Tribuna de Minas

Retrospectiva 2025: Entre frutas, rios e serras: veja os temas ambientais mais lidos da coluna Biosfera em 2025

O ano de 2025 foi marcado por debates decisivos para o meio ambiente. Da escolha do Brasil como sede da COP 30 às discussões sobre licenciamento ambiental com o chamado PL da Devastação, os temas ambientais ganharam destaque na agenda pública e nas páginas dos jornais. Ao longo de 2025, a seção Biosfera, da Tribuna de Minas, publicou mais de 50 reportagens dedicadas a mostrar como as questões socioambientais atravessam o cotidiano de Minas Gerais, especialmente da Zona da Mata.
Há quase três anos cobrindo temas ligados à sustentabilidade e meio ambiente, a coluna semanal se propõe a expor problemas ambientais, dar visibilidade a pesquisas, iniciativas e projetos – públicos, privados ou independentes – e contar a história de personagens que, de diferentes formas, contribuem para construir um futuro mais verde na região. Assuntos como descoberta de novas espécies, impacto de meliponários para a preservação de abelhas nativas e avanço do turismo sustentável despertaram o interesse dos leitores e apareceram entre os mais lidos da seção em 2025 no site da Tribuna. Nesta matéria, o jornal resgata estes debates, que integram a série Retrospectiva 2025, focada em temas como sustentabilidade e meio ambiente. A seguir, relembre as cinco reportagens mais acessadas da Biosfera ao longo do ano. 
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Cidade do Sul de Minas vira capital mineira do Caqui 
(Foto: Divulgação/Emater-MG)
A matéria mais lida foi sobre um município do Sul de Minas que tem se destacado como o principal produtor de caqui no estado. Com área de plantio de 200 hectares, Turvolândia é responsável por cerca de metade da produção da fruta em Minas Gerais. De acordo com a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater-MG), a produção alcançaria em 2025 cerca de duas mil toneladas. Porém, o impacto das mudanças climáticas sentido desde o ano passado tem dificultado este ciclo. A matéria mostrou que eventos climáticos extremos, como secas severas e inundações, representam sérias ameaças às plantações de caqui, podendo causar danos significativos às árvores, inclusive a morte. Além disso, o aumento das temperaturas e a alteração dos padrões de chuva afetam diretamente o ciclo de vida da planta, comprometendo a floração, o desenvolvimento dos frutos e a época da colheita. 
Pitaya na Serra de Muriaé 
(Foto: Arquivo pessoal)
Também na área da agricultura, uma fruta exótica conquistou a atenção dos nossos leitores e apareceu na segunda posição entre as mais acessadas: a pitaya.  Antes uma raridade nos mercados da Serra de Muriaé, agora a fruta se espalha pela região graças a iniciativa dos irmãos Waldemar e Átila Costa Neto, que, após experiências no cultivo da fruta no Pará, decidiram investir na pitaya e transformaram a paisagem local do Distrito de Belisário. Apesar da dificuldade inicial com a resistência do mercado regional, hoje a família cultiva 1.800 pés de pitaya, com uma produção de 30 a 40 quilos por ano/por pé. Um dos principais fatores que os motivaram a levar a fruta para a Serra de Muriaé foi o fato de que a pitaya produz na entressafra do café, que é a principal cultura de Belisário, o que facilitaria encontrar mão de obra disponível. Outro fator importante é a localização geográfica do município, próximo aos maiores mercados consumidores de pitaya. A reportagem contou mais sobre as curiosidades desse cultivo. 
Piabanha e o restabelecimento de uma espécie 
(Foto: Arquivo pessoal)
A terceira matéria mais lida leva o leitor para uma cidade a  cerca de 200 quilômetros de Juiz de Fora, em Itaocara, no Noroeste Fluminense, onde acontece o Projeto Piabanha. Desde 1998, pesquisadores trabalham para resgatar espécies nativas de peixes ameaçados de extinção na parte baixa do Rio Paraíba do Sul. Com sede concedida pela Empresa de Pesquisa Agropecuária do Estado do Rio de Janeiro (Pesagro), a iniciativa se tornou um importante símbolo de preservação da biodiversidade. A região que percorre o Rio de Janeiro possui cerca de 200 quilômetros de Rio Paraíba livre de barragens, diferente da parte que percorre Minas, o que permite que o fenômeno chamado de piracema – ocorra sem nenhuma intercorrência. 
A área onde está localizada a sede do projeto é favorável à reprodução dos peixes, principalmente o piabanha. Atualmente, a espécie está na lista de ameaçadas de extinção, mas com projetos como este, a expectativa é de que na próxima revisão desta listagem o piabanha seja reclassificado da categoria “Em perigo” para “Vulnerável”, de menor risco. Para o biólogo e idealizador do projeto, Guilherme Souza, essa mudança representa uma conquista significativa para a conservação da espécie. O plano é expandir a iniciativa para território mineiro com o objetivo de estabelecer duas populações de espécies ameaçadas, o piabanha e o surubim paraíba do sul, na região de Além Paraíba, município de Minas, até a cidade de Três Rios, no estado do Rio de Janeiro. 
Serra do Pires e a luta pela conservação 
(Foto: Ian Irsigler)
Juiz de Fora abriga um lugar pouco conhecido pela população, mas muito importante para o meio ambiente. A Serra do Pires é um dos últimos campos rupestres do município e fica localizado a 30 quilômetros do centro. O paredão e a areia branca que o envolve junto com plantas rasteiras e de espécies variadas tornam o lugar cobiçado. No entanto, o que poderia ser só mais um dos cenários montanhosos da Zona da Mata virou foco de interesses distintos: de um lado, mineradoras atraídas pela possibilidade de extração do quartzito, como acontece em muitas outras regiões de Minas Gerais; de outro, os ambientalistas que enxergaram no espaço um campo frutífero para pesquisa, com espécies novas e ameaçadas. Tamanha importância mobilizou os pesquisadores a investigarem a concessão de uma mineradora, que estava atuando na área, e fazerem uma denúncia, que interrompeu os trabalhos de extração. Mas, quase dois anos depois do início do processo, o destino da Serra do Pires segue incerto. 
A reportagem, assinada pelas jornalistas Elisabetta Mazocoli e Nayara Zanetti, aborda a rica biodiversidade do local, onde foram descobertas duas novas espécies de plantas. Uma delas faz parte da família das sempre-vivas, plantas conhecidas por compor arranjos e por servir para artesanato mineiro, e foi chamada de Paepalanthus salimenae. Já a outra foi uma espécie nova de canela-de-ema. A matéria também explica o processo de denúncia que paralisou as atividades de uma mineradora, que teria explorado uma área de 216 hectares. A reportagem também mostra uma mobilização por parte dos ambientalistas pela criação de uma unidade de conservação para uma maior proteção do espaço. 

