Tribuna de Minas

Paróquia Santa Rita de Cássia celebra padroeira nesta sexta

Para Padre Paulo Machado, Santa Rita “continua sendo sinal de esperança para aqueles que enfrentam situações aparentemente impossíveis ” (Foto: Reprodução Santa Rita)
Conhecida como a intercessora das causas impossíveis, Santa Rita de Cássia é celebrada nesta sexta-feira (22) pela Igreja Católica. Com o tema “Com Santa Rita, a dor vira pão”, a Paróquia Santa Rita de Cássia, no Bairro Bonfim, promove uma programação que se estende durante todo o dia na Rua Barão do Retiro, 388.
O administrador paroquial, Padre Paulo Machado, explica que o tema nasceu da própria experiência vivida pela comunidade nos últimos meses e traduz a espiritualidade de Santa Rita, marcada pela dor, pela perseverança e pela esperança. O que ninguém esperava é que ele ganharia um peso ainda maior antes mesmo da festa acontecer.
O tema havia sido escolhido antes das fortes chuvas de fevereiro, que deixaram 65 mortos e causaram perdas profundas para famílias de toda a região. “Em meio à dor, nasceu também uma grande corrente de solidariedade. Pessoas que perderam quase tudo encontraram acolhida, ajuda, alimento e esperança. Foi possível perceber, de maneira concreta, que a dor realmente pode virar pão”, afirma o padre, fazendo referência ao tradicional Pão de Santa Rita, símbolo da paróquia.
Para ele, o pão carrega um significado que vai além da tradição. “Ele nos recorda a Eucaristia, presença viva de Cristo Ressuscitado no meio de nós, mas também nos fala de partilha, solidariedade e cuidado com os irmãos”, diz.
Padre Paulo ancora o tema na passagem bíblica “sede pacientes na tribulação, perseverantes na oração” (Rm 12,12) e enxerga na vida da padroeira o próprio exemplo desse caminho. “Santa Rita experimentou inúmeros sofrimentos, mas nunca se deixou vencer pelo desânimo. Sua santidade nasceu justamente da capacidade de transformar a dor em amor, serviço, oração e confiança em Deus”, conclui. “Por isso, ela continua sendo sinal de esperança para aqueles que enfrentam situações aparentemente impossíveis.”
Um jardim de fé e de histórias
Entre as novidades da festa deste ano está um jardim montado em frente à igreja, onde os fiéis poderão amarrar fitinhas e fazer seus pedidos. A ideia, explica Padre Paulo, nasceu da própria simbologia da vida de Santa Rita, marcada pelas rosas e pelos espinhos – sinais da beleza da fé e das dores da caminhada humana – e da tradição popular brasileira de amarrar fitinhas em igrejas e lugares de devoção. “Cada fitinha carregará uma história, uma oração, uma lágrima, uma esperança ou um agradecimento. O jardim se tornará um testemunho visível da fé do povo e da confiança depositada na intercessão de Santa Rita. Será como um grande mosaico espiritual formado pelos pedidos e pela devoção de milhares de pessoas”, descreve.
Por trás do gesto simples de amarrar uma fitinha, o padre enxerga algo maior: o desejo de que cada pessoa que chegue à paróquia se sinta acolhida. “A acolhida é o primeiro gesto de evangelização que queremos oferecer. Também queremos ser presença de esperança e consolo para tantas dores que as pessoas carregam”, afirma. Para ele, o Evangelho ensina justamente isso: que Deus age nas pequenas coisas, nos gestos simples, nos encontros sinceros – e não apenas nas grandes estruturas ou nos grandes acontecimentos.
É com esse olhar que Padre Paulo resume o espírito da festa. “Se ao final deste dia uma única pessoa sair daqui com mais fé, mais esperança ou com o coração tocado por Deus, então tudo terá valido a pena.”
A santa que viveu o impossível
“Sinto que também estou sendo evangelizado pelos devotos de Santa Rita”, admite Padre Paulo Machado, que assumiu a Paróquia Santa Rita de Cássia em janeiro deste ano. Ao se aproximar da comunidade, foi descobrindo uma história marcada por fé intensa, pastorais ativas e uma devoção que o surpreendeu. Para entender o que move uma devoção assim, basta conhecer a história da mulher por trás do nome.
Rita nasceu por volta de 1381 em Cássia, uma pequena cidade do interior da Itália, num tempo de guerras e muita instabilidade. Ainda jovem, atendeu ao desejo dos pais e se casou, mesmo sentindo desde cedo um chamado para a vida religiosa. O casamento foi marcado pelo sofrimento: o marido era agressivo, e ela viveu anos de dor antes de ficar viúva.
Depois da morte do marido, os dois filhos quiseram vingar o pai. Rita, que preferia perdê-los a vê-los se tornarem assassinos, pediu a Deus que os levasse antes que cometessem esse erro. Os dois morreram pouco depois, ainda jovens, sem que o crime tivesse acontecido. Para os devotos, esse episódio é um dos sinais mais fortes da sua fé: uma mãe capaz de colocar a salvação dos filhos acima da própria dor de perdê-los.
Sozinha e livre, Rita tentou entrar para um convento, mas foi recusada três vezes – as regras da época não permitiam a entrada de mulheres que já tinham sido casadas. Segundo a tradição católica, na última tentativa ela teria sido levada de forma milagrosa para dentro do convento durante a noite.
Já como religiosa, pediu a Deus que a fizesse sentir algo do sofrimento de Cristo. A tradição conta que um espinho da coroa de Cristo se cravou em sua testa, deixando uma ferida que ela carregou até morrer, em 1457. Beatificada em 1628 e canonizada em 1900 pelo Papa Leão XIII, Santa Rita tornou-se ao longo dos séculos o símbolo da fé que persevera diante do que parece não ter solução.
Confira os horários das celebrações
Ao longo desta sexta-feira (22), a Paróquia Santa Rita de Cássia celebrará missas em nove horários: 5h, 7h, 9h, 11h, 13h, 15h, 17h, 19h e 21h. O destaque é para a missa das 19h, que será presidida pelo Arcebispo Dom Marco Aurélio, seguida da tradicional procissão luminosa pelas ruas do Bairro Bonfim.
Durante todo o dia, os fiéis também poderão visitar o Jardim de Santa Rita de Cássia, montado em frente à igreja, e as barraquinhas com comidas e artigos religiosos que funcionarão ao longo de toda a programação.
*Estagiária sob supervisão da editora Gracielle Nocelli
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