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Quase 2 anos após tragédia na BR-040, Justiça inicia julgamento do caso Guardiões do Resgate

O processo envolvendo a tragédia que comoveu Juiz de Fora no fim de 2023 começa, enfim, a avançar na Justiça. Nesta terça-feira, ocorre a primeira audiência de instrução do caso Guardiões do Resgate, etapa em que começam a ser ouvidas as primeiras testemunhas. O acidente, registrado em 21 de dezembro de 2023, matou cinco pessoas, além do feto de 32 semanas, e desencadeou uma série de investigações sobre a empresa responsável pela ambulância.

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Relembre o acidente
A ambulância da empresa Guardiões do Resgate voltava de Belo Horizonte para Juiz de Fora após levar Maiara de Freitas Cunha, 27 anos, grávida de 32 semanas, para uma consulta médica. No veículo também estavam o marido dela, Marcelo Conceição dos Santos, 39, a médica Daniela Moraes Miranda Reis, 30, a enfermeira Alessandra Chagas Mota, 38, e o motorista Leonardo Luiz Neves da Silva, 28.
Na altura de Santos Dumont, km 736 da BR-040, o veículo entrou na pista contrária e bateu de frente em uma carreta. Todos os ocupantes da ambulância morreram. O feto também não resistiu.
Ambulância da Guardiões do Resgate em péssimas condições
Logo após a tragédia, começou a circular um áudio gravado pelo motorista Leonardo durante o trajeto de volta. Nele, o condutor relatava problemas graves no veículo, como direção instável e ruídos anormais:
“Mano, eu vou te falar. Essa van tá muito ruim, velho. Ela tá com a direção bambinha, tá ligado? (…) Ela perdeu o para-choque, filho.”
“Nossa, começou a fazer um barulhão doido. Aí a médica Daniela falou: ‘Ô, Léo, tá fazendo muito barulho aqui atrás. Eu acho que perdeu o para-choque’.”
As queixas no áudio foram confirmadas pelas investigações. A Polícia Civil concluiu que a ambulância estava em péssimo estado de conservação e que a empresa não possuía oficina para manutenção, apesar de prestar serviços públicos. Pior: o veículo envolvido no acidente havia sido vistoriado pelo próprio dono da empresa, Luciano Serrinha Craveiro, segundo o inquérito.
Quebra de contrato e fiscalização da Prefeitura
Pouco depois da tragédia, a Vigilância Sanitária de Juiz de Fora realizou fiscalização na base da Guardiões do Resgate, no Bairro Poço Rico. A empresa foi interditada e multada — valores e data não foram informados pela Prefeitura.
O Executivo também decidiu romper imediatamente o contrato com a Guardiões do Resgate, que atuava no transporte de pacientes via SUS desde março de 2021. A Prefeitura alegou irregularidades, mas não detalhou quais foram elas. Um processo emergencial de contratação de outra empresa foi aberto.
Desde então, as condições de funcionamento da Guardiões do Resgate passaram a ser investigadas pelo Ministério Público e pela Polícia Civil, que já apontaram falhas estruturais, problemas de manutenção e indícios de negligência operacional.
Vítimas da tragédia
Todas as cinco pessoas que estavam no veículo morreram no local:
Maiara de Freitas Cunha, 27 anos – grávida de 32 semanas
Marcelo Conceição dos Santos, 39 anos – marido de Maiara
Alessandra Chagas Mota, 38 anos – enfermeira
Daniela Moraes Miranda Reis, 30 anos – médica
Leonardo Luiz Neves da Silva, 28 anos – motorista
O feto também não resistiu.
O que acontece agora
A audiência marcada para esta terça-feira inaugura a fase judicial mais importante do caso. Testemunhas começam a ser ouvidas, e a expectativa é de que novos detalhes sobre as responsabilidades da empresa e as condições de trabalho da equipe venham à tona.
O Folha JF procurou os advogados de Luciano Serrinha Craveiro e da Guardiões do Resgate. No entanto, eles preferiram não comentar no momento.

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