Morte de motociclista no Viaduto Roza Cabinda gera cobrança por mais segurança

Motociclistas e entregadores se reuniram no Viaduto Roza Cabinda após a terceira morte registrada no trecho desde a inauguração da estrutura (Foto: Leonardo Costa)
A morte do motociclista Mateus Emanuel Matias, 25 anos, no último sábado (16), após um acidente no Viaduto Roza Cabinda, no Centro de Juiz de Fora, reacendeu o debate sobre a segurança da estrutura. A vítima caiu do viaduto, que tem cerca de oito metros de altura.
Esta é a terceira morte registrada no trecho desde a inauguração. A primeira ocorreu em setembro de 2024, cerca de dois meses após a entrega da obra. A vítima também era motociclista e tinha 25 anos. Cinco meses depois, em fevereiro de 2025, outro motociclista, de 39 anos, morreu após colidir com a mureta do viaduto e cair do equipamento público.
A reincidência de acidentes fatais voltou a mobilizar motociclistas, entregadores e vereadores, que cobram medidas de proteção no trecho. Entre os pedidos estão a instalação de grades laterais, a revisão das condições do asfalto e a ampliação do monitoramento por câmeras.
Em nota, a Prefeitura de Juiz de Fora (PJF) informou que “monitora o local do acidente constantemente” e que mantém contato direto com a categoria “para debater eventuais melhorias no local”.
Mortes motivam mobilização
Nesta segunda-feira (18), entregadores e motociclistas de Juiz de Fora realizaram uma mobilização no Viaduto Roza Cabinda. O ato foi organizado pela Associação dos Motoboys, Motogirls e Entregadores de Juiz de Fora (AMMEJUF).
Durante o protesto, os participantes pediram intervenções como instalação de grades de proteção, correção do asfalto e implantação de câmeras de monitoramento. O secretário da AMMEJUF, Nicolas Souza, afirmou que a entidade relaciona as fatalidades às condições de segurança da estrutura. “Nós acreditamos que as três mortes aconteceram pelo fato de não existir grade de proteção, já que todas elas foram provocadas pela queda.”
O representante da associação também citou problemas na pista e criticou a ausência de monitoramento no trecho. Segundo ele, a altura do viaduto, a existência de ondulações no asfalto e a mureta considerada baixa aumentam o risco para motociclistas. “Não tem videomonitoramento, não tem absolutamente nada que permita averiguar o que de fato aconteceu”, afirmou.
Para Nicolas, a responsabilidade pela segurança viária também deve ser compartilhada pelo Poder Público. Ele defende que campanhas de conscientização, embora importantes, não são suficientes para evitar novos acidentes no trecho. “Qualquer tipo de fechada, um ponto cego de um motorista, uma mudança de faixa brusca, pode acabar terminando no mesmo fim que aconteceu com os três vitimados no viaduto.”
Especialista defende avaliação técnica do trecho
Na avaliação do mestre em engenharia de transportes pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), José Luiz Britto Bastos, é precipitado atribuir os acidentes a falhas na construção ou na estrutura do viaduto.
Segundo ele, não há, até o momento, indicação de erro construtivo. Ainda assim, Britto considera pertinente que a Prefeitura faça uma avaliação técnica no trecho para identificar eventuais problemas pontuais na via, como depressões, elevações ou desníveis. “Tem cabimento, sim, que a Prefeitura, por meio da Secretaria de Transporte e Trânsito, vá ao local para verificar se há alguma depressão, elevação ou outro fator que possa ter contribuído para esses acidentes.”
Para o especialista, as medidas de prevenção podem combinar fiscalização, monitoramento e eventuais intervenções físicas. Ele explica que as muretas de proteção seguem padrões técnicos e são projetadas para conter situações excepcionais, mas afirma que medidas complementares podem ser avaliadas diante da recorrência dos casos. Entre as possibilidades, Britto cita a instalação de câmeras para coibir excesso de velocidade, a verificação das condições do pavimento e, se houver necessidade técnica, a colocação de gradis adicionais.
