Vila de Ibitipoca terá obra de R$ 1,5 milhão para solucionar problemas de mobilidade urbana

Foto: Leonardo Costa
Os fins de semana e feriados em Conceição do Ibitipoca são sinônimo não apenas de diversão e natureza, mas de problemas de mobilidade urbana no Centro do distrito de Lima Duarte, a cerca de 90 quilômetros de Juiz de Fora. Moradores locais relataram à Tribuna dificuldades envolvendo deslocamento, estacionamento de veículos e acessibilidade, sobretudo relacionados aos ônibus.
Uma moradora, que preferiu não se identificar, destacou que os principais problemas são decorrentes da ausência de planejamento para as necessidades da comunidade. “Aos finais de semana e feriados, recebemos um volume muito grande de visitantes. Portanto, a estrutura da vila, destinada a poucas pessoas, não comporta esse movimento”, avalia.
As dificuldades citadas no ambiente urbano incluem fluxo de trânsito, locais para estacionamento público, qualidade do calçamento e ausência de passeios. Inclusive, durante os períodos de maior volume de visitantes, os relatos dão conta de que, mesmo com distância menor, o tempo para transitar pelo trecho é maior do que o da Vila até o Parque Estadual de Ibitipoca.
Ainda houve denúncias relacionadas ao popular “Jatão”, ônibus que faz a ligação entre Lima Duarte e a Vila de Conceição do Ibitipoca. Na teoria, o ponto final de seu itinerário é ao lado da Igreja Matriz. Entretanto, na prática, o coletivo vai apenas ligeiramente após o antigo posto policial, que fica no início da parte baixa da Vila.
O motivo informado pela população diz respeito ao curto espaço que o veículo tem para manobrar no trecho, devido ao grande número de carros e quadriciclos parados, sem fiscalização. Como consequência, os usuários – muitos deles crianças e idosos – precisam subir a rua andando com sacolas e outros itens pesados. A Tribuna pediu um posicionamento à Viação Bassamar sobre a situação, mas não obteve retorno até o fechamento desta edição.
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Investimento de R$ 1,5 milhão
Com o objetivo de realizar a revitalização do centro comercial e o calçamento de trechos estratégicos da Vila, foi elaborado um projeto para substituição do pavimento e criação de infraestrutura no centro comercial do Distrito de Conceição de Ibitipoca. Aprovado pela Secretaria de Estado de Governo de Minas Gerais, a iniciativa ficou orçada em R$ 1.523.227,41: R$ 1,3 milhão foram repassados pelo Estado no dia 30 de dezembro de 2025, enquanto o restante (R$ 223.227,41) foi aportado como contrapartida do Município de Lima Duarte.
O presidente da Associação de Moradores e Amigos de Ibitipoca (Amai), Jhon Carelli, destaca que, com o investimento, será possível melhorar o trânsito da Vila, criar novas vagas, ampliar e melhorar o estacionamento na chegada do trecho. “A parte da acessibilidade também vai ser melhorada, já que a obra tem que seguir os padrões de construção em espaço público. Então, ela pensa também no passeio. Com isso, a estrutura melhora para idosos, por exemplo. Vai resolver muitos problemas da comunidade e beneficiar, até mesmo, o turismo, assim como a qualidade de vida de nós, moradores”, comemora.
“Em nome de todos os membros, ficamos muito felizes. É um trabalho voluntário que fazemos por Ibitipoca. A nossa ideia é tentar retribuir um pouco o que o distrito nos deu até hoje, tudo que a gente já viveu aqui. É algo histórico, inédito. Não vemos a hora de ver as coisas funcionando, a comunidade feliz e desfrutando dessa conquista de todos nós. É um lugar histórico, muito importante para Minas Gerais e para o Brasil, para a nossa biodiversidade.”
Conceição do Ibitipoca é um dos principais destinos turísticos de Minas Gerais. (Foto: Leonardo Costa)
Prefeitura detalha primeira fase das obras
A Tribuna questionou a Prefeitura de Lima Duarte onde serão implementadas as novas vagas para estacionamento e se será levado em consideração o trânsito do ônibus que passa por ali. Também solicitou mais detalhes sobre a implementação da via de mão dupla e perguntou se terá alteração no trevo do Zé do Arame, se há proposta de incluir agentes de trânsito em épocas com maior volume de visitantes, se haverá revitalização ou construção de novos passeios ao longo da via e como será a revitalização e o calçamento da via principal. Também demandou informações sobre possíveis obras no trecho próximo à Igreja Matriz.
Em resposta à reportagem, a Prefeitura explica que o projeto contempla a troca do pavimento nas Ruas Mariano José Pacheco e Olga Silva, tendo como ponto inicial o Posto Policial e se estendendo até o trevo de acesso ao Parque de Ibitipoca (em frente ao local denominado como “Zé do Arame”). “Também está incluso no projeto a captação de água pluvial e a criação passeio em todo o trecho, respeitando o máximo possível as normas de acessibilidade.”
Devido à implantação de calçada, que reduzirá as dimensões da via de rolamento na Rua Olga Silva, no trecho compreendido entre o estabelecimento “The Wall” até o fim do calçamento, será proibido o estacionamento de veículos, destaca o Município. Para suprir a necessidade, foi informado que serão criadas vagas de estacionamento em uma área pública atualmente subutilizada.
“Com relação ao trânsito de maneira geral, inicialmente não haverá mudanças significativas e também não haverá impactos quanto ao tráfego de veículos maiores. Salienta-se que o projeto se refere à primeira fase de obras e não contempla outras áreas a não ser as listadas acima”, complementa a Prefeitura de Lima Duarte.
No que diz respeito à previsão de início e término das obras, o Município afirma que está iniciando o processo licitatório e ainda não há previsão de datas. “Por fim informamos que todos os documentos referentes a este projeto podem ser solicitados no Setor de Convênio e Engenharia do Município de Lima Duarte”, finaliza em nota.
Foto: Leonardo Costa
Projeto divide obras em seis etapas e estima custo de mais de R$ 2 milhões
A Amai contratou uma engenheira para fazer um projeto que “se enquadrasse nas normas e atendesse à necessidade e ao que é possível de ser feito em Ibitipoca, levando em consideração as construções já existentes”, conforme explica. “Ele é bem estruturado: dividido em seis etapas e também tem a planilha orçamentária com os valores. Pega desde a parte de drenagem até a parte final, que é o calçamento – a ser feito com pedras, aquelas de lugar histórico, quadradas. Em Ibitipoca, boa parte dos calçamentos são de pedras fincadas. A ideia é fazer a troca para essas pedras quadradas, como se fossem paralelepípedos, só que de pedra”, detalha Jhon.
O projeto foi “meio que uma doação”, segundo o presidente da associação. “O valor que a responsável cobrou foi muito abaixo, como consideração por ela gostar de Ibitipoca. Foi uma coisa que viabilizou muito o projeto. Se ela pedisse um valor que fosse justo, a gente não teria condições de fazer o pagamento, por mais que a associação, alguns vereadores e outras pessoas tenham pago.” Jhon tem expectativa de iniciar os trabalhos antes da época da seca.
As obras previstas fazem parte apenas da primeira de duas etapas do projeto. “Já estamos buscando verbas. Em conversas avançadas, mas nada concreto. O dinheiro vai contemplar a área de descida da Igreja do Rosário e os demais pontos por ali que forem necessários. O valor orçado total da obra é de R$ 2.295.669,33.”
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