Zona da Mata

Giovani Verazzani: a poesia como expressão da vida

Giovani Verazzani não trilhou o caminho da poesia a partir de livros. Ele revela que a literatura fez parte de sua vida desde muito jovem, mas foi na música que ela ganhou um novo sentido. Iniciou sua jornada no rap, quando o funk se ainda se identificava com essa vertente, e depois se aventurou por gêneros como punk rock e hardcore. Em busca de uma forma de compreender o mundo e se expressar, ele encontrou na música uma extensão da poesia. “A literatura sempre esteve presente, mas só percebi a poesia mais ligada à vida quando a observei na música”, conta ele em uma entrevista.

Embora nunca tenha planejado se tornar um poeta, a conexão com a escrita chegou de forma inesperada. Verazzani experimentou outros gêneros literários, mas foi na poesia que realmente encontrou sua voz. A urgência e a espontaneidade da poesia o cativaram. “A poesia tem um aspecto espontâneo, imediato e urgente. Meu gosto pela escrita foi moldado pela música e suas rimas”, explica o autor.

Poesia e Oportunidade de Encontro

Atualmente, o poeta é autor de dois livros: “A poesia tem que acabar” e “Moleque de pena na mão”. Além disso, ele está se aventurando na prosa e trabalhando em narrativas mais extensas. Apesar dessa evolução, Verazzani admite que ainda tem dificuldades em se reconhecer como escritor. “Quando as pessoas me reconhecem na rua como poeta, é quando me sinto inteiramente parte desse universo”, diz.

Para ele, a literatura transcende o simples ato de escrever e se transforma em um espaço de encontros. Verazzani enfatiza a importância da oralidade na literatura, afirmando que saraus, slams e batalhas de MCs fazem parte fundamental de sua trajetória. Para ele, esses eventos são fundamentais para a formação de um espaço onde a literatura deve prosperar e serem percebidos como direitos humanos universais.

Apesar de residir em Juiz de Fora há 26 anos, Verazzani menciona uma contradição em sua relação com a cidade. Ele cresceu mudando de lugar e não se sente conectado a territórios específicos, mas sim às pessoas que lá habitam. “Eu não gosto daqui, mas amo as pessoas daqui. O que me liga a um lugar são as relações que construí”, afirma. Escritores e coletivos culturais locais também são referências importantes para sua escrita.

Quanto às suas leituras e recomendações, Verazzani destaca “Os ricos também morrem”, de Ferréz, como uma obra fundamental da literatura marginal brasileira. Ele acredita que este livro é essencial para se compreender a força da literatura produzida nas periferias e suas influências.


Com informações de Tribuna de Minas.

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