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O Natal mais triste de Juiz de Fora: a enchente de 1940 que mudou a história da cidade

A maior tragédia da história de Juiz de Fora aconteceu na véspera do Natal de 1940. Um episódio que marcou para sempre a memória da cidade e transformou radicalmente sua estrutura urbana: a Grande Enchente de 1940 do Rio Paraibuna, lembrada até hoje como o Natal mais triste da história juiz-forana.
Tudo começou no dia 23 de dezembro de 1940, quando chuvas intensas atingiram Juiz de Fora e cidades vizinhas. O volume foi tão alto que o Rio Paraibuna transbordou, avançando rapidamente sobre áreas urbanas. No dia seguinte, 24 de dezembro, a situação se agravou de forma dramática.
Água no coração da cidade
Segundo registros históricos, as águas ultrapassaram o nível do Cine-Theatro Central e avançaram em direção ao Parque Halfeld, atingindo o núcleo mais movimentado da cidade à época.
O pesquisador Paulino de Oliveira relata que 150 casas desabaram e cerca de 2 mil pessoas ficaram desabrigadas. Famílias inteiras perderam tudo às vésperas do Natal. Sem alternativa, os desabrigados foram acolhidos emergencialmente em escolas tradicionais, como o Granbery, o Academia e o Stella Matutina.
Juiz de Fora parou. A cidade ficou submersa, em luto e em choque.
Do desastre nasce um novo bairro
Diante da dimensão da tragédia, o então prefeito Rafael Cirigliano determinou a construção de moradias populares para atender as famílias que perderam suas casas na enchente.
As obras ficaram sob responsabilidade do engenheiro Deusdedith Salgado. O conjunto habitacional construído naquele momento histórico deu origem ao que hoje é o bairro Furtado de Menezes, um dos legados diretos da enchente de 1940.
Foi uma resposta emergencial que acabou moldando a ocupação urbana da cidade nas décadas seguintes.
A grande retificação do Rio Paraibuna após a enchente de 1940
A enchente deixou claro que Juiz de Fora precisava reorganizar sua relação com o Rio Paraibuna, que historicamente transbordava com frequência.
Após o desastre, o rio passou por uma grande obra de retificação, considerada gigantesca para a época. Essa intervenção permitiu, entre outras mudanças estruturais, a construção da Avenida Brasil, hoje um dos principais eixos viários da cidade.
O Rio Paraibuna, que era sinuoso e repleto de curvas, passou a ter a calha praticamente reta, evitando assim que a água transbordasse em momentos de maior volume d’água.
A obra custou dezenas de milhões de cruzeiros e foi financiada pelo Governo Federal, então comandado pelo presidente Getúlio Vargas.
Como reconhecimento pelo investimento decisivo, Getúlio Vargas recebeu uma estátua, instalada no espaço que hoje é a Praça Clodesmidt Riani, no Centro de Juiz de Fora.
Um marco definitivo
Depois da enchente de 1940, o Rio Paraibuna nunca mais transbordou no Centro de Juiz de Fora. A tragédia forçou a cidade a se reinventar, corrigir erros históricos e investir em infraestrutura de grande porte.
Mesmo assim, o episódio jamais foi esquecido. Ele entrou para a memória coletiva como o Natal mais triste da história de Juiz de Fora — um momento de dor, perda e destruição, mas também de reconstrução e transformação.

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