Sem repasse da Prefeitura, eventos culturais correm risco em Juiz de Fora
Coletivos culturais de Juiz de Fora – entre eles Batalha do Bandeirantes, Charmosas do Tamborim, comunidades capoeiristas, Festival Forró na Praça, Projeto Berimbau e Space Hip Hop – vivem um momento de incerteza quanto à liberação de emendas parlamentares destinadas aos seus eventos e atividades.
Apesar de aprovadas, com planos de trabalho validados e algumas já empenhadas pela Prefeitura, os grupos afirmam que ainda não receberam informações oficiais sobre quando os recursos serão pagos.
Coletivos temem cancelamento de eventos por falta de repasse da Prefeitura de Juiz de Fora
Segundo os coletivos, a informação repassada informalmente é de que a liberação depende de etapas internas da Secretaria da Fazenda. O receio é que, com o fim do ano fiscal se aproximando, exista risco real de perda dos recursos caso o pagamento não seja realizado a tempo.
A situação é ainda mais delicada para iniciativas com eventos já marcados e autorizados para os próximos dias, como a Batalha do Bandeirantes, prevista para 12 de dezembro, e o Festival Forró na Praça, no dia 13. Ambos têm artistas, fornecedores e serviços contratados conforme o plano de trabalho aprovado nas emendas.
Enquanto alguns grupos aguardam o pagamento de emendas já empenhadas, outros sequer tiveram seus recursos autorizados. É o caso do 2º Prêmio da Capoeira e do Seminário Municipal da Capoeira, que seguem sem definição sobre realização ou cancelamento. Para as comunidades capoeiristas, o atraso afeta diretamente ações de salvaguarda da Roda de Capoeira, reconhecida como bem imaterial de Juiz de Fora desde dezembro de 2024.
Segundo representantes da cultura, a suspensão sem esclarecimento do Edital de Chamamento Público 003/2025, do Prêmio da Capoeira, compromete a credibilidade do processo administrativo e prejudica concorrentes que aguardavam o resultado. Já o Seminário da Capoeira, planejado durante todo o ano, permanece sem execução por falta de empenho dos recursos.
Os coletivos destacam que essas iniciativas atuam em frentes fundamentais para a cidade – como música, dança, arte urbana, patrimônio imaterial e educação popular –, especialmente nas periferias, onde desempenham papel social e cultural essencial. Atrasos comprometem políticas públicas, enfraquecem a economia criativa e afetam milhares de pessoas que participam dessas ações.
Diante desse cenário, os grupos solicitam à Prefeitura de Juiz de Fora:
• Transparência total sobre os processos e prazos
• Agilidade na liberação das verbas empenhadas
• Diálogo aberto e contínuo com agentes e associações culturais
O que a prefeitura de Juiz de Fora disse sobre o caso?
Sobre o caso do Forró na Praça, a Prefeitura de Juiz de Fora informou que os trâmites para o pagamento “estão em andamento” e que a expectativa é de que sejam concluídos “em breve”, porém não apresentou uma data para a liberação dos recursos.
As emendas parlamentares são impositivas, o que significa que a Prefeitura é obrigada a efetuar o pagamento às entidades e organizações indicadas pelos vereadores. Pelo o que FOLHA JF apurou, em 2025, foram destinados R$ 43 milhões, mas, conforme apurado pelo Folha JF, apenas R$ 19 milhões foram efetivamente pagos. Restam R$ 24 milhões sem previsão de liberação, segundo vereadores ouvidos pela reportagem.
O Folha JF seguirá acompanhando o caso.