Zona da Mata

Exposição ‘Planejadin’ destaca a madeira na arte de Fabrício Carvalho

A exposição “Planejadin” está em cartaz no Espaço Manufato, oferecendo ao público uma série de obras que exploram a intersecção entre desenho, escultura e arquitetura. Criada pelo artista Fabrício Carvalho, a mostra visa estimular uma interação profunda entre a escultura e o ambiente, ampliando a experiência do espectador com o objeto de arte.

A madeira é o tema central das obras, refletindo a conexão pessoal de Carvalho com seu território e suas vivências ao longo do tempo. As criações estão disponíveis para visitação até 28 de agosto, de segunda a sexta-feira, das 15h às 20h, evidenciando a trajetória do artista em sua experimentação com a matéria.

Relato de formação e inspiração

Fabrício Carvalho, que leciona na Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), tem um histórico de trabalho que combina elementos de diferentes práticas artísticas. Desde os seus tempos de faculdade, ele começou a coletar materiais encontrados na rua, especialmente madeiras descartadas, com o intuito de remodelá-los como colagens. Na nova exposição, sua abordagem mistura conceitos de manuais de construção e geometria, expandindo sua reflexão sobre o uso da madeira.

O artista compartilha suas lembranças da infância na zona rural de Ubá, onde cresceu em um contexto de muita escassez. Neste ambiente, a madeira era um recurso abundante para elaboração de objetos cotidianos, como bancos e carros de boi. Esse histórico moldou sua visão sobre a criatividade e a possibilidade de remodelar o que já existe, mantendo a integridade do material em suas novas formas.

O título “Planejadin” sugere múltiplas interpretações, desde a geometria envolvida na criação de suas obras até a crítica a planos inacabados da arquitetura e do mobiliário. Carvalho também faz menção à linguagem popular mineira e à influência de Aleijadinho em sua obra, ao empregar formas geométricas e dobradas de maneira abstrata e reflexiva.

Além disso, a exposição inclui a experimentação e a improvisação como parte essencial do processo criativo. O artista propõe obras que se corporificam a partir de elementos geométricos inesperados, referenciando as peculiaridades da construção e do cotidiano de Juiz de Fora. Exemplos são as criações “Pedra, papel e tesoura” e “Pé no chão”, que traduzem a conexão entre arte, estrutura e as memórias da tradição local.

Por fim, a escolha de materiais como madeira em estado de carvão representa uma reflexão crítica sobre o tempo e convidam à leitura ecológica da obra. Carvalho utiliza madeiras de segunda mão, oferecendo uma nova vida a peças que antes desempenhavam outras funções, realçando o diálogo entre passado e presente na arte contemporânea.


Com informações de Tribuna de Minas.

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