Cientistas identificam proteína que pode barrar avanço do câncer

Uma recente pesquisa realizada pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) descobriu uma proteína, chamada sindecam-4 (SDC4), que pode servir como alvo para tratamentos que visam coibir a progressão do câncer. Essa proteína, localizada na superfície das células, se relaciona à habilidade de células tumorais agressivas de sobreviver fora de seus tecidos originais, facilitando a formação de metástases.
Os experimentos demonstraram que a inibição da SDC4 interrompe a divisão das células e retira a proteção que elas têm para se manterem vivas fora do ambiente celular adequado. Os resultados foram publicados na revista científica Cytotechnology em março. Contudo, os pesquisadores reforçaram que o estudo encontra-se ainda em suas etapas iniciais e exige mais testes.
Mecanismo de resistência celular
A atuação da SDC4 é crucial como um dos fatores que fazem com que células tumorais resistam ao processo de morte programada conhecido como anoikis, que é um mecanismo que evita que células deslocadas se multipliquem. Enquanto em condições normais as células são eliminadas ao se desprenderem de suas conexões, no câncer, algumas células conseguem burlar esse processo.
Para entender melhor a função da SDC4, foram realizados testes com células de vasos sanguíneos de coelhos. Em um cenário onde as células não puderam se aderir a uma superfície, a maioria não sobreviveu, mas um pequeno grupo resistente produziu níveis elevados de SDC4. Estudos posteriores mostraram que, ao silenciar o gene da SDC4, essas células perderam características agressivas e voltaram a depender de adesões para a sobrevivência.
Além disso, a análise também revelou que a SDC4 desempenha um papel importante no ciclo de divisão celular. O bloqueio dessa proteína resultou no aumento de uma substância inibidora, chamada p27, que é fundamental para a regulação da multiplicação celular. Desta maneira, os pesquisadores acreditam que a SDC4 se apresenta como uma promessa de alvo terapêutico que poderá ser utilizado em futuros tratamentos oncológicos.
Por fim, o grupo de pesquisa da Unifesp está explorando a possibilidade de que o canabidiol (CBD), um composto não psicoativo da Cannabis sativa, possa influenciar as moléculas de SDC4 e modificar o comportamento das células resistentes à anoikis.
Com informações de Tribuna de Minas.



