Minas se prepara para o Dia D contra a Dengue

Com a chegada do período chuvoso, cresce o alerta para um velho problema que insiste em retornar todos os anos: a presença do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, zika e chikungunya. O calor e as chuvas formam o cenário ideal para a reprodução e proliferação do mosquito, por isso o cuidado precisa ser redobrado, especialmente nas casas e quintais das áreas urbanas.
Para reforçar essa mobilização, o Governo de Minas, por meio da Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG), realiza no próximo dia 29 de novembro o Dia D de Combate à Dengue. A ação faz parte de uma ampla estratégia de enfrentamento às arboviroses (doenças causadas por vírus transmitidos por artrópodes, como mosquitos) e tem como foco orientar, unir esforços e incentivar a população a agir de forma preventiva, a fim de manter o ambiente livre de criadouros do mosquito.
A iniciativa é um convite à união contra o Aedes aegypti e a favor da vida. Em todo o estado, estão previstos mutirões, ações educativas e visitas comunitárias. A SES-MG reforça que o verdadeiro impacto acontece quando o cuidado vira parte da rotina de cada família. Não é necessário muito tempo, apenas 10 minutos por semana são suficientes para verificar calhas, vasos, ralos e quintais.
Responsabilidade compartilhada. Cada gesto conta
Segundo dados da Secretaria, mais da metade dos focos do Aedes aegypti estão nas casas. Isso significa que pequenas atitudes diárias têm alto impacto e fazem muita diferença. Tampar caixas d’água, limpar calhas e ralos, virar garrafas de cabeça para baixo, não deixar vasos com pratos e escovar potes de água de animais são cuidados simples que interrompem o ciclo de vida do mosquito e ajudam a proteger toda a comunidade.
Na ação do Dia D, agentes de saúde vão orientar moradores sobre a importância da limpeza dos quintais. Foto: Rafael Mendes/SES-MG
Histórico de epidemias
Minas Gerais tem convivido, ao longo dos últimos 15 anos, com um ciclo repetido de epidemias de dengue. Desde 2010, o estado já sofreu seis grandes ondas da doença, nos anos de 2010, 2013, 2016, 2019, 2023 e 2024. Os números mais recentes mostram que o problema está longe de ser superado. Até o dia 6 de outubro, foram registrados 156.219 casos prováveis de dengue, dos quais 110.293 foram confirmados, além de 130 óbitos confirmados e 52 em investigação.
A situação se agrava com a circulação de outras arboviroses, como chikungunya e zika, que também preocupam as autoridades de saúde. No mesmo período, 18.505 casos prováveis de chikungunya foram registrados, sendo 16.294 confirmados, com cinco mortes confirmadas e três ainda sob investigação. Em relação ao vírus zika, Minas contabiliza 60 casos prováveis e 25 confirmados, sem registro de óbitos até o momento.
Preocupação com o futuro
De acordo com os especialistas, o cenário é resultado de uma combinação de fatores ambientais e sociais. O aquecimento global tem criado condições ideais para a proliferação do Aedes aegypti, transmissor das principais arboviroses urbanas. As mudanças no regime de chuvas e temperaturas mais elevadas ampliam o período de reprodução do vetor, enquanto a introdução de novos sorotipos do vírus da dengue, que antes não circulavam no território mineiro, aumenta o risco de infecção em massa e acende um alerta sobre a necessidade de planejamento de longo prazo e políticas públicas integradas para controle vetorial, vigilância epidemiológica e educação em saúde.
Um desafio permanente
O controle do vetor ainda depende, em grande parte, da consciência e da ação cotidiana de cada cidadão. Em tempos de aquecimento global e surtos cada vez mais intensos, o engajamento comunitário, na mesma intensidade, pode ser a resposta.
Não se trata de medo, mas de consciência. A dengue pode ser evitada se cada morador eliminar a água parada ao redor de casa e observar locais onde o mosquito possa se reproduzir. É um esforço coletivo que demanda ações individuais pois cada um tem papel importante no combate ao mosquito.
Combater os focos de mosquito em casa é fácil. Basta evitar a água acumulada em pratos de vasos, calhas e ralos. Foto: Rafael Mendes/SES-MG
Investimento e tecnologia a favor da saúde
Para manter o estado preparado no enfrentamento ao Aedes, o Governo de Minas tem investido continuamente. Desde 2019, mais de R$ 486 milhões foram aplicados em ações permanentes de combate ao mosquito, beneficiando 853 municípios. Para o novo ciclo sazonal, serão mais R$ 200 milhões destinados a reforçar o trabalho das equipes locais e garantir respostas mais rápidas.
Esses recursos incluem iniciativas como repasse direto aos municípios para ações de controle e prevenção; apoio aos consórcios municipais de saúde com veículos fumacê; fortalecimento dos laboratórios públicos, que agilizam o diagnóstico e o monitoramento das doenças; uso de drones com tecnologia que mapeia e elimina criadouros em áreas de difícil acesso, uma inovação que torna Minas o único estado do país com operação de drones em todos os municípios.
Além disso, a SES-MG mantém a Sala de Monitoramento das Arboviroses, que acompanha os dados em tempo real, e já capacitou mais de 4.200 profissionais de saúde para garantir atendimento e vigilância qualificada em todo o território mineiro.
Saiba mais
Dicas de prevenção, materiais educativos e informações sobre as ações de combate ao Aedes estão disponíveis em: http://www.saude.mg.gov.br/aedes.
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