Tribuna de Minas

‘Rei da Várzea’: conheça James Flayner, campeão 14 vezes da Copa Bahamas

Presente de forma ativa no futebol amador de Juiz de Fora e região, James Flayner, de 35 anos, é um dos nomes mais conhecidos da várzea local. Campeão 14 vezes da Copa Bahamas – dez no campo e quatro no futsal -, além de já ter conquistado cinco Supercopa Bahamas -, e dezenas de outros títulos coletivos e individuais no estado, ele vê no futebol de bairro não apenas uma paixão, mas também uma alternativa concreta de renda e manutenção da competitividade. Na última terça-feira (27), ele conquistou mais um título com a vitória na Copa Otimus e segue em busca de novas taças.
“Respiro o futebol de várzea o ano inteiro. São grandes competições. No momento, estou jogando o Campeonato Municipal de Coronel Pacheco, e estamos na semifinal. Também entrei para o campo 30+ no Rio Branco Soccer. Tenho meu emprego, mas a várzea hoje permite ganhar dinheiro fazendo o que a gente gosta. Existem times que não pagam, mas a maioria dos clubes que participam de competições maiores dão essa remuneração”, afirma o jogador, em entrevista ao “Dá Jogo”, programa de esportes semanal da Tribuna de Minas, transmitido pelo YouTube e repercutido nas redes sociais, com entrevistas de personagens da área em Juiz de Fora e na região.

História de James
A ligação com a bola começou cedo. James iniciou os treinamentos aos seis anos de idade, conciliando futsal e futebol de campo durante a infância e adolescência. A formação passou por nomes importantes para sua base esportiva, antes da experiência fora da cidade. “Treinava futsal com o Gerson e futebol de campo com o Ailton e o Zebu, que foram minha base no Sport Club. Com 14 anos, fui para São José dos Campos, no time do Roque Júnior, onde comecei a me destacar”, conta.
O desempenho abriu espaço no futebol profissional, com passagens por São José, Marília e o retorno a Juiz de Fora. Na cidade, James defendeu o Clube Bom Pastor, atuou em diversas competições e chegou a ser artilheiro da Superliga Carioca disputada pelo clube. “Tive oportunidade de ir para o Vasco no futsal, mas optei por não seguir. Um grande amigo meu, o Roniel, acabou indo no meu lugar e hoje é um dos grandes nomes do futsal brasileiro. Ele fez sucesso no Joinville”, lembra.
Com o tempo, a decisão foi direcionar o foco para a várzea. A escolha, segundo ele, foi prática e financeira. Mesmo trabalhando fora do esporte, como operador de empilhadeira e conferente, o futebol amador se tornou uma fonte complementar importante.
Décimo título da Copa Prefeitura Bahamas de James veio com o Família (Foto: Arquivo pessoal)
Crescimento da várzea e desafios
O crescimento financeiro do setor é evidente, principalmente em ligas regionais, enxerga James. “Em campeonatos como a Liga de Ubá, que é semiprofissional, tem atleta ganhando entre R$ 1.500 e R$ 1.800 por jogo. Mesmo quem não é profissional ativo consegue fazer uma boa renda jogando”.
Além do aspecto econômico, James observa avanços na estrutura das equipes. Para ele, o nível organizacional evoluiu, embora ainda haja pontos a serem ajustados. “Hoje a várzea movimenta muito Juiz de Fora. Existem equipes muito bem estruturadas, com uniforme padronizado, comissão técnica e planejamento semanal. Se todas seguissem esse padrão, o nível subiria ainda mais”, avalia.
Um dos setores que ainda gera críticas é a arbitragem. “Se houvesse mais investimento, o campeonato subiria de nível. A torcida quer ver espetáculo, jogo bem conduzido, e isso faz toda a diferença”. Outro ponto levantado é a falta de centralização das competições na cidade. “Em Juiz de Fora, os campeonatos são muito espalhados. Falta algo mais concentrado, como acontece em outras cidades, onde um evento reúne milhares de pessoas em um único local. Estrutura existe, mas falta continuidade.”
Futebol profissional e campos
Ao falar da base juiz-forana e da relação de jovens talentos com clubes profissionais da cidade, como o Tupi, James entende que muitos atletas acabam ficando entre dois caminhos. “As oportunidades existem, mas os contratos são curtos e os salários baixos. Muita gente tem família para sustentar e acaba optando pela várzea, que hoje gera mais retorno.”
James foi campeão com o Tupi fut-7 (Foto: Arquivo pessoal)
A modernização dos campos também entra na lista de temas importantes. “O Cerâmica é o coração da várzea em Juiz de Fora. A obra atrapalha agora, mas o gramado sintético vai elevar muito o nível do futebol e diminuir o risco de lesões. O do Polivalente é um dos melhores, bem localizado, com boas dimensões. Quando todos os campos estiverem reformados, muita gente vai voltar a jogar”, acredita.
Na visão do jogador, o futebol mudou dentro e fora da várzea. “Antigamente, jogávamos bola na rua e isso formava jogadores mais habilidosos. Hoje está tudo muito físico, muito padronizado. Falta improviso. Quem chega às finais geralmente é quem tem mais preparo físico.”
Mas um fator fundamental para a permanência no futebol amador é o reconhecimento do público. “É gratificante ver criança pedindo foto, sendo referência. Isso abre portas e fortalece ainda mais a várzea.” Perguntado sobre o que diria para quem sonha seguir no esporte, ele fala sobre força e determinação. “Muitos têm talento, mas não querem treinar. Tem que focar e correr atrás do que quer.”
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