Reflexão sobre o comportamento eleitoral no Brasil

A partir do último domingo, os brasileiros têm a oportunidade de discutir suas opções nas eleições, que abrangem a escolha de presidente, governadores, senadores e deputados. A partir do dia 28, as campanhas ganharão visibilidade nas emissoras de TV e rádio, porém, a corrida presidencial já se encontra em curso há algum tempo.
Observa-se uma intensa polarização entre o ex-presidente Lula e a família Bolsonaro. O filho de Jair Bolsonaro, Flávio, tenta assumir o legado político do pai. Ambos os candidatos se aproveitam desse embate, que simboliza uma divisão entre a esquerda, atualmente no poder, e a direita, que busca a vez no palácio. Contudo, essa distração evita que outros postulantes ganhem destaque no cenário político.
O verdadeiro motor da política
É crucial notar que essa eleição não se resume a nomes do Executivo. O processo inclui também as escolhas para a Câmara e o Senado. Infelizmente, muitos brasileiros costumam desconsiderar a importância dessas votações. Muitas vezes, as escolhas recaem sobre figuras conhecidas ou populares, sem que haja uma real preocupação com suas capacitações ou convicções políticas, e em muitos casos, os eleitores sequer recordam em quem votaram.
Uma pesquisa recente do DataFolha revelou dados alarmantes: 75% da população não conseguem nomear um senador e 68% não conseguem nomear um deputado federal. Ainda mais grave é o fato de que 67% dos eleitores não se lembram de suas escolhas para deputado nas eleições de 2022, e 66% não se recordam de seus votos para senador e deputado estadual. Essa falta de memória em relação ao voto impacta diretamente a relação dos cidadãos com o Legislativo, que é responsável pela criação e a aprovação de leis, fundamentais para a vida cotidiana.
Portanto, é essencial que o eleitor se conscientize da importância do seu voto para o Parlamento, uma vez que essas decisões legislativas moldam as políticas que todos enfrentamos diariamente. Assumir essa responsabilidade é um passo crucial na construção de uma sociedade mais consciente e participativa em relação à política.
*Paulo César de Oliveira é jornalista e diretor-geral da revista Viver Brasil.
Com informações de Tribuna de Minas.
