Tribuna de Minas

Primeira cirurgia de joelho com robô 100% autônomo da América Latina será realizada em Juiz de Fora

Juiz de Fora registra um marco inédito na medicina nesta sexta-feira (17), com a realização da primeira cirurgia de joelho com robô totalmente autônomo da América Latina. O procedimento inaugura uma nova etapa dos procedimentos ortopédicos do continente, com a incorporação de tecnologia capaz de executar, com alta precisão, etapas fundamentais da cirurgia. 
O equipamento foi adquirido pela Santa Casa de Misericórdia de Juiz de Fora, onde as cirurgias serão feitas, e utiliza um sistema capaz de executar, com precisão milimétrica, etapas como o preparo do osso para a colocação da prótese, a partir de um planejamento feito previamente pelos cirurgiões. 
A novidade coloca o município em destaque no cenário da saúde ao concentrar uma tecnologia ainda recente e pouco difundida na região. Diferente dos modelos tradicionais, em que o médico conduz manualmente todo o processo, ou dos sistemas semiautônomos, o robô atua de forma independente em etapas críticas da cirurgia, sob supervisão da equipe. 
De acordo com o ortopedista e cirurgião de joelho Samuel Lopes, o principal avanço está na precisão dos cortes, com margem de erro inferior a 1 milímetro em 98% dos casos, além da possibilidade de personalização do procedimento. A partir de exames como a tomografia, cada cirurgia é planejada de acordo com a anatomia do paciente, o que pode impactar na adaptação da prótese e na durabilidade do implante. 
A prótese de joelho está entre as cirurgias mais realizadas no mundo e é indicada principalmente para casos de desgaste articular avançado, com dor e limitação de movimentos. Tecnologias robóticas vêm sendo incorporadas gradualmente ao procedimento, com o objetivo de aumentar a precisão e melhorar os resultados clínicos. 
“Estamos com uma expectativa muito grande para essas primeiras cirurgias. Nossa equipe vem se preparando há anos, estudando e buscando essa tecnologia. Agora, com a chegada do sistema de forma pioneira na Santa Casa, há uma empolgação grande em realizar o procedimento e acompanhar, na prática, os resultados que já são descritos na literatura médica internacional”, diz Samuel.  
O presidente do Conselho de Administração da Santa Casa, José Sebastião Pedrosa, afirma que a aquisição posiciona a instituição entre os centros mais avançados de saúde e reforça o papel pioneiro da Santa Casa, relembrando que em 1991 ocorreu uma das primeiras cirurgias de videolaparoscopia, que facilitou o tratamento de vesícula. “É um marco que vai muito além da chegada de um equipamento, estamos inaugurando uma nova era na medicina da nossa região. Já existem robôs atuando em outras áreas em Juiz de Fora, mas nada nessa magnitude de resultados que estamos esperando.” 
Fase inicial: pacientes do SUS serão beneficiados 
Desde 2022, a Santa Casa de Juiz de Fora estuda a implementação da tecnologia na unidade. Ao lado de Samuel, o ortopedista e cirurgião do joelho Igor Reis esteve à frente do processo de implantação do sistema. A tecnologia estará disponível para pacientes da rede privada. No entanto, neste primeiro momento, alguns pacientes que aguardam a cirurgia há anos na fila do Sistema Único de Saúde (SUS) serão beneficiados com o serviço. 
O processo de incorporação de uma tecnologia desse tipo ao SUS pode levar anos e depende de estudos científicos. “Como essa é uma tecnologia nova, ainda são necessários estudos de longo prazo para comprovar que ela é superior, inclusive em termos de custo para o sistema”, explica Igor. 
Ele destaca que pacientes que já aguardavam na fila por cirurgia serão beneficiados nesta fase inicial. “Como estamos implementando o sistema, o hospital está bonificando pacientes do SUS que já estavam na fila, oferecendo a cirurgia com essa tecnologia e prótese importada, que normalmente não é coberta pelo SUS. É como um presente para esses pacientes”, afirma. Ao todo, nove pessoas serão contemplados com o procedimento nessas duas primeiras semanas, sendo dois pelo convênio particular e sete pelo SUS.  
