Juiz de Fora

PF investiga Eduardo Cunha por emendas suspeitas em Minas Gerais

A Polícia Federal (PF) está investigando o ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, por possível influência na destinação de emendas parlamentares mesmo após seu mandato ter sido cassado em 2016. A investigação foi impulsionada por uma decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que resultou no bloqueio de até R$ 6,15 milhões em bens e valores de Cunha, quantia que corresponde ao total das emendas que estão sendo analisadas.

Quase metade desse valor, cerca de R$ 3,02 milhões, foi direcionada a municípios da Zona da Mata mineira, destacando-se cidades como Lajinha e Goianá. As evidências obtidas até agora indicam que existiria um “arranjo decisório paralelo”, permitindo que Cunha mantivesse uma influência significativa na distribuição de recursos destinados às localidades da região, o que é ilegal, pois ele não possui mais o cargo de deputado federal.

Articulações políticas em Juiz de Fora

Neste contexto, Eduardo Cunha está buscando ressurgir politicamente, tendo escolhido Juiz de Fora como uma de suas bases para reconstruir sua carreira. Em 2022, tentou se eleger deputado federal pelo São Paulo sem sucesso, mas sua filha, Dani Cunha, foi eleita no Rio de Janeiro.

Cunha está se apresentando em eventos ao lado de figuras políticas locais, como o vereador Tiago Bonecão e lideranças evangélicas, utilizando redes sociais e mídias comunitárias para ganhar visibilidade. A tentativa de rearticulação política é visível com sua colaboração em programas de rádio e em eventos sociais voltados à comunidade.

Apesar dessas movimentações, elas não são, por si só, irregulares. Contudo, a investigação da PF lança uma sombra sobre essas atividades, uma vez que está sendo apurado se Cunha utilizou suas conexões para direcionar emendas federais em prol de interesses pessoais e políticos em sua nova base eleitoral.

Eduardo Cunha, que se destacou na política nacional ao presidir a Câmara e por ter aceitado o impeachment de Dilma Rousseff, foi cassado após ser considerado culpado por mentir em uma CPI. Além disso, ele respondeu por suas ações na Operação Lava Jato. Em 2023, teve parte de suas condenações anuladas, mas sem implicar em inocência sobre as acusações.

A defesa de resumo, diante do turbilhão de investigações e novas articulações, mantém-se vigilante e se manifestou publicamente sobre a situação, ressaltando a capacidade do ex-deputado para concorrer novamente ao cargo de deputado federal por Minas Gerais.


Com informações de Folha JF.

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