Documentário de jovens de Ibitipoca é selecionado para festival

O documentário “Belezas do meu lugar” ganhou destaque ao ser selecionado para o Festival Internacional de Cinema de Itaúna, em Pernambuco. Essa obra, fruto da oficina de documentários do coletivo Vozes da Serra Grande, foi realizada por jovens da comunidade dos Moreiras, em Santa Rita de Ibitipoca, que exploram a beleza local da icônica cachoeira Janela do Céu.
A produção faz parte da segunda edição do curso “Introdução a Documentário – Desvendando a Serra Grande 2”. Durante o programa, jovens das comunidades de Bom Jesus do Vermelho e Moreiras participaram ativamente do processo, desde a elaboração dos roteiros até a captação de som e imagem, refletindo um grande patrimônio cultural da região. Segundo Celine Billard, uma das instrutoras, “os jovens se empenharam em registrar tradições e memórias, interagindo com os mais velhos e revelando muitos talentos”.
Preservação da história e preparação para os desafios
A Janela do Céu, apesar de estar localizada em Santa Rita de Ibitipoca, tem acesso conturbado, especialmente para os moradores locais. A criação de um novo acesso pela comunidade foi uma demanda antiga que visa integrar as comunidades ao turismo da região. Assim, a temática do documentário buscou não apenas retratar belezas naturais, mas também a necessidade de valorização e preservação histórica do local.
As exibições nos bairros entregaram oportunidades para os jovens e familiares assistirem aos documentários, mas com a trajetória do filme para festivais, surgem novos desafios, como a logística. “Queremos que os jovens participem, mas a falta de recursos para transporte é um limitante. Estamos planejando uma sessão de cinema em Juiz de Fora para que eles possam ter a experiência de ver seu trabalho nas telas”, acrescenta Celine.
O coletivo Vozes da Serra Grande tem o objetivo de proporcionar às comunidades locais ferramentas para expressar suas vozes por meio do audiovisual, especialmente em um contexto de gentrificação impulsionado pelo turismo no Parque Estadual Ibitipoca. Em sua atuação, desenvolvem ainda diversas oficinas, incluindo podcasts e tradições culinárias, visando fortalecer a identidade cultural e social das populações locais.
Em suma, “Belezas do meu lugar” não apenas emerge como uma representação artística, mas também como um meio de afetar conscientemente na preservação das histórias e identidades locais, desafiando as adversidades proporcionadas pela urbanização e exploração turística.
Com informações de Tribuna de Minas.

