Zona da Mata

Cresce dependência de jogos digitais entre brasileiros

O vício em cassinos online tem se tornado uma questão alarmante no Brasil, com um aumento significativo na busca por ajuda em saúde mental. Nos últimos cinco anos, o SUS reportou um crescimento de quase 140% nos atendimentos relacionados a problemas de ludopatia, condição reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS). O vício em jogos, que já afeta entre 2,14 e 2,78 milhões de brasileiros, ocupa o terceiro lugar em prevalência entre os vícios, atrás apenas do álcool e do tabagismo.

Um estudo do Ministério da Fazenda apontou que, só neste ano, mais de 500 mil pessoas optaram por se autoexcluir de plataformas de jogos devido à perda de controle. O psiquiatra Helio Fádel, do Vasco da Gama e do Comitê Olímpico do Brasil, alerta que a gravidade do vício não se revela apenas nas perdas financeiras, mas também no impacto emocional que causa, incluindo relações familiares prejudicadas e comportamento enganoso.

O depoimento de um jogador de futebol

Recentemente, o atacante Michel Henrique, que já jogou por vários clubes enquanto atuava no Brasil, compartilhou seu relato sobre a luta contra o vício em jogos online. Desde que começou a apostar em 2017, dividindo entre apostas em futebol e cassinos virtuais, Michel admitiu que sua vida mudou drasticamente, chegando a cogitar o suicídio devido ao desespero e à angustiante sensação de perder o controle.

Agora, com mais de 40 dias limpo, ele revela que a sensação de liberdade e dignidade que perdeu durante o vício são as maiores consequências do seu comportamento. Além das dificuldades financeiras, Michel destacou que sua saúde mental foi significativamente afetada, apresentando crises de ansiedade e depressão. Ele recusa-se a retornar ao mundo das apostas, decidido a construir sua vida sem depender dos jogos de azar.

Fádel reforça que a ludopatia deve ser tratada com a mesma seriedade que qualquer outra doença mental, defendendo um acompanhamento multidisciplinar para aqueles que lutam contra essa compulsão. Ele destaca a importância de não apenas aplicar punições, mas também oferecer suporte e estratégias de recuperação para os afetados.


Com informações de Tribuna de Minas.

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