Britto também pondera que o comportamento dos condutores deve ser considerado na análise dos acidentes. Para ele, o respeito aos limites de velocidade é um fator central para a segurança no trânsito, especialmente em vias elevadas. O especialista avalia, no entanto, que a recorrência de quedas no mesmo trecho justifica uma investigação mais detalhada sobre as condições da via e possíveis medidas de prevenção.
A posição é contestada pela AMMEJUF. Para Nicolas, a discussão não deve se limitar à conduta dos motociclistas. Ele afirma que a ausência de grades de proteção, a altura do viaduto, as ondulações na pista, a baixa mureta e a falta de videomonitoramento dificultam a prevenção e a apuração dos acidentes. Segundo Nicolas, campanhas de prudência são importantes, mas não substituem a responsabilidade do poder público de garantir sinalização, fiscalização e segurança viária.
Vereadores cobram medidas de proteção
Também nesta segunda-feira, a vereadora Kátia Franco (PSB) protocolou na Câmara um requerimento solicitando à Prefeitura estudo de viabilidade para a instalação de barreiras metálicas complementares, grades ou outro dispositivo de proteção no Viaduto Roza Cabinda. No documento, a parlamentar pede que a Administração municipal, por meio do órgão competente, avalie medidas capazes de ampliar a segurança no trecho e evitar novas tragédias.
Esta não é a primeira vez que o tema provoca a Câmara Municipal. Em fevereiro de 2025, após a segunda morte registrada no viaduto, a Mesa Diretora aprovou três requerimentos que solicitavam à Prefeitura a instalação de grades de proteção lateral na estrutura. As propostas, de teor semelhante, eram de autoria dos vereadores André Mariano, Roberta Lopes e Sargento Mello Casal, todos do PL.
Um dos requerimentos também pedia avaliação técnica sobre o nivelamento do asfalto e as laterais do viaduto, além de providências consideradas urgentes pelos parlamentares. As solicitações foram encaminhadas à Prefeitura por meio de ofício, e a PJF respondeu que a demanda seria inserida no cronograma do Projeto Boniteza.
Travessia de pedestres
Além dos pedidos relacionados diretamente à estrutura do viaduto, outro requerimento, de autoria da vereadora Cida Oliveira (PT), solicitou à Prefeitura a elaboração de projeto e a instalação de uma travessia de pedestres na passagem de nível da linha férrea junto ao Viaduto Roza Cabinda. Na justificativa, a parlamentar afirmou que, em algumas ocasiões, o trem fica estacionado no local e impede a travessia de pedestres, que precisam se deslocar até o mergulhão ou até a Praça da Estação. Segundo o documento, há casos em que pessoas se arriscam entre os vagões para atravessar. Esse pedido também foi encaminhado ao Projeto Boniteza.
Na ocasião da segunda morte, a Prefeitura afirmou que estava aberta a estudar adequações na estrutura de qualquer ponto da cidade. No caso específico do Viaduto Roza Cabinda, no entanto, informou que seria necessário aguardar a conclusão da investigação sobre o acidente. A Administração Municipal também declarou que a sinalização vertical e horizontal do trecho estava em funcionamento e fez um apelo para que as regras de trânsito fossem respeitadas.
A reportagem questionou o Executivo sobre os requerimentos aprovados pela Câmara em fevereiro, incluindo os pedidos de grades de proteção lateral no viaduto e de travessia de pedestres na passagem de nível da linha férrea.
Prefeitura anuncia melhorias imediatas
Após reunião com representantes da AMMEJUF, a PJF informou, em publicação nas redes sociais, que serão adotadas medidas imediatas para ampliar a segurança no Viaduto Roza Cabinda. Entre as ações anunciadas estão a instalação de gradis mais altos, melhorias na pavimentação, implantação de radar para coibir o excesso de velocidade e colocação de câmera de videomonitoramento.
A Administração Municipal também informou que foi instituída uma mesa de diálogo permanente com os trabalhadores, com encontros quinzenais para ouvir demandas da categoria, incluindo temas relacionados à segurança viária e às condições de trabalho. Na publicação, a Prefeitura afirmou ainda que a prefeita Margarida Salomão (PT) manifestou solidariedade à família da vítima do acidente ocorrido no último sábado.
*estagiária sob supervisão da editora Fabíola Costa
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