Ministério Público pede impugnação da candidatura de Cunha

O Ministério Público Eleitoral (MPE) protocolou formalmente um pedido para que o Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG) rejeite o pedido de registro de candidatura do ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha (Republicanos), a deputado federal nas eleições de 2026. A solicitação, apresentada na terça-feira (11/08), conta com a assinatura do procurador regional eleitoral Tarcísio Humberto Parreiras Henriques Filho e outros procuradores auxiliares.
A impugnação se baseia principalmente nas investigações que envolvem Cunha em relação à manipulação de emendas parlamentares direcionadas a municípios do estado mineiro. Material obtido na Operação Transparência sugere que, mesmo sem mandato, o ex-deputado teria exercido influência significativa na alocação de verbas federais.
Investigação aponta para atuação criminosa
Num dos trechos mais incisivos do documento, o MPE alega que Eduardo Cunha é mencionado como líder de uma organização criminosa focada na manipulação irregular de emendas parlamentares, com grande concentração de atividades em Minas. A análise revelou a movimentação de aproximadamente R$ 6 milhões de recursos públicos, a maior parte destinada à Zona da Mata.
A investigação aspira mostrar que Cunha mantinha uma “cota informal” de verbas, claramente divididas entre os municípios de acordo com interesse político local. Além disso, o MPE relaciona a servidora da Câmara dos Deputados, Mariângela Fialek (Tuca), que supostamente media as mudanças solicitadas por Cunha
Para o Ministério Público, a amplitude das evidências reunidas indica que Cunha operava com influências equivalentes às de parlamentares em exercício, exigindo a comprovação disso mesmo sem uma condenação criminal anterior. O órgão ressalta que o pedido de inelegibilidade não equivale a um preâmbulo de condenação, sendo distinto do debate judicial penal.
Cabe ressaltar que, embora não haja uma condenação definitiva, a Procuradoria fez referência a decisões do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que bloquearam candidaturas de indivíduos conectados a organizações criminosas. O MPE acredita que a situação de Cunha tem similaridades que justificariam a sua inelegibilidade.
Além da impugnação do MPE, a vereadora Roberta Lopes (PL), que também pretende ser candidata a deputada estadual, ajuizou outra ação em contrariedade à candidatura de Cunha. Ambas as mobilizações expressam um forte movimento contra sua elegibilidade nas eleições futuras.
Com informações de Folha JF.

