Tribuna de Minas

‘Sendo sincero comigo mesmo’: Di Ferrero lança ‘SE7E’ em fase de recomeço e maturidade

“Uma vez emo, forever.” Não tem jeito. Todos aqueles sentimentos que ganharam música e letra nos anos 2000 ainda reverberam em Di Ferrero. Mesmo que de outra forma. Antes, como cantor e compositor da NX Zero. Agora, em carreira solo. Em um novo momento, mais maduro, com outros processos, ele lança o álbum “SE7E”, que reúne canções que já foram lançadas em outros EPs e inéditas.
Esse compilado resulta em um trabalho com início, meio e fim. Um cuidado, inclusive, que fica nítido já na primeira faixa: uma intro que é como um portal, que abre os caminhos para o que surge em “Universo paralelo”, música que Di Ferrero já havia lançado em um EP. Apesar de não ser novidade, a canção é um ponto de partida para entender onde o músico está agora, em carreira solo: exatamente em um momento de maturidade.
Enquanto no começo da carreira solo ele tentava se distanciar do que tinha feito no NX Zero, agora ele tem plena consciência de que tudo foi necessário para chegar onde ele chegou, inclusive musicalmente. “No começo da minha carreira solo, eu lancei uma música chamada ‘Sentença’. Foi a primeira música solo. Ela não tem nada a ver com o NX e com o que eu fazia. E não foi de propósito. Mas hoje eu vejo que quis distanciar mesmo (…). E agora eu não tenho isso. Eu não deixei nenhuma coisa externa interferir nas músicas – coisa que eu já fiz algumas vezes”, contou em entrevista à Tribuna.
Na letra de “Universo paralelo”, Di Ferrero se abre completamente, como em um diário. Ele se mostra da mesma forma sincera que fazia quando compunha para a banda. Mas os sentimentos são outros. E ele também tem consciência disso. “Eu estou sendo sincero comigo mesmo nesse álbum”, revela.
Em “Deixa sonhar”, o artista se mostra incomodado com a correria do tempo que impede de sonhar. E essa correria não atingiu o desenvolvimento do álbum. “SE7E” é um trabalho de 1 ano, com muitos momentos, sem pressa. “Não é um álbum que você separa dois meses da sua vida, faz as música, lança e vai para o próximo. Não. É um momento inteiro da vida e que se encerra agora um ciclo (com o lançamento).” Ele mesmo afirma que não sabe ser uma pessoa “relaxada”. É “pilhado”. Mas o “SE7E” exigia essa calma.
A própria forma como as canções foram surgindo mostra isso. Todas as parcerias são fruto primeiro de uma amizade. “São pessoas que fazem parte da minha vida, do meu passado, do meu momento presente.” Um exemplo claro disso é a presença de Gee Rocha, seu parceiro desde o NX Zero, no álbum, e de Jenni Mosselo, com quem ele compôs diversas músicas e teve uma relação ainda mais aprofundada nesse processo de formar um álbum. O resultado: “O álbum ganhou uma cara diferente dos outros e, ao mesmo tempo, é um álbum que eu gostaria de dar play. Não tenho nada para mudar”.
(Foto: Divulgação)
‘Se quero valorizar alguém, faço uma música’
Já “Azul” é um retrato desse ano inteiro de imersão em “SE7E”. Na canção, tem o ensejo que mudou tudo: o recomeço. Di Ferrero conta que fazer 40 anos o deixou reflexivo e é daí que parte tudo. A maturidade o permitiu falar de coisas que ele ainda não se sentia seguro para falar. E não são só as coisas ruins: as boas, inclusive, são as que ele mais sentia dificuldade em transformar em música. “Porque, agora, por exemplo, se eu quero valorizar alguém, quem realmente cuida de mim e quem eu quero cuidar, eu faço uma música sobre isso.” Entender isso é recomeçar, mesmo que em uma carreira tão consolidada e marcada.
E assim como aconteceu com o NX Zero, que tantos jovens se identificaram com aquilo que as músicas traziam, acontece com as canções de “SE7E”. A nova geração chega à essa nova fase de Di Ferrero. Tudo pelo sentimento tão real. E de todas as canções, “Unfollow” é talvez a que mais tenha um pé tão fincado na música emo. E ela aparece duas vezes no trabalho, ganhando uma versão ao vivo que fecha o “SE7E”, como tudo desagua: o meio e o fim.
Começa, aí, uma outra “fase” do trabalho, na mesma pegada, como um retorno a aquele que Di Ferrero já foi. Isso aparece na inédita “Cuida”, carta de amor às avessas que serve ainda como um lembrete exatamente do que ele conta que entendeu e passou a transformar em canção – cuidar de quem cuida -, e nas músicas seguintes, “Além do fim”, “Fim do mundo” (também inédita), “Então volta” e “Som da desilusão”.
Um processo planejado por inteiro
“SE7E” é um processo, de fato. Tudo foi “amarrado” e não só as canções: a ordem das músicas, o timbre, as cores, toda a narrativa. E como quem volta para entender, isso tem um motivo: Di Ferrero pensou no álbum a partir do que aprendeu com a própria família, e isso tem a ver com as energias, as crenças, o esoterismo e, o que fica claro até no nome e nas escolhas do lançamento, na numerologia, já que sua mãe é astróloga.
O lançamento acontece na lua crescente, às 19h, “hora de lançar coisa nova”. Hora também daquela angústia de fim de dia que permeia as composições do álbum e dá o exato tom do que ele queria, endossado pelos visualizers lançados.
Trata-se de um álbum para realmente ouvir por inteiro, entender como a história começa e como ela termina. Di Ferrero, claro, soube disso ao fazer. “Quando conta uma história inteira assim, ela vem com mais força.” E é por isso que ele se orgulha tanto de “SE7E”, e inclusive conta que tem o desejo de que ele seja lançado em vinil: o objeto concreto de um recomeço tão pensado.
Di Ferrero segue agora com a turnê, implementando as novas músicas lançadas. Ele já havia testado as outras em outros shows, percebido os momentos mais altos, quando as pessoas davam corda. Agora, outro teste. “E existe, sim, esse frio na barriga. E ainda bem, né?! Essa borboletinha ali no estômago. E eu não quero parar de ter, eu gosto dessa ansiedade boa. Apesar de ter essa carreira de muitos anos, se perder isso, tudo fica chato. Eu não quero perder. Deixar sonhar, né?!”
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