Mais de 27 mil casos por ano: cânceres do sangue ainda são diagnosticados tardiamente no Brasil
O Brasil registra, anualmente, mais de 27 mil novos casos de leucemias e linfomas, segundo estimativas oficiais. Apesar dos avanços no tratamento, uma parcela significativa dos diagnósticos ainda ocorre em fases avançadas, cenário que especialistas associam à baixa realização de exames de rotina e à natureza pouco específica dos primeiros sinais da doença.
Dados do Instituto Nacional de Câncer indicam que o Brasil registra cerca de 12 mil novos casos de leucemia por ano e mais de 15 mil diagnósticos de linfomas, considerando os tipos Hodgkin e não Hodgkin. Já estimativas do National Institutes of Health apontam que os cânceres hematológicos representam aproximadamente 1,7% dos casos de câncer no mundo.
Câncer hematológico pode evoluir sem sintomas evidentes
Especialistas explicam que um dos principais desafios está na natureza pouco específica dos sinais iniciais. Cansaço persistente, episódios repetidos de infecção, anemia ou aumento de gânglios linfáticos podem ser interpretados como alterações passageiras, atrasando a procura por atendimento médico.
De acordo com a onco-hematologista Carla Boquimpani, da Oncoclínicas, muitos pacientes chegam à consulta apenas quando há comprometimento mais significativo da saúde. Em determinadas situações, como nos linfomas, os gânglios aumentados podem estar localizados em regiões internas do corpo, dificultando a percepção.
Em quadros como o mieloma múltiplo, o atraso pode resultar em complicações ósseas e perda de qualidade de vida. Já nas leucemias agudas, a evolução pode ser rápida, exigindo início imediato do tratamento.
Exames laboratoriais são fundamentais para investigação
O hemograma costuma ser o primeiro exame a apontar alterações que merecem atenção. Mudanças persistentes nos níveis de hemácias, leucócitos ou plaquetas podem indicar a necessidade de exames complementares, como biópsia de medula óssea ou análise de linfonodos.
Segundo especialistas, a avaliação por hematologista é essencial para interpretar os resultados no contexto clínico adequado. A detecção precoce amplia as possibilidades terapêuticas e contribui para melhores desfechos no tratamento.
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Maria Angélica é estagiária sob supervisão do editor-executivo do Folha JF, Matheus Brum.