Tribuna de Minas

CONUPES Juiz de Fora debate sobre espiritualidade, ciência e saúde mental na prática clínica

A sétima edição do CONUPES — Congresso Internacional de Saúde e Espiritualidade, realizada em Juiz de Fora, reforça o protagonismo da cidade em um tema que vem ganhando cada vez mais espaço na comunidade científica: a relação entre espiritualidade, saúde mental e qualidade de vida.
O assunto foi destaque em entrevista exclusiva no programa Tribuna no Ar com a psicóloga e pesquisadora Janaína Siqueira, integrante do Núcleo de Pesquisas em Espiritualidade e Saúde, referência internacional nos estudos sobre espiritualidade aplicada à saúde.
Segundo a especialista, o congresso evidencia como ciência e transcendência vêm sendo integradas de maneira ética e baseada em evidências dentro da prática clínica moderna. Os estudos desenvolvidos pelo NUPES da Universidade Federal de Juiz de Fora já acumulam décadas de pesquisas científicas envolvendo religiosidade, espiritualidade e saúde física e emocional.
De acordo com Janaína Siqueira, as pesquisas mostram impactos positivos importantes no bem-estar dos pacientes, incluindo melhora na qualidade de vida, redução da mortalidade, fortalecimento emocional, melhor enfrentamento de doenças crônicas e suporte psicológico em momentos de sofrimento.
Um dos exemplos citados envolve pacientes renais crônicos, que apresentaram benefícios significativos relacionados ao manejo emocional da doença e ao fortalecimento do sentido de vida.
Debates no CONUPES Juiz de Fora reforça, que espiritualidade não é o mesmo que religião
Durante a entrevista, a pesquisadora também destacou uma diferenciação importante: espiritualidade e religião não são exatamente a mesma coisa. A espiritualidade está ligada à busca por sentido, propósito, conexão e compreensão existencial, enquanto a religião envolve práticas organizadas, crenças específicas e instituições religiosas. Segundo especialistas, essa compreensão mais ampla permite que o tema seja discutido dentro da ciência de forma ética e respeitosa, sem vínculo obrigatório com qualquer crença específica.
Outro ponto importante abordado no congresso é a expansão das pesquisas para a área da pediatria. A proposta é investigar como aspectos ligados às virtudes humanas, vínculos emocionais e construção de sentido podem influenciar o desenvolvimento infantil e a saúde emocional desde os primeiros anos de vida. O debate também busca compreender como crianças e adolescentes lidam com sofrimento, ansiedade e questões existenciais em um cenário de transformações sociais aceleradas.
O CONUPES também reforça o papel de Juiz de Fora como um dos principais polos de discussão sobre espiritualidade e saúde no mundo acadêmico. Segundo Janaína Siqueira, o tema enfrentou resistência inicial há alguns anos, mas hoje já alcança maior maturidade científica e institucional.
A integração entre universidades, pesquisadores e profissionais da saúde tem ampliado o reconhecimento internacional das pesquisas produzidas na cidade. Outro tema central discutido durante o congresso envolve a chamada angústia existencial — sensação ligada a vazio emocional, propósito e sofrimento humano. Segundo especialistas, muitos pacientes chegam aos consultórios carregando dores emocionais que ultrapassam sintomas físicos e exigem uma escuta mais ampla sobre significado da vida, vínculos e identidade. O avanço das pesquisas busca justamente humanizar o atendimento em saúde, oferecendo ferramentas complementares para o cuidado integral do paciente.
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