Os médicos ressaltam que os estudos indicam benefícios do uso da tecnologia, como menos dor nos primeiros dias do pós-operatório, recuperação mais rápida, prótese com maior durabilidade e maior precisão. “Hoje as próteses mais modernas giram em torno de 20 anos e nós queremos transformar isso em algo mais duradouro. Por meio do desenvolvimento de novas tecnologias para melhorar os implantes, mas também melhorando a técnica cirúrgica e, em relação a essa parte, o roubo oferece isso, diminuindo a ação humana imperfeita para a ação tecnológica que busca a perfeição”, diz Igor.  
Apesar das expectativas, ele pondera que os resultados ainda precisam ser comprovados ao longo do tempo. “A principal resposta que buscamos é se essa maior precisão vai se traduzir em maior durabilidade da prótese. Isso só será possível com estudos de muitos anos”, completa. 
Miralva e Maria de Fátima serão as primeiras pacientes a passarem pela cirurgia de joelho com robô 100% autônomo (Foto: Tribuna de Minas)
Pacientes apostam em tecnologia para recuperar qualidade de vida 
Maria de Fátima Antunes Faria, de 67 anos, convive com dores no joelho desde uma queda dentro de casa, em julho de 2025. Moradora de Mercês, ela relata que o problema começou após cair sobre o joelho esquerdo, o que deu início a uma série de consultas, exames e tentativas de tratamento.
“Todos os médicos diziam que eu teria que operar”, conta. Após passar por diferentes abordagens, como retirada de líquido do joelho e aplicação de ácido hialurônico, sem melhora significativa, ela decidiu pela cirurgia. Diante da possibilidade de realizar o procedimento com o uso de um robô, admite ter sentido receio. “É algo novo, dá um pouco de ansiedade, mas eu confio na equipe e acredito que vai dar tudo certo. Além de me ajudar, ajudará muitas outras pessoas”, afirma. 
Já a cozinheira Miralva Alves da Cruz Ribeiro, de 54 anos, começou a sentir dores em 2024, inicialmente no joelho direito. Miralva trabalha na cantina de uma escola municipal e, com a rotina de trabalho em pé, o quadro se agravou e passou a afetar também o outro joelho. Exames apontaram desgaste total da cartilagem, além de perda de massa muscular nas pernas.
“São dores que incomodam para tudo, até para deitar”, relata. Indicada para cirurgia, ela foi surpreendida com a possibilidade de participar dos primeiros procedimentos com a nova tecnologia. “A gente fica com medo por ser novidade, mas também cria esperança de melhorar. Estou muito feliz.” Miralva será atendida pelo SUS e aguarda a cirurgia com expectativa de retomar atividades simples do dia a dia sem dor. 
Como funciona o procedimento 
O procedimento começa com a avaliação clínica e a realização de exames, como a tomografia de todo o membro, que permite a construção de um modelo tridimensional da perna do paciente. A partir dessas imagens, o cirurgião faz o planejamento detalhado da cirurgia em uma plataforma digital, definindo o posicionamento ideal da prótese. 
Já no centro cirúrgico, após a exposição do joelho, a equipe confirma os pontos anatômicos com auxílio de sensores para garantir que o planejamento corresponde à anatomia real. Em seguida, o robô inicia a etapa automatizada, realizando o preparo do osso com precisão milimétrica, por meio de um instrumento que “lapida” a superfície para receber a prótese. Após essa fase, o médico finaliza o procedimento com a fixação do implante e os ajustes necessários. 
Além da execução automatizada, o sistema também integra recursos de inteligência artificial. Os dados das cirurgias são armazenados, mantendo o paciente em anonimato, e analisados, permitindo o aperfeiçoamento contínuo da tecnologia e a geração de informações para estudos clínicos. 
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