Zona da Mata

Transtorno do jogo eletrônico: um alerta para gamers

Para muitos brasileiros, jogar videogame é uma atividade rotineira. A 13ª edição da Pesquisa Game Brasil revela que 75% da população tem o hábito de jogar. As gerações Z e Millennials são as maiores consumidoras, mas quase 50% dos Baby Boomers também se divertem com games. As mulheres representam 52,8% dos jogadores, e o celular é a plataforma mais utilizada, com 44,1% de acesso, seguido por consoles e computadores.

Especialistas estão cada vez mais atentos ao transtorno do jogo eletrônico, reconhecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 2018. Este transtorno se configura como uma doença quando a pessoa prioriza o jogo em detrimento de outras atividades, afetando sua rotina, trabalho ou relacionamentos. Para ser classificado como tal, esse comportamento deve persistir por ao menos 12 meses, segundo a OMS.

Impactos e Sinais de Alerta

O psiquiatra Rodrigo Menezes Machado explica que o diagnóstico não se baseia nas horas jogadas, mas sim no prejuízo causado. A estrutura dos jogos, com recompensas frequentes e missões intermináveis, pode manter o cérebro em constante busca por satisfação, levando a modificações na neurocircuitaria. É crucial observar comportamentos como isolamento social e mentiras sobre o tempo gasto jogando, sinais que podem indicar um transtorno.

Uma revisão recente envolvendo 250 mil jovens apontou que cerca de 10% apresentam sinais de uso problemático de jogos. No Brasil, mais de 28% dos adolescentes estão nessa categorização de uso problemático. A prevalência do transtorno entre adultos é também preocupante, afetando tarefas diárias e relacionamento com colegas de trabalho.

Neste cenário, determinadas características pessoais aumentam o risco de desenvolver o transtorno, como impulsividade e problemas de autoestima. Além disso, o uso de games pode estar associado a questões maiores, como depressão e ansiedade. Apesar da crescente preocupação, muitos familiares só buscam ajuda quando a situação se torna insustentável.

Para prevenir a instalação do transtorno, intervenções em estágios iniciais, promovendo atividades fora das telas e limitando o tempo de jogo, podem ser fundamentais. Em casos mais avançados, terapias como a cognitivo-comportamental se mostram eficazes, assim como o suporte familiar durante o tratamento.


Com informações de Tribuna de Minas.

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