Ibitipoca e a ausência de saneamento básico 
(Foto: Reprodução/Google Earth)
A última matéria que compõe o top 5 aborda um problema antigo do distrito de Conceição do Ibitipoca, no município de Lima Duarte, e o impacto dele na vida da comunidade. A falta de serviços essenciais em Ibitipoca, como tratamento de esgoto e acesso a água tratada, contrasta com o cenário de belezas naturais, que é a marca de um dos destinos turísticos mais procurados de Minas Gerais. A reportagem, também assinada em parceria entre as repórteres Elisabetta Mazocoli e Nayara Zanetti, contou com depoimentos da comunidade, de um especialista em turismo e da Prefeitura, com o objetivo de entender o dilema entre o desenvolvimento turístico e a sustentabilidade ambiental do distrito. 
Os residentes mais antigos de Conceição do Ibitipoca apontam o rápido e desordenado crescimento da vila nos últimos 20 anos como um dos principais intensificadores da falta de infraestrutura básica no distrito. O argumento é reforçado pelo professor e pesquisador da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Altair Sancho Pivoto, que realizou um estudo na vila durante 2018 e 2019 sobre efeitos e transformações gerados pelo turismo no contexto territorial do Parque Estadual do Ibitipoca. Os estudos apontaram que o crescimento desordenado foi acompanhado da especulação imobiliária, e os dois fatores somaram problemáticas ao dia a dia dos moradores, como mau-cheiro constante e problemas de saúde. 
Confira as 10 mais lidas da Biosfera no ano:  
Capital mineira do caqui: cidade lidera produção da fruta e mira 2 mil toneladas
De exótica a regional: irmãos cultivam pitaya, divulgam potencial da fruta e criam festival
Conheça o piabanha, peixe de água doce que nomeia projeto ambiental nascido no Noroeste Fluminense
Serra do Pires, um dos últimos campos rupestres de Juiz de Fora, é foco de disputa entre mineradoras e ambientalistas
Destino turístico conhecido pela beleza natural, Conceição do Ibitipoca enfrenta problemas por falta de saneamento 
UFV colabora com um dos maiores projetos do mundo de restauração ecológica no Cerrado
Planta parasita rara é encontrada em fazenda mineira
Serra do Espinhaço ganha destaque internacional com descoberta de quatro novas espécies de plantas
Meliponário Mel Mágico cria 36 espécies de abelha sem ferrão
Entre Serras: projeto promove turismo sustentável no meio rural em Lima Duarte
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