marcar fim da temporada crítica 
A divulgação do balanço marcou a abertura da reunião da 5ª Reunião Ordinária Força-Tarefa Previncêndio, realizada no dia 18, que também destacou a previsão de chuvas mais intensas e regulares nos próximos meses. De acordo com o meteorologista do Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam), Heriberto dos Anjos Amaro, as precipitações têm se intensificado desde outubro e devem aumentar entre novembro e janeiro de 2026. 
“É um cenário diferente de 2024, quando o período seco se prolongou. Ainda assim, algumas regiões, como o Triângulo Mineiro, necessitam de precipitações mais volumosas”, explicou.
Integração entre instituições garante respostas mais rápidas 
Além do panorama climático, o encontro reuniu órgãos estaduais e federais envolvidos nas ações de prevenção e combate ao fogo para avaliar os resultados de 2025. A força-tarefa é coordenada pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) e pelo Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais (CBMMG), e reúne o Instituto Estadual de Florestas (IEF), a Defesa Civil Estadual, a Polícia Militar, a Polícia Civil, a Secretaria de Agricultura, o Ibama e o ICMBio.
O secretário adjunto de Meio Ambiente, Leonardo Rodrigues, destacou que o trabalho conjunto garantiu respostas ágeis durante o período crítico. “O resultado é positivo, permitindo respostas céleres e preservando a biodiversidade”, afirmou. Para o coronel Thiago Duarte, do Corpo de Bombeiros, o amadurecimento da comunicação entre os órgãos foi decisivo. “É notória a evolução na integração das instituições, o que contribuiu para respostas mais rápidas e resultados mais eficazes”, disse. 
Com o aumento das chuvas e a previsão de estabilização do clima nos próximos meses, a força-tarefa projeta o encerramento gradual da temporada de incêndios em Minas, mantendo a articulação entre as instituições para a proteção dos ecossistemas mineiros. 
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