Estudo em Juiz de Fora melhora sobrevivência de papagaios resgatados

Uma pesquisa realizada no Centro de Triagem e Reabilitação de Animais Silvestres (Cetras) de Juiz de Fora, em parceria com a Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), demonstrou avanços significativos na reabilitação de papagaios resgatados do tráfico. As aves, que passaram por treinamento de voo e foram expostas a menos contato humano, mostraram melhorias comportamentais e na saúde.
O estudo envolveu 38 papagaios do gênero Amazona, grupo que inclui espécies severamente afetadas por atividades ilegais. O papagaio-verdadeiro (Amazona aestiva) se destaca como uma das espécies mais apreendidas no Brasil, segundo dados do Ministério do Meio Ambiente e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).
Resultados positivos na reabilitação
No decorrer da pesquisa, os papagaios realizaram treinamentos focados na aversão ao contato humano e aprimoramento do voo. Aproximadamente 90% dos participantes do estudo demonstraram melhorias na habilidade de voar e passaram a evitar alimentos oferecidos por humanos, um comportamento vital para garantir que não sejam capturados novamente após serem soltos na natureza.
A diretora de Proteção à Fauna do IEF, Ariane Goulart, destacou a importância da reabilitação em Cetras. “Animais retirados da natureza e que passam pelo tráfico enfrentam estresse, manipulação constante e risco de doenças, afetando sua saúde e comportamento. Iniciativas como essa são essenciais para o sucesso de sua reintrodução”, afirmou.
Além das melhorias comportamentais, a pesquisa indicou avanços na saúde dos papagaios. Inicialmente, quase 50% apresentavam parasitas intestinais, e após tratamento, esse número reduziu para 18,42%. Goulart enfatizou ainda o vínculo entre o tráfico de animais silvestres e os riscos à saúde pública, uma vez que algumas zoonoses podem ser transmitidas a humanos.
Outra constatação pertinente foi que papagaios mais curiosos tendiam a aceitar comida oferecida por pessoas com maior facilidade, aumentando suas chances de captura. Aqueles mais cautelosos mostraram desempenho superior no voo, o que se associa a maiores chances de sobrevivência. O IEF reitera que alimentar animais silvestres pode levar à perda do instinto natural e aumentar a vulnerabilidade ao tráfico, enfatizando a importância de não oferecer alimentos a essas aves.
Esses achados ressaltam a relevância dos Centros de Triagem e Reabilitação, que auxiliam animais afetados por tráfico, captura ilegal e outras lesões ambientais, proporcionando cuidados veterinários e preparando-os para retornarem ao seu habitat.
Com informações de Tribuna de Minas.



