‘Desconectar do todo e reconectar comigo’: Fábio Porchat destaca amor por viagens antes de show em JF

Fábio Porchat apresenta o espetáculo “Histórias do Porchat”, stand-up em que reúne casos vividos em cinco anos de viagens pelo Brasil e pelo mundo, em Juiz de Fora nesta quinta-feira (21). A peça será realizada no Cine-Theatro Central em duas sessões: a primeira às 19h e a segunda às 21h. Os ingressos ainda podem ser adquiridos no Ingresso Digital.
(Foto: Divulgação)
No palco, o humorista relembra situações inusitadas que vão de encontros com gorilas na África a momentos constrangedores no Nepal, em uma turnê de despedida que já passou por dezenas de cidades e promete arrancar gargalhadas do público juiz-forano.
Em entrevista à Tribuna, Porchat contou sobre o amor por viagens e como aproveita as histórias que vive para a peça. Além disso, comentou sobre a criação de conteúdo para a internet – marca registrada do humorista nas redes sociais nos últimos anos – e o episódio em que a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) aprovou o projeto para tornar Fábio Porchat persona non grata no Estado.
Confira a entrevista completa com Fábio Porchat
Tribuna: Você sempre viajou muito. Como foi entender que essas histórias poderiam virar uma peça?
Porchat: Isso foi acontecendo meio naturalmente. Das histórias que comecei a escrever, eu só fui me dar conta na quarta que também tinha a ver com viagem. Fui pensando situações engraçadas que aconteceram comigo e fui perceber mesmo quando já estava mais adiantado. Pensei: “Espera aí, será que todas as situações são de viagem?”. Quando comecei a me dar conta, eram. Então defini que a peça ia ser sobre viagens.
O “Histórias do Porchat” já passou por quase cem cidades. Explica como funciona a curadoria das histórias. Você vai alternando entre as turnês? Na medida em que mais viagens acontecem, outras histórias vão surgindo?
“Histórias do Porchat” é a mesma peça em todos os lugares que passo. Ela tem os mesmos começo, meio e fim. As histórias não mudam, são sempre as mesmas e contadas do mesmo jeito, como uma peça de teatro em que o ator decora o texto e faz. Assim foi com as minhas viagens. Não acabo acrescentando nada. No fim da peça, que converso com a plateia, pergunto às pessoas para onde já viajaram. Aí sim, conto algumas novas histórias. Só no fim mesmo, quando já terminou a peça, na conversa com o público. É igualzinho em todas as cidades que vou.
É impressionante o tanto de viagem que você faz. O que elas representam para a sua vida pessoal? E pelo que a gente vê, alguns são, inclusive, sozinho, né? Qual é a sensação de conhecer o mundo dessa forma?
Eu amo viajar porque é o momento em que consigo me desconectar do todo e me reconectar comigo, vivenciar lugares diferentes, conhecer outras pessoas e realidades completamente novas. Acho que isso faz com que abram-se horizontes e, inclusive, a minha percepção de mundo. Então é muito gostoso poder viajar. Viajo de todos os jeitos: sozinho, com a família, com minha mulher. Cada viagem é um tipo de viagem. Viajar sozinho é muito gostoso porque, no fim das contas, você tem um silêncio. Você não fala consigo mesmo, então fica pensando e prestando mais atenção nas coisas. A viagem toma um rumo diferente, um pouco mais no improviso. Você não precisa perguntar nada para ninguém, pode fazer do jeito que quiser.
No “Não Importa”, você comentou de uma viagem que vai fazer para “sair da Terra”. E isso é muito Porchat! Queria que falasse sobre essa aventura.
Na verdade não é sair da Terra (risos), é ir para a estratosfera. Não chega a cruzar e ir para o espaço. É em um avião para olhar para a Terra lá do alto. Uma mulher contou essa história no meu programa e fiquei encantado com a ideia. Muita coisa maluca e interessante vai surgir disso. Pode acontecer muita coisa. No fim das contas, entrou para a minha lista de coisas para fazer, porque acho que pode ser uma experiência inesquecível.
Você tem uma presença muita ativa nas redes sociais. Ano passado, fez uma série de vídeos “falando” com o Fernando Diniz, então treinador do Vasco. Esse ano, o empresário Mauro César está fazendo muito sucesso, e sempre com assuntos em alta. Como é pensar em conteúdos totalmente para a internet, que são bem diferentes do que você faz, por exemplo, no “Histórias do Porchat”?
O principal da internet é que a infraestrutura é muito menor. É o meu celular, eu edito, eu pego a câmera, eu faço, escrevo um texto na hora, no segundo que a coisa acontece. Na televisão, no cinema, você precisa de um tempo para tudo aquilo ser produzido. A internet facilita esse imediatismo. Mas a minha preocupação é de sempre ter o melhor texto. Tenho o Gabriel Esteves escrevendo o Mauro César comigo, tenho minha equipe editando vídeo para a gente minimamente entregar um conteúdo muito rápido, mas com qualidade. Faz toda a diferença texto e edição bons. No fim das contas, as redes sociais me aproximam muito do público por conta disso. Os conteúdos de internet vão variando, dependendo do que a vida vai dando.
Não tem como não comentar do “Persona non grata” da última semana. Você ainda usou disso para debochar ainda mais da política do Rio de Janeiro. Ainda mais por ser ano de eleição, qual a importância desse tipo de conteúdo que, além da comédia, apresenta a realidade da política no Brasil como um todo?
Eu sinto que tenho que falar na internet sobre as coisas que estão acontecendo. O Mauro César fala dos casos quentes, falo de futebol com meu outro personagem. A “Persona non grata” acabou virando uma coisa meio presente em todos os sites. Então não tinha como não comentar. Achei que a melhor forma de responder a isso era com humor, com ironia. No fim das contas, o vídeo fez muito sucesso por conta disso. A comédia é muito importante, ainda mais em ano eleitoral, para podermos desconstruir esses mitos e figuras políticas que estão aí e se julgam superiores a qualquer outro cidadão brasileiro.
Ao mesmo tempo, deve ser muito difícil, do jeito como anda as discussões políticas, de entrar nesses assuntos, né? Mas, pelo que a gente vê, você não tira o pé dessas questões. Queria que comentasse sobre essa decisão.
Não dá para se intimidar, né? Não é porque tem gente que grita na internet que você vai parar de fazer, porque a vida real é muito diferente da internet. Na vida real, todo mundo fica feliz da vida quando sacaneamos políticos. Então, se é um assunto relevante e faz sentido falar sobre aquilo, tem que falar. É um pouco disso que eu acredito e faço com o Mauro César e outros personagens que estão vindo por aí.
Por fim, você viaja é pra viver ou criar conteúdo pra programa? (risos)
Quando eu vou viajar, tem muita gente que fala assim: “Tomara que dê tudo errado para virar história no programa”. Eu falo “não, não” (risos). Eu viajo para viver, mas também para coletar histórias e me conectar. Então quando você está aberto às possibilidades da vida, as coisas acontecem. E é isso o que acontece comigo nas viagens.
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