Parque do Ibitipoca pode ter aumento de visitantes diário

O Parque Estadual do Ibitipoca, localizado em Conceição do Ibitipoca, distrito de Lima Duarte, está em processo para receber até 20% a mais de visitantes diariamente. O Instituto Estadual de Florestas (IEF) propôs ao Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) um aumento na capacidade de visitação, de mil para 1,2 mil pessoas por dia.
No entanto, essa alteração espera a análise da Coordenadoria Estadual de Apoio Técnico (CEAT), que avaliará se a mudança pode ser feita sem afetar a preservação ambiental e a infraestrutura da Unidade de Conservação (UC). O pedido do IEF baseia-se em estudos técnicos e indicadores ambientais que foram levantados.
Avaliação técnica necessária antecede a decisão
Dentre as opiniões consultadas, as secretarias municipais de Meio Ambiente e Turismo, bem como o Departamento Municipal de Água e Esgoto (Demae), apoiaram a ampliação da visitação, mas enfatizaram a necessidade de monitoramento contínuo dos impactos ambientais. O estudo que fundamenta a visitação atual foi elaborado em 2014 e, segundo o MPMG, é essencial realizar uma avaliação atualizada antes de tomar qualquer decisão.
A investigação a ser realizada buscará entender se as condições do estudo de 2014 ainda são válidas ou se novos dados precisam ser coletados, considerando as condições atuais do parque, como a infraestrutura e os possíveis riscos ambientais associados ao aumento de visitantes.
O professor Cezar Barra, que foi responsável pelo estudo de capacidade de carga de 2014, aponta que a metodologia aplicada incorporou diversos fatores relacionados ao ambiente do parque, mas alerta para os riscos da proposta, dado o relevo acidentado e a delicada geologia local.
Barra enfatiza que a ampliação da visitação pode agravar vulnerabilidades naturais, como quedas de blocos rochosos e enchentes rápidas. Ele menciona que não existem infraestruturas adequadas para proteção dos visitantes, como abrigos nas trilhas em casos de tempestade.
Além disso, o Serviço Geológico do Brasil (SGB) revelou vulnerabilidades no parque, sugerindo a interdição de algumas áreas devido ao potencial de deslizamentos. Até o momento, tanto o IEF quanto a Parquetur, que administra o parque, não se manifestaram sobre o tema solicitado pela reportagem.
Com informações de Tribuna de Minas.

